Capítulo 8 - LARA

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Que dia é?

E qual o mês?

Este relógio nunca pareceu tão vivo

Eu não posso prosseguir

E eu não posso voltar atrás

Eu perdi tempo demais

(You and Me - Lifehouse)



Eu nunca teria imaginado...

Annelise é uma jovem muito bonita, de cabelo longo, loiro, em uma tonalidade mais escura. Provavelmente está na mesma faixa etária que eu e exibe um sorriso colossal enquanto desliza com rapidez e habilidade em sua cadeira de rodas até onde estamos.

― Então, você é a famosa Lara?! Muito prazer, Annelise! Irmã do Gui― com um movimento ela emparelha sua cadeira junto à minha e estende sua mão. Estendo a minha e, com um sorriso desconcertado, retribuo o cumprimento de Annelise.

― Muito prazer, Annelise.

― Comportem-se, crianças― Marta sai da sala.

― Ah não, Gui, você não tinha contado pra ela, né? ― De alguma forma, ela percebe a surpresa estampada em meu rosto e lança um olhar repreensor ao irmão.

― Estou contando hoje, Anne!

―Você passa todo esse tempo com ela e nem fala de mim? ― Balança a cabeça negativamente fazendo um muxoxo. ― Sofri um acidente há três anos, Lara. Infelizmente não tive a sorte que você teve...

Faço menção de perguntar algo, mas nenhum som sai de minha boca. Guilherme completa frase da irmã.

― A Anne não voltará a andar.

Olho para Guilherme e, depois, para Annelise, mas nenhum dos dois demonstra tristeza. Confesso que não sei bem como agir.

― Outra hora conto para você essa história. Mas me conte você como foi a cirurgia na perna. Está tudo bem?

― Ah sim, correu tudo bem ― respondo, menos tensa. ― O médico recomendou quinze dias na cadeira de rodas para evitar que eu force a perna. Depois poderei usar muletas e, provavelmente, tiro essa haste da perna dentro de quatro meses.

― Que ótimo, Lara! Gostou das muletas? Eu ajudei o Gui com a ideia da frase. ― Annelise sorri e olha para Guilherme. ― Ele contou que você dança muito bem para quem está em uma cama de hospital.― Ela continua com o sorriso estampado no rosto. Guilherme, por outro lado, parece um pouco envergonhado.

― Anne...― ele resmunga e fico sem jeito. ― Podemos ir para o sofá? Vocês duas estão sentadas, eu não. ― Ele empurra minha cadeira até o sofá e Annelise, com agilidade, vira a sua e nos segue.

Agora entendo o motivo da distância entre os móveis: é para que Annelise possa se locomover pela casa.

O assento do sofá é retrátil e Guilherme puxa dois, um para mim e outro para Annelise. Ele me ajuda a me sentar, coloca uma almofada para apoiar minha perna e, em seguida, ajuda a irmã, que se senta ao meu lado direito.

― Eu consigo me sentar sozinha no sofá, mas confesso que do sofá para a cadeira de rodas é muito mais fácil.― Ela sorri novamente.

Annelise tem um sorriso fácil e parece não se importar com a deficiência. Fico extremamente curiosa sobre o que aconteceu com ela, porém não quero ser indelicada. Guilherme senta-se ao meu lado esquerdo.

Dois PassosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora