Nem preciso contar como foi meu dia depois daquele acidente bizarro com aquela menina mais bizarra ainda, mas seu eu pudesse resumir, seria como passar o dia todo pensando em Jiló, eu não gosto de Jiló.
No dia seguinte como de costume fui trabalhar, dessa vez não atropelei ninguém, ainda bem por que imagina só se eu atropelo mais uma louca, não era bem o que eu queria, cheguei no trabalho rápido, pois uma coisa não mudou em relação ao dia anterior eu estava atrasada como sempre. O seu Paulo era meu patrão, um dos caras mais legais que já conheci, mas graças a ele ouvi uma séria de perguntas que davam para fazer um filme "Perguntas que não se deve fazer a uma lésbica jamais", ele já estava me esperando para fazer uma entrega a mercearia que eu trabalhava fazia parte de um condomínio de luxo e eu, fazia entrega nos apartamentos. Vendíamos de tudo desde comida até aqueles artigos básicos de cozinha de última hora que você pode precisar. E quando cheguei já tinha uma entrega a fazer.
- Bom dia Julia, como sempre atrasada, tem uma entrega no 416
- Nossa já cheguei no embalo, Bom dia Sr. Paulo.
Sr. Paulo sabia que eu era lésbica, mas ele sempre me respeitou, aliás foi o único que aceitou me contratar por que a porta bateu na minha cara umas mil vezes desde que comecei a procurar emprego sempre me perguntei o que muda no fato de uma pessoa ser homossexual quando se fala da qualidade do seu trabalho.
- Aqui está Julia, leve essa lata de ervilhas e milho no 416
- Quem pediu?
- A senhorita Alessandra, ela trouxe umas amigas da faculdade então pediu as latas para fazer um macarrão, ou algo do tipo.
- Está bem, mas eu nunca fiz entrega nesse apartamento, a moradora deve ser nova.
- Ele foi alugado a uma semana, e ela não fica muito em casa
- Ah então é hóspede nova?
- Sim, agora pare de fazer perguntas e vá logo.
Peguei o elevador como sempre com o meu mp3, música para mim era algo que embalava minha vida como nenhuma outra coisa era capaz de fazer. Finalmente cheguei ao apartamento, toquei a campainha e esperei com a caixa na mão. Demorou 15 minutos para alguém vir e quando já ia tocar novamente finalmente abriram a porta. Eu realmente fiquei estagnada, o mp3 caiu e eu não conseguia pronunciar uma palavra sequer.
- Você! Ah qual foi garota. - Eu disse em voz alta.
- Ah não acredito, você por acaso está me seguindo?
- Ah claro, porque eu não tenho nada melhor para fazer.
- Trabalha seguindo as pessoas?
- Trabalho fazendo entregas e infelizmente as latas são para você.
- Olha já que é isso, então entrega as minhas latas e some você já me causou muitos problemas.
- Não se pode causar problemas em alguém que já tem um. E você é muito grosseira sabia, precisa se tratar.
- É mesmo? E você com esse jeito esquisito?
- Jeito esquisito? Quer dizer o que com isso?
- Olha as roupas que usa, fala sério me dá as minhas sacolas.
- O que tem as roupas que uso? O que isso tema ver?
- Não importa, me dá logo as sacolas.
- Só depois que pedir desculpas sua patricinha
- Patricinha? Fala sério
- Fala sério. Será possível que não sabe dizer outra coisa? Toma aqui as suas bolsas e mais uma vez, foi um azar encontrá-la
Obviamente que a vida não ia facilitar para mim, eu tinha que ter ficado com aquela garota na cabeça o dia todo e agora para piorar tudo, a patricinha morava no mesmo lugar que eu trabalhava, ou seja, eu ia ter que ver a cara dela todos os dias sem poder de escolha. Mas fazer o quê? Assim que voltei a mercearia Seu Paulo logo me chamou.
