Capítulo 17 - Guilherme

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Uma gota no oceano

Uma mudança no tempo

Eu estava rezando

Para que você e eu

Terminássemos juntos

(...)

(A Drop In The Ocean - Ron Pope)


Não consigo conter o sorriso que insiste em permanecer em meu rosto quando os lábios de Lara encontram os meus. Eu vacilo por um segundo antes de beijá-la. Vacilo porque ainda não acredito que seja real. Vacilo porque eu quero aproveitar cada fração de segundo desse momento.

A minha insistência em não tirá-la da minha vida só fez esse sentimento crescer. Eu passei a procurar pretextos para falar com ela. Lara passou a ser o meu primeiro pensamento pela manhã e minha última imagem ao fechar os olhos antes de dormir. Confesso que não me sentia assim desde que era apenas um adolescente.

Quando Annelise me pedia para levá-la à casa de Lara ou trazê-la à nossa casa, eu não hesitava. Era o pouco que eu podia ter e esses breves momentos ao lado dela ainda eram o suficiente para mim.

Mas o coração não costuma se conformar com pouco e, a cada dia que passava, a ausência dela começou a me afetar além do que eu esperava. Em contrapartida, estar perto de Lara sem poder dizer o que eu estava sentindo me consumia lentamente.

Quando Annelise me pediu para trazer os filmes, por mais que eu quisesse vê-la mais do que tudo, eu me sentia tão abatido que não sei de onde tirei forças para chegar até aqui.

Não consegui deixá-la sozinha por causa da chuva, mas estar perto dela desse jeito estava me matando aos poucos. Tentei concentrar minha atenção em algum outro ponto, tentei não olhá-la. Foi em vão. Tentei reprimir meus sentimentos antes que eu fizesse alguma besteira, mas ela não se esquivou. Ela não me reprimiu, não fugiu. Pelo contrário, ela aproximou seu rosto do meu e me fez perder os resquícios de sanidade que ainda me restavam.

Ela encostou sua boca na minha e eu soube naquele momento que assim como eu, Lara também queria esse beijo.

Como não sorrir sentindo que você também é desejado pela pessoa pela qual está apaixonado? Nesse momento, os meus medos se foram. Não tive receio de ser rejeitado, não tive medo de que ela me visse apenas como um amigo. Nada, nada me importava.

Como eu sonhei com isso. Eu a tenho tão perto de mim que não sinto apenas o seu perfume, sinto o cheiro de sua pele.

Beijo-a com intensidade, um beijo arrebatador, carregado de vontade. Eu quero rir, quero abraçá-la e mantê-la aqui entre meus braços, quero dizer que eu estou apaixonado. Diminuo a intensidade do beijo e passo a acariciar seu cabelo enquanto me pergunto se estou realmente acordado.

Não tenho a intenção de parar de beijá-la. Eu poderia ficar aqui a noite toda e ela também continua totalmente entregue, mas o toque do meu celular nos tira do transe e ela se afasta bruscamente.

Olho para ela, assustado, vendo, para o meu desespero, a realidade voltar a tomar conta da situação. Lara cobre os lábios com uma das mãos e parece ficar em choque. Meu celular continua tocando insistentemente e, ao ver que é minha mãe, decido atender. Me levanto e me aproximo da porta da sala.

― Alô?

― Gui? Tudo bem, filho? Estamos preocupados. Onde você está? Pegou essa chuva?

― Desculpa, mãe, esqueci de ligar avisando. Vim deixar os filmes com a Lara, mas a chuva caiu antes que eu voltasse.

Dois PassosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora