Imposições De Um Pai

5K 346 6
                                        

- Não
Meu coração pulsou. Não podia acreditar que Alessandra me negaria na frente das amigas só para manter a pose
- Ela não uma mulher
- Como não nós vimos
- Ela é minha namorada
Eu sorri por dentro e por fora, finalmente eu podia acreditar que ela realmente estava apaixonada por mim. Não estava mentindo. Uma pessoa só ama quando consegue colocar a outra a sua frente e ela fez isso. E eu gostei
- Isso mesmo sou namorada dela
Eu a abracei
- Namorada ? Mulher com mulher é isso mesmo ?
- Pâmela nós somos amigas
- E daí ? Você é a maior pervertida que já vi como pode? não tem vergonha ?
- Não vejo nenhum tipo de falta de vergonha em namorar
- Uma mulher ? Nem bêbada
- Não vai rir também Bruna ?
- Vamos embora Pam
- Bruna são duas mulheres não acha anormal ?
- A única anormalidade aqui é você
- Não acredito. Está discordando de mim Bruna ?
A tal da Bruna não era tão idiota quanto a tal da Pâmela. As duas saíram rindo, Alessandra parecia frustrada com o que aconteceu. Ela se jogou na areia.
- Eu sinto muito
- Tudo bem. Deu para ver que não tenho amigas.
- Escuta Alessandra.
- Tudo bem
- Escute-me. Amigos não te fazem perguntas eles a respondem.
- Como assim ?
- Se fossem suas amigas. Não perguntariam se é lésbica. Sentariam do seu lado e diriam "Sim você é lésbica, mas ainda somos amigas"
- Tem razão. Isso foi bonito.
- Não sei no que elas estavam interessadas, mas não era na sua amizade.
- Você tem razão eu sou uma patricinha, as pessoas só aproximam de mim pelo dinheiro
- Não é assim. Não se mate por isso. Vamos para casa precisa descansar.
- Aonde vai dormir ?
- Vou te deixar em casa e voltar, amanhã é sábado não trabalho vou poder dormir um pouco mais.
- Dorme comigo?
Confesso que me derreti com aquele pedido. Mas fiquei com medo. Eu não trabalhava aos sábados, mas a loja abria e Seu Paulo poderia me ver. Imagina a confusão que ia dar.
- Seu Paulo pode me pegar.
- Por favor.
- Sim, pedindo assim. Vamos
Levei-a até em casa e dormimos juntas dessa vez pude ficar mais tranqüila. Não tive medo, afinal eu não estava trabalhando e nem tinha que sair correndo. Mas a noite, ou melhor a madrugada, logo virou manhã. Acordei e Alessandra não estava na cama, sento o cheiro do café fresco e queijo minas. Levantei da cama e olhei de fininho, e não é que ela sabia mesmo fazer comida ? Dei um leve sorriso e voltei para cama logo depois ela veio com a bandeja na mão.
- Café na cama
- Nossa assim vai me acostumar mal.
- Bom dia
Deu-me um beijo e deitou ao meu lado. Tomamos café juntas.
- Eu estava pensando em pegar um cinema o que acha ?
- Boa idéia que filme quer ver ?
- Não sei Ju
- Ju? Me chamou de Ju ?
- Não pode?
- Sim eu só não imaginava.
- Ju, Minha Julia qual o problema ?
- Vai saber.
- Quer ou não ir ao shopping ?
- Sim vamos. Eu posso tomar um banho ?
- Sim a casa é sua.
Antes mesmo que eu pudesse me levantar escutei alguém bater na porta.
- Ora. A essa hora ? Estava esperando alguém ?
- Eu não moro aqui
- Tem razão espera. Vou espiar pelo olho mágico
- Sim
Alessandra olhou e voltou assustada.
- Jesus
- O que foi é o matador de aluguel ?
- Que matador ?
- Não sei eu não moro aqui. Que diabos! O que foi ?
- É o meu Pai
- O quê? Seu pai ?
- Sim
- Por quê não me disse que ele vinha aqui ?
- Eu não sabia. Estranho ele nunca vem sem avisar
- E agora ?
- Temos duas opções
- Quais?
- Eu te apresento a ele como minha namorada e ele te mata e me mata depois.
- E a segunda ?
- Você pode entrar no armário
Sem essa de entrar no armário já faz tempo que sai de lá.
- Não esse tipo e armário
- Quer que eu finja que sou hétero ?
- Não quero que entre no armário
- O armário de roupas ?
- Sim
- Ah aonde fica ?
- Lá em cima rápido vá sem fazer barulho.
Subi as escadas correndo e fiz mais barulho do que jamais havia feito. Ela fez um tipo de "shiu" para mim e subi em silêncio
- Pai. Que surpresa
- Oi querida como está ?
- Bem, eu não o esperava
- É mesmo
- Entre
O pai de Alessandra entra e senta no sofá
- Estranho tem café para mais de uma pessoa aqui, tem certeza que não sabia que eu vinha ?
- Não eu não sabia. Mas o que o trouxe ?
- Vim te ver estava com saudades.
- Ah que legal. E trouxe uma pessoa que você vai adorar rever
- É mesmo ?
- Sim. Tente adivinhar
- Pai eu não faço idéia
- Pode entrar
Ele gritou
- Jonas
- Oi Ale
- Jonas ?
- Ale
Jonas era ex namorado de Alessandra, mas ex namorado mesmo de uns 5 anos atrás quando Alessandra ainda não sabia o quanto mulher era bom não só para os olhos quanto para saúde. O fato é que O pai de Alessandra adorava o cara por que ele era advogado e metido a culto sempre fez questão que ficasse com Alessandra.
- Acho que essa coisa de nomes tinha que parar.
- Pai o que significa isto ?
- Eu pensei. Jonas vai resolver um caso aqui no Rio de Janeiro e você mora aqui e ele não tinha aonde ficar. E voces já se conhecem. Então eu resolvi deixar ele aqui com você.
- E quando foi que me perguntou se eu queria isso ?
- Não tem que querer eu pago suas contas aqui.
- Pai esse cara não pode ficar aqui
- Por que não ele é um ótimo partido
- Eu não estou procurando homem
- Querida eu sei que ainda está confusa com o que aconteceu. Sei que ficou com mulher por que era só uma fase, mas isso que já passou.
- Fase ?
- Sim. Tanto que esqueceu aquela tal menina
- O senhor me fez esquecer
- Querida
- Pai não tem sentido
- Ok. Já fui muito bonzinho. Você ainda vive com meu dinheiro eu pago essa droga eu pago a sua faculdade eu pago o que você veste e eu gasto tempo e dinheiro com a sua brincadeira idiota de moda então está na hora de ser legal comigo e agradar ao Jonas. Ele é um bom rapaz, vá tirar esse trauma que você tem de homens. Não tem outra opção e eu. Vou embora
O pai de Alessandra saiu e bateu a porta feito um cavalo o tal do Jonas? Ficou sentado na mesa tomando café. Eu sai do armário e desci as escadas em silêncio mas como sempre sou nada discreta fiz um barulhino e o Jonas me viu. Alessandra também me viu e abaixou a cabeça desconsolada.
- Então senhorita Alessandra o chuveiro está ótimo
- Ah que bom eu estava louco para tomar um banho quente
- Você é a síndica ?
- Não Jonas, ela é minha amiga
- Sim, amiga
- Eu também sou amigo da Julia. Prazer
- Prazer
- Quer tomar café com a agente ?
- Não ela já estava de saída não é amiga ?
- Sim
Julia acenou para mim e fui logo pra casa.

Pode ser amorOnde histórias criam vida. Descubra agora