Capítulo 32.

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Renato.

Eu estava com a agenda lotada durante a semana. Na verdade, já faz algum tempo que estou trabalhando como louco, principalmente com minha promoção à diretor do grupo preste à acontecer. Meus dias se dividiam entre reuniões, dezenas e dezenas de e-mails e mais centenas de trocas de mensagens. Em meio a isso tudo, tenho o Pedro e meus avós.

Eu moro sozinho desde que comecei minhas atividades profissionais. Queria um espaço meu, pra receber amigos e levar qualquer garota. Na casa da minha avó isso seria impossível. Além de mim, somente dona Zilda, minha diarista, tem a chave do meu apartamento e mais ninguém. Pedro fica comigo dois finais de semana alternados mas geralmente, quando não estou viajando, costuma passar a última semana do mês comigo. Quando isso acontece, dona Zilda me socorre ficando com ele até eu chegar do trabalho. Confesso que apesar de amar ser pai e de achar o abraço do meu filho o melhor lugar do mundo, é complicado e até exaustivo às vezes chegar cansado de viagem ou de alguma reunião com cliente chato e dar  conta de ensinar lição de casa ou simplesmente brincar e assistir desenho animado, mas entendo que são fases e logo logo meu pequeno cresce.

Depois que deixei Gabriela em casa e ouvi toda a lamentação do meu amigo sobre a possível gravidez da sua ficante, fiquei pensando no quanto eu estava encantado por Gabi. Antes de reencontrá-la, não havia nenhuma chance de arrumar uma namorada pois meu trabalho e meu filho são prioridades e já preenchem todo meu tempo. Eu já estava de saco cheio de cair na noite e passar madrugadas em claro bebendo e jogando conversa fora, que em nada me acrescenta coisa nenhuma, e amanhecer numa cama de motel com uma desconhecida. Essa gandaia toda, regada à sexo e amigos já estava minguando em minha vida e hoje, aos quase 35 anos, eu já me encontrava mais caseiro e aproveitando os prazeres da paternidade.

Aliás, eu já vinha lamentando passar pouco tempo com o Pedro e perder coisas pequenas do seu dia a dia mas que marcariam minha vida. Mas a grande verdade é que  eu não encontrava uma mulher que tivesse a paciência necessária para aguentar minha rotina, dividida entre viagens-filho-avós. Eu já havia tentando algumas vezes seguir em um namoro duradouro e não deu certo. A última, faz uns 6 meses e foi um inferno. Ela detestava a Fernanda, aliás, minha ex é um pé no saco e gosta de provocar qualquer mulher que entre em minha vida -"Ainda tenho mais esse problema, Santo Deus! "- e ela não teve muita paciência com o Pedro. Sem falar que todas as vezes que precisei socorrer meus avós em algum momento, ela ficou bastante insatisfeita e nem vou citar as cobranças sobre as minhas constantes viagens... Isso era motivo de muita briga.

Quase todas que tentei um relacionamento mais sério padeceram das mesmas reclamações. Isso me afastava de querer algo mais fixo e eu havia decidido continuar na minha vidinha de solteiro. Foi quando eu a vi pela primeira vez. E observei toda a beleza e meiguice nas expressões, no jeito de falar, de sorrir e toda a paciência com dois velhinhos desconhecidos pra ela. E desejei que um dia tivesse uma esposa como ela. Claro, desejei tê-la também de outras maneiras. Mas na ocasião, fiquei apenas no desejo. Não pedi telefone, não tentei nada mais íntimo, simplesmente deixe ela seguir com sua viagem entre amigas e eu segui com meus problemas. Foi quando a vida cuidou de colocá-la pela segunda vez em meu caminho. E eu não poderia deixar de tentar conhecer um pouco mais aquela bela morena que atentou meus pensamentos algumas noites.

Pensei em tudo o que estava acontecendo entre a gente e no quanto eu gostava da sua companhia. Gabriela é uma mulher interessante, é forte, linda e passou por muitas experiências que só fizeram ela amadurecer cedo. Eu sabia que tinha uma responsabilidade dobrada no quesito "fazê-la feliz", uma vez que saiu de um relacionamento complicado, envolvendo infidelidade e que muito sofreu por isso. Lembrei inclusive de uma das nossas conversas, onde ela deixou claro que sua prioridade era a carreira e a família. Claro que também tenho meus traumas, mas justamente por isso, entendo ela tão bem. Tanto ela quanto eu, queremos muito ser feliz, ter paz na vida e não sofrer ou mudar por alguém. Se temos os mesmos objetivos, será que um compromisso entre nós dois daria certo?

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