Decidi sair um pouco e andar na orla da praia. Eu morava em uma comunidade em São Conrado que ficava bem perto da praia, então quase sempre quando eu me sentia sufocada com a vida eu descia e caminhava, apenas caminhava, e assim fiz.
Peguei a bicicleta e desci desistindo de vez do sagrado sono. Estava caminhando pela praia o mar estava lindo o tempo estava fresco até poderia pensar em dar um mergulho, entrei na água com a roupa do corpo e fiquei ali parada só deixando o mar me levar, não haviam muitas ondas estava calmo, tranquilo como tinha que ser.
Olhei para todos os lados e não tinha ninguém continuei na água, mas toda aquela paz e tranquilidade logo foi interrompida quando ouvi gritos, parecia um homem gritando sai da água correndo para ver o que era, afinal estava tudo calmo há segundos atrás. Olhei e vi um cara e uma mulher pareciam estar brigando eu não sei por que, nunca fui corajosa, mas naquele momento algo me levou até lá e saí correndo feito uma louca na direção do barulho, o certo seria correr para longe dela, mas...
- Ei cara! Está fazendo o quê? Ah não! Eu não posso acreditar, você garota - Disse eu notando que o cara eu não conhecia, mas a mulher eu conhecia muito bem.
- Esse cara está tentando me assaltar. - Disse Alessandra
- Ah duvido você deve ter falado tanto na cabeça dele que ele te apontou uma arma.
- Suas piranhas, eu quero as bolsas - Disse o Ladrão, mas o que ele disse, ou ainda ia dizer não fazia muita diferença para Alessandra e Eu.
- O quê como ousa? Eu estava vindo da faculdade e ele me seguiu até aqui. - Disse Alessandra com as mãos para o alto.
- O moço seguir é coisa antiga, o senhor tem que roubar e correr. Ainda mais de patricinhas assim, o senhor rouba e corre - O Ladrão parecia confuso comeu tutorial dobre como roubar pessoas, e também com a discussão.
- Está incentivando ele a me assaltar?
- Sim, só quero ajudar
- Deve ter sido você que mandou não foi?
- Olha bem que eu gostaria, mas não.
- Escuta aqui o sapatão eu só quero roubar a bolsa dela e sair. - Disse o assaltante.
- Olha só, ele me chamou de sapatão. Não quero ouvir ofensas, é só isso mesmo que você quer? Seu ladrão, porque não disse antes - Pequei a bolsa da mão da Alessandra e dei na mão do bandido, ele correu tanto que parecia mais estar com medo do que fugindo para não ser pego.
- Você ficou maluca? Como eu vou voltar para casa?
- Que foi não gostou? Agora já pode ir para sua casa ele não vai mais te seguir.
- Deu minha bolsa para ele, você enlouqueceu?
- Ele ia te assaltar mesmo. Aliás você deveria me agradecer.
- Tinha spray de pimenta na minha bolsa, eu poderia ter jogado nele.
- É mesmo, e você ia fazer o quê? Cozinhar o cara?
- Não idiota, eu ia afugentar ele, só estava ganhando tempo.
- Nossa, falou a especialista em defesa pessoal.
- Quer saber eu vou embora.
- Melhor coisa que já disse desde que tive o desprazer de conhecer você.
Alessandra andou três passos e voltou
- Droga, você deu a minha bolsa para ele.
- Achei que já tínhamos superado esse assunto. Vamos falar disso novamente?
- Não se trata disso, como eu vou entrar em casa?
- Sei lá, escala
- Acha que sou o quê?
- Não sabe se virar patricinha?
- Está bem, conseguiu. Pode me ajudar eu não tenho aonde dormir?
- Pedindo ajuda? Que grande avanço.
- Pensa que é engraçada?
- Não está em condições de perguntar.
- Vai me ajudar, ou não?
- Você pode dormir na minha casa
- No morro? Nunca.
- Eu nem disse se moro no morro, como sabe? Isso é preconceito sabia, se bem que vindo de você, novidade nenhuma.
- Nem precisa dizer, está na sua cara.
- Certo, então você pode dormir na areia mesmo, eu posso fazer um túnel e enterrar você assim ninguém vai ver.
- Você me convenceu. Eu durmo na droga da sua casa, e você vai me levar nessa coisa?
- Está falando da Melissa?
- Quem é Melissa?
- Minha bicicleta.
- Que tipo de idiota dá um nome a uma bicicleta?
- O tipo que arruma um lugar para você dormir.
Alessandra deu um sorriso de lado, quase não querendo ser notada. Eu até fiquei feliz por ter feito ela sorrir pelo menos uma vez, subi na bicicleta pedalei até um certo ponto, mas uma hora ela teve que descer algumas vilas do morro eram estreitas e tinhas escadas, não dava para subir pedalando. Finalmente chegamos a porta da minha casa ela estava cansada e reclamando sem parar. Talvez por isso estivesse tão cansada, enquanto subíamos a ladeira e as escadas ela não parava de falar.
