- Ainda não acredito que você vai me abandonar. - Emile diz fazendo bico.
Eu voltei de São Paulo hoje pela manhã e tínhamos marcado pra assistir um filme, e é isso que estamos tentando fazer.
- Mi, eu não vou te abandonar. Vou vim te visitar sempre que der. - digo abraçando ela de lado no sofá.
- Primeiro você me trocou pela Manu e agora pelo Gustavo. - finge estar chateada, mas eu sei que no fundo ela está torcendo por mim.
Conto a ela sobre nossa casa e sobre o casamento surpresa.
Ela ignorou completamente sobre a casa e fez um comentário zombeteiro sobre fazer um casamento surpresa. Eu sei que é difícil para ela conversar sobre nos separarmos, ela até aceitou que o Gustavo viesse morar aqui e ela com o Rafa, mas não é a mesma coisa que mudar de estado.
- Vocês não cansam dessas surpresas? Quem já viu casamento surpresa? - zoa e eu rio.
- Vai ser incrível e eu quero que você e o Rafa sejam nossos padrinhos.
- Fazer o que né? Ta na chuva é pra se molhar. - revira os olhos e eu meto a almofada nela.
- Não fala assim do meu casamento. - resmungo.
- Você sabe que eu estou brincando, né? Eu te desejo o melhor e que vocês sejam muitos felizes. – toca na minha barriga. – Mesmo que pra isso tenha que ficar tão longe de mim. – fico emocionada e uma lágrima escorre dos meus olhos.
Se eu pudesse escolher, eu não me mudaria, mas não posso deixar Gustavo perder uma oportunidade dessa e também não posso ficar longe. Então essa foi a melhor decisão.
- Vou estar longe, mas sempre vou estar perto. Te amo Mi. - beijo seu rosto.
Escolhemos uma comédia romântica e ficamos deitadas assistindo o filme "a verdade nua e crua". Rimos bastante com os protagonistas.
O celular toca, aparecendo a foto do meu futuro marido.
- Oi amor. - atendo já morrendo de saudades.
- Vamos sair à noite?
- Sair? - olho para Emile que esta fazendo sinal negativo.
Eu fico sem entender e ela pega o celular da minha mão.
- Olha aqui hoje a Cá é minha! Já basta você querer levar ela pra longe de mim. Se você aparecer aqui, vai ficar do lado de fora. - dito isso ela desliga o celular, me deixando de boca aberta.
- Nem me olha assim. - ela senta no sofá. - Vocês tem que guardar energia pra lua de mel.
- Mas ele não sabe. - retruco.
- Invente qualquer coisa, mas não pode ficar se encontrando e nem dormindo com ele até sábado, entendeu? - pergunta seria, e ai de mim se contestar. Quando Emile põe algo na cabeça, já viu!
Eu precisava organizar umas coisas para o casamento que vai ser daqui uma semana e Emile vai me ajudar.
Ligo para Clarissa para saber do Buffet, e já está tudo confirmado e aproveito e marco para nos encontrarmos daqui a meia hora na loja de noiva, para escolhermos os nossos vestidos.
Ligo para o DJ, indicado pela organizadora do Buffet e por sorte ele vai estar livre no próximo sábado.
◊◊◊◊◊
Já tinha provado vários vestidos e nenhum me coube tão bem, quanto esse último. Saio do provedor e as duas ficam estáticas, olhando aquela peça no meu corpo, me deixando sem jeito.
- Ca, esse está perfeito! - Emile fala batendo palmas.
- Concordo. Você está linda. - Clarissa completa com um sorriso largo no rosto.
Realmente aquele era O vestido. A princípio eu queria um curto e simples, mas esse está mais que perfeito. Ele também serve para casamento na praia e é muito leve combinando perfeitamente com a ocasião.
A gola vinha ate o pescoço, deixando o ombro de fora, e o tecido é todo em um bordado belíssimo, seu comprimento é até o meio das coxas e por cima tem um tecido fino e transparente, dando uma delicadeza e uma sensualidade sem igual, pois minha perna fica toda de fora.
- Vocês não acharam vulgar não? – pergunto olhando minhas coxas de fora. Gustavo vai querer me matar por isso.
- Amiga, é um casamento na praia e não esta mostrando nada demais ai. – minha amiga diz.
- Catarina desencana, vai ser seu dia, o importante é você se sentir linda. – Clarissa me dar forças. – sorrio para as duas concordando com elas.
Por fim, levamos ele, mais dois vestidos de madrinha e mãe do noivo. Afinal elas também têm que esta elegante.
Já estava tudo pronto, só faltava chegar o dia e tudo ser realizado como o esperado.
Fomos para uma lanchonete do outro lado da rua antes de voltarmos para casa. Estava pedindo um cappuccino com torradas, quando Emile chama minha atenção.
- Nada de cafeína! Não quero que meu sobrinho nasça com problemas.
- Não assuste minha nora, só não pode muito. - Clarissa me defende e eu sorrio das duas.
Já estou imaginado quando o bebe nascer.
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Hoje era quinta e por incrível que pareça faz cinco dias que não vejo Gustavo, estão me mantendo em cárcere privado. Clarissa concordou com Emile e as duas ficam me vigiando para que eu não chegue perto dele.
Segundo Rafa ele esta achando muito estranho e está desconfiado, mas Clarissa conversou com ele dizendo que eu estava muito enjoada e não queria vê-lo e que isso é bastante normal na gravidez. Pelo que conheço de Gustavo ele não engoliu essa história, mas Rafa tem ajudado bastante e tem confirmado que isso é normal mesmo.
Enfim, estava entediada, deitada na cama, quando penso em uma coisa.
- Miiiii... – chamo minha amiga e peço sua ajuda.
Terminamos duas horas depois e quando Emile ia saindo do quarto, meu celular toca e eu olho suplicante para ela, para me deixar atender.
- Apenas cinco minutos. – diz séria e sai do quarto.
Eu rio pelo seu jeito, parece mais uma velha dando uma ordem ao neto.
- Oi... – digo melosa.
- Loirinha! O que esta acontecendo? Minha mãe e aquela doida esvarrida proibiu eu te ver. – diz chateado.
- Eu sei. – digo triste e com pena. Pra mim é ate compreensível, pois eu sei o motivo disso tudo, mas ele deve estar imaginando várias coisas.
- Não vai falar o que esta havendo?
- Não posso, não agora. – minha vontade era de cancelar tudo e correr para seus braços, pois a saudade esta me matando e eu não sei até quando posso suportar. E se ele desistir de mim?
- Vou tentar entender, mas eu estou odiando tudo isso. Meu menino chora todos os dias de saudade. – seu comentário, me faz rir.
Segundos depois de ficar ouvindo sua respiração, digo.
- Eu também não vejo a hora de te encontrar e matar toda essa saudade. – estou de olhos fechados e lágrimas caem dos meus olhos e só percebo quando Emile entra no quarto. – Amor, tenho que desligar...
- Não faz isso Ca, por favor... – o interrompo.
- É necessário. Te amo. – desligo o celular sem esperar uma resposta, pois se eu continuasse era capaz de estragar tudo.
Viro de costas para Emile e ela entende que quero ficar só e sai do quarto, me deixando completamente melancólica e depressiva, e também a gravidez não ajuda.
- Sábado chegue logo, ou eu não sei do que sou capaz. – digo num sussurro para eu mesma antes de pegar no sono.
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De Repente Paixão
Storie d'amoreUm homem... Uma mulher... E uma paixão avassaladora capaz de transformar completamente suas vidas. Dois corações, que se unem e se entregam a esse amor e vivem intensamente cada momento. Teria sido amor a primeira vista? Pois bastou um olhar para m...