Mas, de alguma forma, sinto que deveria me desculpar
Porque estou um pouco transtornado
Com o que está acontecendo aqui dentro. "
(I should go - Levi Kreis)
Não tive uma boa noite de sono. A perna latejou a maior parte do tempo e, agora que acordei, ainda sinto dor. Acho que deveria ter mantido o repouso em vez de sair por aí com o Guilherme. Além da dor na perna, consegui bagunçar meus sentimentos.
Resolvo ficar na cama um tempo, pensando nos últimos acontecimentos. Rafael voltou e eu estou me sentindo estranha. Deveria estar mais feliz, afinal, ele falou que as coisas vão mudar, mas essa sensação estúpida no fundinho da barriga não vai embora.
Admito que ver o Guilherme cantando mexeu comigo, mas, pensando bem, pode ter sido a música e o momento. Música tem esse poder de mexer com a alma, não tem? Eu não deveria dar tanta importância a esse fato. Isso vai só bagunçar mais ainda a minha cabeça e ah, quer saber? É isso mesmo que vou fazer: enfiar na minha cabeça que foi apenas a emoção do momento.
Além do mais, eu sei que toda a gentileza dele comigo é por causa do acidente da irmã dele.
Levanto-me com dificuldade, chego até o sofá e me sento. Minha mãe vem até mim com uma carinha de preocupada.
― Como passou a noite, meu bem?
― Não muito bem. Senti bastante dor.
― Está tomando os remédios direitinho?
― Estou, mãe. Mas acho que foi porque exagerei ontem.
― Exagerou? O que andou fazendo?
― Saí com o Guilherme na parte da tarde.
Minha mãe me dá um daqueles olhares repreensores que só as mães conseguem dar e eu me preparo para ouvir o sermão da montanha.
― Deveria ficar em casa e movimentar a perna o mínimo possível, Lara.
― Eu sei, mãe. Mas estava entediada. Ficar aqui sozinha, sem fazer nada, é chato.
Seu olhar é repreensor e carinhoso ao mesmo tempo.
― O que vocês dois fizeram?
― Ele me levou para conhecer a família dele.
―Hummm... ― Vejo no rosto dela uma expressão pensativa.
― Ele tem uma irmã paraplégica. A senhora sabia?
― Não, minha filha. ― Ela parece surpresa. ― Ele nunca comentou. Foi acidente?
― Sim. Ela estava de moto e um carro bateu nela. É uma moça muito alegre, uma pessoa sem igual. Gostei muito de conhecê-la.
― Pelo visto, fez uma nova amizade. E o Guilherme como vai?
― Está bem.
Ela vai até a cozinha buscar uma fruta e um copo de suco para mim.
― E os seus horários de trabalho, mãe? Já estão regularizados?
― Já, filha. Vou voltar a fazer o horário padrão agora.
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Dois Passos
RomansaDois passos. 5 segundos. Um atropelamento. Com um galo na testa, a perna quebrada e o coração partido, Lara se vê obrigada a passar o final de semana, que deveria ser perfeito, em uma cama de hospital, vendo todas as tentativas de salvar seu relacio...
