Capítulo 15 - Patrícia

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Faz um pacto comigo

Ninguém entra, ninguém sai

Meu amor eu não desisto

Se eu ainda tenho chances de vencer

Rolam os dados, quem pode prever?

Mexem as cartas do amor

Pode ser blefe, mas eu quero ver

Você pagando pra ver

(...)

Eu vou tentar de novo

Eu vou jogar seu jogo

Assim, só prá ter você

Eu vou tentar de tudo

Eu vou mudar seu mundo

Então, só prá ter você

Eu vou tentar de novo

Eu vou jogar seu jogo

Até eu ganhar você

(O Jogo -MarjorieEstiano)


São 8h da manhã de segunda-feira e a fila de pessoas esperando atendimento é razoavelmente grande. Glorinha e eu estamos a mil recebendo os "potinhos premiados", entregando resultados de exames e fazendo as demais atividades rotineiras.

Estou de cabeça baixa, anotando algo na ficha de uma senhora quando começo a ouvir um som familiar:

― Com licença, com licença, sou amigo da moça do balcão.

Ergo a cabeça e vejo André se aproximando, abrindo espaço entre as pessoas na fila até chegar onde estou.

― Bom dia, Pati. ― Ele abre um largo sorriso. Eu fecho a cara.

― O final da fila é logo ali. ― Aponto.

― Eu sei, mas não vim fazer exame nenhum.

― Isso aqui é um laboratório, André. Se quiser comprar pão de queijo, deveria tentar a padaria.

― Eu sei, meu anjo, mas o único exame que eu preciso fazer é um eletrocardiograma. Assim, eu poderia te mostrar como meu coração bate descompassado perto de você. ― Ótimo, as cantadas infames recomeçaram.

― O que você quer, André?

― Sair com você.

― Sem chance. ― A senhorinha que estou atendendo começa a ficar interessada.

― Uma saída, Patrícia. Uma saída e eu paro de te perturbar.

― Sem chance. ― Volto a escrever. ― E agora, se me der licença, preciso trabalhar.

― Não saio daqui enquanto não ouvir um sim. ― O pessoal da fila está divido. Uns fazem cara feia, outros estão interessadíssimos no assunto.

― Vai ficar o dia inteiro aí, então.

― Eu fico. Só que vou ficar conversando com você. E vou ficar conversando com o pessoal da fila também. Tudo bem com a senhora? ― Ele puxa assunto com a idosa.

― Tudo bem, meu rapaz. ― Ela parece uma daquelas vovós simpáticas que apresentam programas de culinária.

― A senhora acredita que eu estou apaixonado, mas ela não me corresponde? ― O quê? Ele ficou doido?

Dois PassosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora