"E cada grande sonho perdido
Me conduziu até você
Aqueles que machucaram meu coração foram como estrelas do norte
Direcionando meu caminho para dentro dos seus braços de amor
Isso tudo eu sei, é verdade
Deus abençoou o caminho tortuoso que me conduziu diretamente a você."
(Bless the Broken Road - Selah)"
― Não pode olhar por debaixo da mão ― Guilherme fala enquanto cobre meus olhos com suas mãos e me guia para uma direção desconhecida. ― Estamos quase lá.
― Se eu cair e quebrar a perna outra vez, a culpa será sua ― digo, me divertindo com a situação.
Depois de mais alguns passos vacilantes, sinto minha pele se arrepiar ao ouvi-lo falar bem próximo ao meu ouvido:
― Pronto, pode abrir os olhos.
Abro os olhos lentamente e a luz do entardecer invade minhas retinas. Sou arrebatada pela visão do mar à minha frente, majestoso e imponente.
Uma lufada de vento bagunça meu cabelo. Porém, não me preocupo em arrumá-lo novamente, apenas continuo olhando a imensidão que se estende diante de mim.
As ondas arrebentam na praia, deixando uma espuma branca à medida que retrocedem novamente. O sol parece querer se banhar no mar, deixando o céu pintado de tons de laranja enquanto convida a lua para tomar o seu lugar. Eu nunca havia visto nada tão belo assim.
― Gostou? ― Meu namorado me pergunta com expectativa.
― É perfeito ― respondo, recuperando o fôlego e deixando brevemente de olhar o mar para admirar o homem que mudou minha vidc.
Guilherme me abraça por trás, encaixando sua cabeça em meu ombro. Viro levemente meu rosto, encostando-o no dele.
― Uau! ― Ouço a voz de Patrícia, que também não esconde a admiração ao ver o mar pela primeira vez.
― Lindo, né? ― Agora é minha cunhada que desliza em sua cadeira de rodas pela varanda.
Por fim, os pais de Guilherme juntam-se a nós em um coro silencioso de admiração.
Guilherme senta-se em uma das cadeiras de descanso que estão na varanda, convidando-me a me juntar a ele. Encosto o peso do meu corpo no dele e olho tudo ao meu redor.
Estamos na casa de praia de um amigo dos pais de Guilherme, um lugar espetacular. Acabamos de chegar e viemos direto para a varanda. Alguns metros à minha esquerda, há uma escadinha que leva à praia e, abaixo de nós, eu posso ver a areia branca que se estende até se encontrar com a água do mar.
Fecho os olhos e inspiro profundamente. O ar que enche os meus pulmões parece soprar também em minha mente, revigorando meus pensamentos e reavivando minhas memórias.
Há cerca de um ano, eu sofri um acidente. Um acidente que mudou tudo.
Foi assim que Guilherme entrou em minha vida. Um pequeno sorriso se forma em meu rosto quando me lembro dele escondido atrás do arranjo de flores no quarto do hospital.
Uma a uma, lembranças de como Guilherme foi ganhando espaço em minha vida começam a surgir, culminando na noite em que ele tocou violão e balançou minhas estruturas.
― Vai cantar de novo para mim? ― Pergunto ainda de olhos fechados, recostada nele.
― Vou, meu amor ― ele sussurra e eu sinto um arrepio começar na ponta dos dedos e percorrer minha perna direita, livre há alguns meses da haste metálica.
― Vou dar um jeito de fazer uma fogueira antes que fique totalmente escuro ― o pai de Guilherme diz, indo em direção à praia.
― Vou colocar a comida na geladeira senão passaremos fome essa semana. ― Dona Marta também se retira.
― Não se preocupe, Anne, não seremos solitárias essa semana. Nos faremos companhia. ― Patrícia coloca a mão no ombro de Anne, expressando apoio, já que as duas estão sem seus namorados.
― Acho bom mesmo, senão vou morrer de tédio. Aqui não pega sinal de celular.
― O quê? Tá brincando? Como eu vou falar com o André?
― Vai ter que subir em alguma palmeira por aí. ― Anne começa a rir.
― Não sei por que está rindo de mim. Você também não vai poder falar com seu grudezinho.
― Ah, Pati, não fala assim do George. O Gui e a Lara são muito mais melosos que nós dois.
― Eiiii ― Guilherme reclama e eu apenas sorrio enquanto eles discutem para quem vai o troféu de casal mais meloso.
Patrícia e André estão em um namoro firme. Alguns atritos eventualmente fazem os dois brigarem feio, o que é normal, já que ambos são muito intensos. Patrícia chora e fala que nunca mais vai olhar na cara dele, mas no dia seguinte se desespera com medo de perdê-lo. O Gui fala que André é da mesma forma: chega bufando de raiva no escritório pela manhã e à tarde não aguenta a saudade e procura a Patrícia.
Já Anne e George são um casal bem diferente da Pati e do André. Nunca os vi brigando. George é adorado pelos pais da Anne e nem é difícil descobrir o motivo: ele trata Annelise como se ela fosse uma princesa. Faz tudo o que está ao seu alcance por Anne, que também retribui à altura a devoção dele. Acho que aquela velha história do “foram feitos um para o outro” encaixa-se bem no perfil dos dois.
Eu também me dou muito bem com os pais de Guilherme. Dona Marta é excepcional e o humor de Anne e Gui, com certeza, foi herdado de Alexander. Meu relacionamento com o Gui melhora a cada dia. Ele me ajudou em todas as etapas da minha recuperação, antes mesmo de namorarmos, e continuou me acompanhando em grande parte das sessões de fisioterapia. E ele continua me apoiando agora que voltei a estudar.
Ah, sim! Patrícia, Anne e eu voltamos a estudar. Estudamos na mesma faculdade, mas cada uma faz um curso distinto: Anne vai terminar Direito, Patrícia escolheu Psicologia e eu, Letras. Confesso que os intervalos são a melhor parte, já que é o horário em que nós três nos encontramos e podemos rir das tragédias e comédias acontecidas na sala de aula de cada uma de nós.
Algumas vezes, nossos namorados aparecem por lá e nos fazem perder uma ou outra aula.
O sol vai embora e uma noite clara e fresca nasce. Guilherme termina de ajudar seu pai a colocar as cadeiras ao redor da fogueira e nós descemos para a praia. Sinto a mornidão da areia sob meus pés descalços enquanto caminho até uma das cadeiras.
Guilherme carrega Anne no colo e seu pai posiciona a cadeira de rodas entre as demais cadeiras.
― Pode colocar meus pés na areia, maninho? ― Annelise pede enquanto olha para o chão.
Com cuidado, Guilherme coloca os pés de Anne, também descalços, na areia. Ela dá um sorriso triste enquanto ainda olha para o chão.
― Coloca um pouco de areia em minha mão?
Gui enche uma das mãos de Annelise com a areia que recolhe.
― Está morna. ― Ela ainda sustenta o sorriso melancólico.
Annelise respira fundo e volta seus olhos para o mar que, aos poucos, torna-se negro.
― Era a minha parte favorita. Caminhar na beira da praia sentindo a areia e a água…
É a primeira vez que Anne volta à praia após o acidente e é impossível não me emocionar vendo a areia escorrendo entre seus dedos.
Acredito que, pelo silêncio que se seguiu, todos também se emocionaram.
Nós nos Sentamos ao redor da fogueira e uma bandeja com petiscos é passada de mão em mão, enquanto começamos a conversar. As chamas dançam de um lado para outro sempre que são atingidas pelo vento que vem do mar. O barulho da água é forte e relaxante ao mesmo tempo.
Dona Marta passa a bandeja cheia de frios para o marido e diz:
― Precisamos viajar mais, Alexander. Olha só que maravilha a família reunida.
― A Pati de intrusa ― Annelise brinca.
― Intrusa nada. Eu sou o diferencial para qualquer passeio. Deixo tudo mais divertido ― Patrícia se finge de ofendida e logo depois faz bico. ― Mas confesso que sem o André fica difícil…
― É só por uma semana, amiga ― consolo-a.
― O escritório não podia ficar sozinho, Patrícia. Ele está cuidando das coisas por nós ― Guilherme diz e seu pai aproveita a deixa:
― Espero que o prédio não tenha desabado quando voltarmos.
― Ôôôô, Seu Alexander! O senhor estará mais rico ainda quando voltarmos.
Um coro de risadas é ouvido e Alexander e Guilherme começam a contar situações engraçadas em que André já havia se metido. Pati ouve atentamente, gargalhando a cada nova história contada. Anne também sorri e tece alguns comentários de tempos em tempos e Dona Marta tem um olhar orgulhoso que diz “tenho uma família linda”.
Eu estou aqui, mas é como se assistisse tudo de fora tamanha a felicidade que sinto. Junto dessas pessoas que eu amo, a felicidade é palpável e sinto falta da minha mãe. Queria que ela estivesse desfrutando conosco desse momento, desse lugar, mas ela não pôde se ausentar do trabalho. Meu consolo é saber que ela está feliz como nunca: meu fisioterapeuta, o Dr. Amaro, um senhor de meia-idade charmoso e viúvo, encantou-se com minha mãe e o romance foi crescendo à medida que eu voltava para as sessões. Vê-la feliz, me deixa ainda mais feliz.
Guilherme pega o violão, posiciona-o e pede sugestões. Ele é inundado por uma chuva de nomes de músicas e começa a cantar uma delas, sendo acompanhado por um coro desafinado, formado pelas demais pessoas. É bem engraçado, cantamos apenas para nos divertir e, sempre que o refrão de alguma música chega, nossas vozes se erguem e se distanciam pela praia afora.
Uma das músicas tocadas me faz lembrar de Rafael, pois era uma de suas favoritas. Impossível não tentar imaginar como ele está atualmente. Há algum tempo, Rafael foi capa de uma importante revista sobre empreendedorismo. Foi a última vez que tive notícias dele.
Rafael aparecia na foto vestido com terno e gravata, braços cruzados e um grande sorriso no rosto. Ele conquistou o cargo que sempre almejou e estava sendo bem-sucedido nesse cargo. O repórter perguntou algo sobre conciliar vida pessoal e trabalho e Rafael respondeu, brevemente, dizendo que estava em uma fase na qual seu foco era apenas o trabalho.
Acredito que Rafael irá, de fato, se dedicar durante um determinado tempo apenas ao trabalho, mas em breve, alguém entrará em sua vida. Ele é um homem bonito, inteligente e também há muitas mulheres assim no meio empresarial. Sei que ele encontrará um grande amor.
A bandeja continua sendo passada de mão em mão, seguindo o círculo das cadeiras e ficamos sentados ao redor do fogo mais algumas hora nos divertindo, contando histórias, falando sobre o passado e sobre o futuro.
― Acho que vou entrar, tomar um banho e dormir. A viagem foi cansativa ― Dona Marta diz assim que o fogo começa a se extinguir. ― Vamos, amor?
― Vamos, sim.
― Também preciso de um banho. Vamos, Pati?
― Vamos. Preciso desesperadamente de uma cama.
Guilherme me dá um beijo no rosto e levanta-se, dizendo que ajudará a irmã e logo voltará. Patrícia e eu ficamos sentadas sozinhas.
― Feliz, amiga? ― Ela me pergunta.
― E como não estaria?
― Quem diria que a vida seria boa conosco, não é?
Sorrio para minha amiga, que se levanta e entra assim que Guilherme volta. Ele traz uma toalha pendurada nos ombros, pega o violão com uma mão e, com a outra, me puxa para mais próximo do mar.
Guilherme joga a toalha sobre a areia e nos sentamos. Ele tenta encontrar uma posição boa para tocar, e, assim que consegue, pigarreia.
― Cantar para você me deixa nervoso.
― Não deveria. Você canta tão bem.
― Você me deixa nervoso. É impossível te olhar e não me sentir um adolescente apaixonado.
Ele abre aquele sorriso arrebatador e seus dedos começam a tocar as cordas do violão, produzindo o som de uma canção conhecida. Meu namorado respira fundo, fecha os olhos e começa a cantar ainda sem abri-los.
Quando chega ao refrão, seus olhos se abrem ele me olha com carinho.
