Capítulo 13 - LARA

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Mas, de alguma forma, sinto que deveria me desculpar

Porque estou um pouco transtornado

Com o que está acontecendo aqui dentro. "

(I should go - Levi Kreis)


Não tive uma boa noite de sono. A perna latejou a maior parte do tempo e, agora que acordei, ainda sinto dor. Acho que deveria ter mantido o repouso em vez de sair por aí com o Guilherme. Além da dor na perna, consegui bagunçar meus sentimentos.

Resolvo ficar na cama um tempo, pensando nos últimos acontecimentos. Rafael voltou e eu estou me sentindo estranha. Deveria estar mais feliz, afinal, ele falou que as coisas vão mudar, mas essa sensação estúpida no fundinho da barriga não vai embora.

Admito que ver o Guilherme cantando mexeu comigo, mas, pensando bem, pode ter sido a música e o momento. Música tem esse poder de mexer com a alma, não tem? Eu não deveria dar tanta importância a esse fato. Isso vai só bagunçar mais ainda a minha cabeça e ah, quer saber? É isso mesmo que vou fazer: enfiar na minha cabeça que foi apenas a emoção do momento.

Além do mais, eu sei que toda a gentileza dele comigo é por causa do acidente da irmã dele.

Levanto-me com dificuldade, chego até o sofá e me sento. Minha mãe vem até mim com uma carinha de preocupada.

― Como passou a noite, meu bem?

― Não muito bem. Senti bastante dor.

― Está tomando os remédios direitinho?

― Estou, mãe. Mas acho que foi porque exagerei ontem.

― Exagerou? O que andou fazendo?

― Saí com o Guilherme na parte da tarde.

Minha mãe me dá um daqueles olhares repreensores que só as mães conseguem dar e eu me preparo para ouvir o sermão da montanha.

― Deveria ficar em casa e movimentar a perna o mínimo possível, Lara.

― Eu sei, mãe. Mas estava entediada. Ficar aqui sozinha, sem fazer nada, é chato.

Seu olhar é repreensor e carinhoso ao mesmo tempo.

― O que vocês dois fizeram?

― Ele me levou para conhecer a família dele.

―Hummm... ― Vejo no rosto dela uma expressão pensativa.

― Ele tem uma irmã paraplégica. A senhora sabia?

― Não, minha filha. ― Ela parece surpresa. ― Ele nunca comentou. Foi acidente?

― Sim. Ela estava de moto e um carro bateu nela. É uma moça muito alegre, uma pessoa sem igual. Gostei muito de conhecê-la.

― Pelo visto, fez uma nova amizade. E o Guilherme como vai?

― Está bem.

Ela vai até a cozinha buscar uma fruta e um copo de suco para mim.

― E os seus horários de trabalho, mãe? Já estão regularizados?

― Já, filha. Vou voltar a fazer o horário padrão agora.

Dois PassosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora