Eu já não me lembro mais de quantas histórias te contei
Do quanto eu te amei
De todos os meus sonhos
Quantas vezes te telefonei
Pra te emprestar meu coração
E pra chorar contigo
Me alegrar com teu sorriso.
(Enquanto houver o sol - Eyshila e Fernanda Brum).
Aperto o botão que encerra a ligação e observo as horas no visor do meu celular. É começo de noite.
Rafael acabou de ligar avisando que não nos veríamos hoje. Porém, queria compensar o jantar que eu estava preparando no dia do meu acidente e, para isso, me levaria para jantar fora no sábado.
Não gosto muito da ideia, não é muito agradável sair de muletas, principalmente quando o restaurante é um lugar refinado. Eu ficaria feliz em ir até a lanchonete fast-food mais próxima, sentar em uma das mesas e observar o movimento. Seria menos constrangedor do que ir a um restaurante fino.
Na verdade, eu ficaria satisfeita em lanchar em um banco de praça. Fico nostálgica ao me lembrar da tarde que passei junto a Guilherme no parque. Não falo com ele e com Anne desde terça, a noite que saímos todos juntos.
Sinto um aperto no coração ao me recordar que ele disse que sairia com a ex-namorada qualquer dia desses e entro no menu de mensagens do meu aparelho para reler as mensagens que trocamos.
Ao mesmo tempo em que sorrio lendo os textos, sei que tenho o semblante triste. Eu sinto falta dele. Sinto falta de ouvir a sua voz, sinto falta de sentir o perfume dele tomar conta do ambiente sempre que ele chega, sinto falta de vê-lo passando a mão no cabelo daquele jeito único.
Vejo as letras das mensagens ficarem embaçadas na minha frente, meus olhos estão cheios de água. Era só o que faltava! Sinto tanta a falta dele que tenho vontade de chorar. De repente, lembro da conversa com Patrícia ontem ao telefone, das perguntas que fiz a ela:
"Você sente um frio na barriga quando o vê?"
"Seu coração acelera quando pensa nele?"
"Quando seu telefone toca e você vê que é ligação ou mensagem dele, você sorri sozinha?"
Tomo coragem e faço a mim mesma, mentalmente, cada uma dessas perguntas. Sem pensar duas vezes, respondo sim a todas elas e ainda poderia acrescentar mais coisas: eu sinto a falta dele o tempo todo, penso nele a cada momento, passo o dia esperando que ele mande uma mensagem ou apareça de surpresa, como costumava fazer.
Eu sei que poderia continuar minha lista mental, mas prefiro parar por aqui e assumir para mim mesma, de uma vez por todas, que sim, para mim também a palavra é essa: eu estou apaixonada por Guilherme.
Em um ato de desespero procuro no meu celular uma foto de Rafael. Preciso confrontar meus sentimentos. Encontro uma imagem de nós dois juntos, de uma época em que éramos felizes. O carinho que eu sinto por ele é palpável; está diante dos meus olhos. Ele é um homem maravilhoso, sempre foi muito bom para mim. Sinto meu coração aquecer dentro do meu peito, mas é só isso, nada além disso.
Uma lágrima escapole e eu a enxugo rapidamente quando ouço minha mãe gritar da cozinha:
― Lara, vai querer jantar?
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Dois Passos
RomanceDois passos. 5 segundos. Um atropelamento. Com um galo na testa, a perna quebrada e o coração partido, Lara se vê obrigada a passar o final de semana, que deveria ser perfeito, em uma cama de hospital, vendo todas as tentativas de salvar seu relacio...
