– Ale.
– Oi amor.
– Oi, como estão as coisas por aí?
– Tudo bem as pessoas estão me olhando estranho como já era de se esperar, mas estou tentando fazer aquelas coisas todas que você me disse.
– Mais você está bem?
– Sim, você é que está com uma voz estranha parece até que tomou um tiro.
– Aconteceu uma coisa eu precisava muito te ver.
– Bom podemos almoçar juntas.
– Não sei se é boa ideia.
– Por que não? Você vai ter que almoçar não vai?
– Sim, mas não… enfim aonde podemos nos encontrar?
– Vem aqui me buscar e decidimos alguma coisa juntas.
– Está bem.
– Beijos.
– Beijos
Desliguei o telefone e fui tomar um banho, fiquei horas em baixo do chuveiro tentando entender o que havia acontecido. O Chuveiro é responsável pelas nossas maiores reflexões e ideias. Como aquelas fotos foram parar na internet? Como foram parar no celular do seu Paulo? Eu precisava descobrir logo, pois estava enlouquecendo e aquele tinha sido o pior dia da minha vida. Apesar do banho está ótimo eu saí porque precisava buscar Alessandra.
– Oi.
– Oi Ale.
– Que cara é essa?
– Agente pode ir à sua casa?
– Sim claro, mas você não que almoçar comigo na rua?
– É que eu estou sem dinheiro.
– Estou te convidando para almoçar e não te pedindo um empréstimo.
– É um ótimo questionamento.
– Podemos?
– Sim.
Caminhamos de mãos dadas pelas ruas, não eu nunca tive vergonha de exibir quem sou em lugar nenhum. Nem ligo para o que pensam, aliás eu já disse isso antes. Paramos num restaurante e sentamos.
– Então o que houve?
– Eu fui demitida.
– O quê? Como assim, porque?
– Seu Paulo me demitiu.
– Mas como isso é possível você disse que ele era o único que te aceitava.
– Eu sei, mas ele descobriu que estávamos juntas disse que não aceitava namoro de patrão com empregado e me demitiu.
– Mas eu não sou sua patroa.
– Tecnicamente sim, eu trabalhava no seu prédio.
– Eu vou falar com ele, isso não está certo. Isso dá até processo sabia.
– E vamos fazer o quê? Colar figurinhas de The L World na parede da loja como protesto?
– Claro que não. Eu posso pedir para o meu pai entrar com uma ação judicial.
– Você está se ouvindo?
– Seu pai é o cara mais homofóbico que existe na terra.
– Você tem razão isso seria ilógico, mas como você vai fazer agora?
– Eu não faço ideia, mas tenho que arrumar um emprego logo, afinal eu não posso ficar desempregada por muito tempo.
– Amor isso tudo é por minha causa.
– Não é. Nós decidimos ficar juntas e sabíamos que as coisas não seriam tão lindas como nos filmes.
– Verdade. Está tão triste, não fique.
Alessandra começou a beijar-me suavemente os lábios.
– Está se aproveitando da situação é?
– Imagina, mas subliminarmente quero te dizer que o Jonas não está em casa. Estamos sozinhas.
– É mesmo?
– Sim, podemos terminar o almoço e partir para sobremesa.
Subimos para o quarto, nos deitamos na cama e mais uma vez eu pude sentir o gosto de Alessandra em meus lábios sentir sua pele e seu corpo sobre o meu. Cada vez que fazíamos amor era como se o mundo parasse apenas naquele momento e nada mais importasse, eu sentia isso enquanto a beijava, senti isso enquanto passava minha mão de leve em sua barriga e escorregava por entre suas pernas e senti isso e mais um pouco quando a fiz gemer de prazer sobre meu corpo. Estar com Alessandra era sempre um prazer. Fazer amor com ela era sempre assim, como um ápice no paraíso.
Acordei depois de um tempo, e fui comer alguma coisa Jonas ainda não havia chegado em casa e Alessandra ainda dormia, então decidi eu mesma fazer algo para comer. Abri a geladeira e peguei algumas coisas para fazer um sanduíche. Sentei na mesa da cozinha e estava lá pensando em como tinha sido bom estar com ela, e pensei em várias coisas. Enquanto pensava em tantas coisas boas lindas e bonitas desviei meus olhos para o armário e quando olhei com mais atenção, vi uma coisa. Uma coisa que me parecia muito familiar.
– Mas o que é isso?