“Cause it's you and me and all of the people
(Porque somos você e eu, e todas as pessoas)
With nothing to do, nothing to lose
(Nada a fazer, nada a perder)
And it's you and me and all of the people and
(E somos você e eu, e todas as pessoas e)
I don't know why I can't keep my eyes off of you”
(Eu não sei por que, eu não consigo tirar meus olhos de você.)
Guilherme para de cantar após o refrão, mas continua me olhando.
― Eu já te falei que percebi que estava me apaixonando por você enquanto cantava essa música?
― Algumas vezes… ― Sorrio, lembrando das centenas de vezes em que conversamos sobre isso, repassando os detalhes de como nos apaixonamos.
Ele coloca o violão na areia e continua:
― Já falei que quando eu te via precisava me controlar para não te beijar e dizer o que eu sentia?
― Algumas vezes… ― Mantenho o sorriso enquanto me delicio ouvindo-o.
Guilherme acaricia meu rosto antes de fazer a próxima pergunta.
― Já falei que eu amo você?
Foi a primeira vez que ouvi essa frase. Guilherme é extremamente carinhoso, mas não é do tipo que fala sobre sentimentos sem ter plena convicção do que sente. Isso me balança ainda mais, pois eu sei que não são meras palavras, algo saído da boca para fora. É pra valer.
― Foi a primeira vez... ― respondo, ainda surpresa pela declaração. Ele continua afagando meu rosto.
― Sei que as palavras soam clichês, mas você me completa, Lara. Eu me sinto feliz e orgulhoso por estar ao seu lado.
Continuo presa ao olhar daquele homem que mudou minha vida, me transformando em uma pessoa melhor, me fazendo sonhar e acreditar nos meus sonhos. Ele é que havia me completado, eu é que me sinto orgulhosa e feliz ao lado dele.
― Queria conseguir definir tudo o que eu sinto por você, Gui. Graças a você, hoje eu sei o que é a felicidade.
― Acredito que a razão para que as pessoas digam “eu te amo” umas às outras é que o que elas sentem é tão intenso, tão complexo, tão grandioso, que seria complicado demais definir. “Eu te amo” é uma frase que resume tudo dentro de cada palavra: a vontade de estar sempre junto, de cuidar, de apreciar, de ouvir, de partilhar… de passar o resto da vida ao lado ― ele diz, com aquele ar de advogado defendendo uma causa, porém com um tom de voz baixo e doce. ― É assim que eu me sinto, amor.
― É assim que você se sente? Com vontade de passar o resto da vida ao meu lado? ― Pergunto, ansiando desfrutar mais um pouco do que ele acabou de dizer.
― É bem assim! E você? Como se sente?
― Como se tudo que eu sinto não coubesse no meu coração e eu também precisasse resumir usando uma frase: eu também te amo, Gui.
Vejo aquele sorriso lindo crescer no rosto dele após ouvir, também pela primeira vez, essa declaração.
― Você também me ama? ― Ele pergunta e me beija antes que eu repita.
Posso sentir que ele sorri enquanto me beija e isso é uma das minhas coisas favoritas nele. Guilherme faz cada beijo ser especial, ele faz com que cada momento nosso seja único.
― Amo ― respondo assim que ele afasta os lábios dos meus.
― O suficiente?
― O suficiente para o quê? ― Pergunto, sem entender.
― O suficiente para passar o restante da sua vida ao meu lado.
Dou um pequeno sorriso e me pergunto se ele percebeu como sua frase havia soado como um pedido de casamento.
― Amo o suficiente para passar cada segundo, de cada minuto, de cada hora, de cada dia ao seu lado. ― Dou um selinho nos lábios sorridentes dele.
― Então… ― Guilherme se mexe e tira do bolso de sua bermuda uma caixinha. Ele a abre diante dos meus olhos atônitos e eu vejo, sob a clara luz da lua, duas lindas alianças douradas. ― Eu quero que você passe cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia da sua vida ao meu lado. Eu quero estar ao seu lado sempre. Quero poder chamá-la de minha esposa.
Ele está me pedindo em casamento!
Meus olhos começam a se encher de lágrimas, de alegria dessa vez, e minha voz fica presa em minha garganta.
― Eu pedi a bênção à sua mãe e ela disse que ficaria muito feliz em ser minha sogra. ― Ele ri. ― Sei que talvez seja cedo, Lara. Não precisamos nos casar amanhã ou no mês que vem. Se você achar melhor, podemos esperar mais, nos preparar… você escolhe. Tudo que eu quero é selar um compromisso. Quero poder acordar todo dia, sabendo que, a cada dia que passa, eu estou mais perto de me tornar seu marido. Você aceita ser minha noiva e futura esposa?
Deixo escapar um soluço e, após ele, diversas lágrimas. O que eu sinto nesse momento, literalmente, não cabe dentro de mim e transborda em forma de lágrimas de alegria.
― É claro que aceito! Caso com você amanhã, caso com você no mês que vem, caso com você agora mesmo, se você quiser!
― Não tem nenhum cartório aberto agora, amor. ― Ele brinca, fazendo carinha de tristeza.
Eu o abraço com toda a força que há em mim e o beijo em seguida.
Não é cedo demais para nos casarmos, não mais.
Desde que o conheci, eu mudei, eu cresci. Já não sou a mesma Lara, receosa de envelhecer sozinha, com medo de dizer “não” e me arrepender mais tarde. Hoje eu sei quem sou e estou satisfeita comigo mesma.
Se Guilherme e eu terminássemos nosso relacionamento, posso afirmar com toda convicção que, embora eu sofresse muito, iria erguer a cabeça e continuar seguindo em frente. Meus medos não me paralisam mais, meus temores não fazem as escolhas por mim.
E grande parte das lições que aprendi no último ano foram ensinadas por Guilherme.
Certa vez Patrícia me disse que Guilherme me deu asas. Na época eu não entendi muito bem, mas hoje eu entendo perfeitamente. Ao lado dele eu cresço cada vez mais. Se ela repetisse essa frase para mim hoje, eu diria que eu sempre tive asas, mas foi o Guilherme que me ensinou a ter confiança em mim mesma para levantar o primeiro voo.
Por isso, quando respondi que me casaria com ele, eu disse com toda a sinceridade que pode existir em um coração.
― Não há mais nada que eu queira tanto quanto passar toda a minha vida com você, Guilherme.
Ele tira a aliança menor da caixinha, coloca-a solenemente em meu dedo e, então, beija minha mão inúmeras vezes. Faço a mesma coisa com a sua aliança. Por fim, ele vira-se para trás, solta um assovio alto e grita:
― Ela aceitou!!!
Olho para trás e vejo que todos estão na varanda gritando e também assoviando.
Começamos a andar abraçados em direção à casa enquanto o pai de Guilherme desce com algo nas mãos. Ele se dirige para o lado esquerdo da praia, fixa um objeto no chão e só quando vejo a pequena chama do isqueiro entendo que são fogos de artifício.
Alexander acende os fogos e corre novamente para a casa. Guilherme e eu paramos na metade do caminho para observar as luzes e efeitos que iluminam o céu.
Enquanto as luzes iluminam o céu, baixo o olhar para a aliança em meu dedo conferindo-a por um instante e imagino o que a vida está reservando para o futuro.
Naquela fatídica manhã em que as lágrimas nublavam minha visão e eu pisei na faixa de pedestres sem me certificar antes se o sinaleiro estava vermelho ou não, eu não fazia ideia de que, cerca de um ano após o acidente, eu estaria noiva do homem que me atropelou, contemplando fogos de artifício na beira de uma praia semideserta.
Eu nunca teria imaginado que dois passos dados na hora errada fariam o ponteiro da minha bússola mudar de direção, me conduzindo para outro rumo. Para um caminho melhor.
Para algumas pessoas, a mudança virá após uma longa jornada percorrida lentamente. Um passo de cada vez.
Para mim, bastaram apenas dois passos.
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Ainda temos bônus e epílogo, mas já estou sentindo saudades de vcs😢
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Dois Passos
RomantikDois passos. 5 segundos. Um atropelamento. Com um galo na testa, a perna quebrada e o coração partido, Lara se vê obrigada a passar o final de semana, que deveria ser perfeito, em uma cama de hospital, vendo todas as tentativas de salvar seu relacio...
