LEO
Enquanto eu estudava, tive uma dúvida e liguei para Sam, mas ela não atendeu. Mais tarde, liguei de novo e o resultado foi igual. Esperei por mais um tempo e, como ela não atendia, fui até seu prédio.
Quando cheguei à fachada, encontrei Pamella. Conversamos até chegarmos à porta.
- Não sei nem como agradecer por você ter me dado o telefone da Alison! O trabalho que ela faz naquela ONG é lindo, inexplicável! Muito obrigada, sério!
Eu ri e respondi:
- Não precisa agradecer, só te dei o telefone porque achei que vocês se parecem.
Ela ficou muito feliz com a comparação.
Pamella abriu a porta e começou a chamar por Sam, que não estava lá.
Ela ligou para Ryan.
Sam não estava com ele.
Começamos a ficar preocupados. Sam não estava em nenhum lugar – isso, é claro, é uma força de expressão. Ela precisa estar em algum lugar, só não é um lugar no qual espera-se que ela esteja.
Procuramos no parque, na pizzaria, ligamos para Matt e Scott; ninguém sabia onde ela estava. Toda vez que ligávamos para ela, acontecia a mesma coisa: ninguém atendia.
Foi então que me surgiu uma ideia em mente. Voltamos para o apartamento. Como eu suspeitava, as chaves do carro não estavam lá.
- Você vem comigo?
Ela concordou com a cabeça e nós dois saímos correndo em direção ao meu carro e fui o mais rápido que pude. Em parte do caminho, Pamella começou a chorar.
Eu sabia que tinha que falar alguma coisa. Mas falar, ouvir e dirigir seria demais para mim. Foquei na músicia clássica tocando ao fundo dessa confusão toda e, quando parei em um sinal, falei:
- Fica calma. O trânsito tá bom. A gente não deve demorar muito. Ela tá bem.
- Como você tem tanta certeza? Aliás, pra onde a gente tá indo?
- Eu simplesmente acredito que ela tá bem. – não respondi à outra pergunta e ela estava nervosa demais para perguntar de novo.
Depois de algum tempo, Pamella começou a se acalmar e parou de chorar. Ainda bem.
Quando chegamos, bati à porta e sua mãe a abriu. Enquanto nos cumprimentávamos, ouvi um barulho bem baixinho e vi um vulto passando pela porta dos fundos e a encostando quase que silenciosamente, na parede mais distante da qual se encontra a porta principal de entrada, do outro lado da sala.
- A Sam tá no quarto, ela não tá muito bem. Mas acho que vai ser bom receber a visita de vocês. Ainda assim, é melhor ir um de cada vez.
- Sra. Byrne, você se importa se eu for brincar com o Ben no quintal dos fundos enquanto Pamella e Sam conversam?
- Não, sem problema. Vamos, Pamella, eu te levo até o quarto dela.
Fui ao quintal dos fundos. Me preparei para ouvir o latido surpresa de Ben, mas ele não latiu.
Como eu já esperava, o vaso com os arbustos estava fora do lugar.
Passei pelo buraco e corri pelo meu antigo quintal até a árvore. Ela estava lá, na casinha, encolhida em um canto, encostada nas paredes, com a cabeça escondida entre os joelhos e chorando muito. Fechei a portinha assim que subi e ela falou, com a voz trêmula:
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Cartas para Wendy
Romance"Pessoas são como flores: não as escolhemos pelo que as torna forte, mas pelo que as torna frágeis. Assim como as pétalas das flores caem, nossas fraquezas também somem, mas isso deixa nosso núcleo exposto demais e, este precisa ser protegido por n...