Capítulo narrado pelo Guilherme, gente.
=)
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Como é que nós nunca nos aproximamos quando todas as estrelas estavam alinhadas?
(...)
Nada mudou porque eu ainda sou realidade e ela é ficção
Ou eu, talvez, seja imperfeitamente formado nessa contradição.
(Fact Fiction - Mads Langer)
Anne insiste para que Lara fique um pouco mais. Ela olha o relógio e, após constatar que já passam das 19h, diz que não quer abusar da boa vontade de ninguém. Ela não está abusando, a tarde foi ótima e tenho certeza de que a noite também seria, mas não insisto. Talvez ela queira apenas ir para casa descansar um pouco.
― Você podia voltar mais vezes, o dia foi ótimo ― Annelise diz.
― Obrigada, Anne ― ela responde, sentindo liberdade para chamar minha irmã pelo apelido. ― É só convidar que eu venho. Acho que consigo explicar ao taxista como chegar aqui.
― Táxi? Não senhora ― Anne interrompe. ― Vamos marcar de novo e o Gui traz você, não traz? ― Ela me dá um olhar inquisidor. Não seria sacrifício nenhum trazer Lara aqui.
― Claro que sim! Basta as madames me avisarem ― respondo, gostando sinceramente do fato de Lara e minha irmã terem se dado bem. ― Vamos? Vou devolver você.
Lara sorri e há algo nesse sorriso, algo que não consigo definir, mas que começou a mexer comigo.
Depois que Lara se despede de todos, empurro a cadeira de rodas até o carro e, outra vez, ajudo-a a subir. Para mim não é uma tarefa chata ou difícil. Gosto de fazer isso, pois cada vez que ela se apoia no meu ombro, consigo sentir o cheiro que ela exala: uma mistura cítrica e adocicada.
Coloco a cadeira de rodas na carroceria e entro.
― Gostou da tarde, Lara?
― Muito! Uma das melhores que já tive ― ela responde e parece ser sincera.
Contemplo mais um pouco o sorriso em seu rosto, tentando imaginar o que se passa na cabeça dela.
Desde que a conheci, é assim: quando me dou conta, estou observando-a minuciosamente, tentando adivinhar seus pensamentos. Algumas vezes, a expressão em seu rosto é um enigma e me perco tentando ler seu semblante para entendê-la melhor.
Lara abaixa a cabeça, desconcertada pelo meu olhar insistente, e ajeita o vestido. Dou marcha à ré e logo ganho a rua.
Com um olhar rápido vejo como a noite está bonita e uma ideia me ocorre.
― Lara?
― Sim?
― Antes de te levar para casa, posso te levar a outro lugar?
Eu não sei explicar o motivo, simplesmente não quero que o dia termine, quero prolongá-lo o máximo que consigo. Cada vez que preciso me despedir de Lara, sou invadido por um receio, um medo bobo: medo de não vê-la mais.
A primeira vez que me encontrei com Lara no hospital, toda aquela situação com as flores e com Patrícia foi engraçada, mas percebi, instantaneamente, que Lara não estava bem.
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Dois Passos
RomanceDois passos. 5 segundos. Um atropelamento. Com um galo na testa, a perna quebrada e o coração partido, Lara se vê obrigada a passar o final de semana, que deveria ser perfeito, em uma cama de hospital, vendo todas as tentativas de salvar seu relacio...
