Capítulo 21.

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Seguimos para um restaurante rústico que ficava próximo da pousada. O lugar era aconchegante, uma música suave e baixinha tocava e a noite soprava uma brisa fria, um cenário romântico perfeito. Pedimos vinho e aceitamos a sugestão do chef para o jantar. Enquanto aguardávamos, perguntei o que ele estava achando do passeio, uma vez que ele não conhecia nada sobre a cidade e a sugestão veio de um cliente.

- Er... A viagem de trem é bem legal, mas se não fosse sua companhia teria sido cansativa. - Rimos juntos. - A cidade é aconchegante e o clima está maravilhoso. Até aqui está tudo bem. E pra você? Como está o passeio?

- Amei tudo o que vi até agora. Foi uma passeio calmo, com paisagens revigorantes, como você mesmo disse. Eu tenho corrido muito... Essa pausa foi um respiro fundamental pra mim.

-Sabe, Gabriela, você não é de falar muito. Ou estou enganado?

Ri com a observação dele. 

- Na verdade, Renato, eu falo bastante. Mas é que eu confesso que é a primeira vez que saio com um, er... Desculpa a sinceridade? - perguntei rindo. - Um estranho. Assim... Eu sei que você já falou sobre sua vida, família, trabalho... Até mostrou a foto do seu filho... Mas é que eu nunca saí pra passear por tantas horas, como fizemos hoje, e depois jantar, como estamos fazendo agora, com alguém que eu não conheço, que não é do meu círculo de amizades... E num lugar estranho pra mim... Você entende?

Renato me olhava com uma doçura que me atormentava ainda mais.

- Entendo mais ou menos. Quer que eu me apresente novamente? - e rimos juntos. - Teme que eu seja um psicopata? Que vai te fazer algum tipo de maldade ou coisa assim?

Fiquei em silêncio olhando pra ele. O Garçom chegou e serviu mais vinho. Ele me olhava com ternura e um sorriso tranquilo. Eu o olhava com curiosidade. Afinal, por qual motivo Renato estava mexendo comigo. Depois do André meu coração não disparou por mais ninguém. E sem querer me gabar, eu sou super paquerada e depois que me separei, vários amigos e amigos de amigos chegaram junto, chamando pra sair, cinema... Davam em cima mesmo, pra valer e eu nunca tive interesse em nenhum. No máximo, achava um ou outro carinha da academia gostosinho, mas se o dito cujo me olhava eu saia pela tangente. Além de não querer me envolver, eu não conseguia sentir nada por ninguém. Mas Renato... Ah! Ele estava me deixando inquieta.

- Você vai fazer alguma maldade comigo ou coisa assim? - perguntei bem séria.

Ele se aproximou mais da mesa, inclinou um pouco o corpo de modo que nossos rostos ficaram bem perto e o seu perfume invadiu ainda mais meu espaço, pegou na minha mão e me olhou bem nos olhos. - Jamais, Gabriela. E eu confesso que não sou de falar muito sobre minha vida, trabalho, família... Mas se eu não aproveitasse a chance que o destino, ou sei lá como você quer chamar essa segunda chance que a vida nos deu para um reencontro, eu poderia perder a oportunidade de tornar dois conhecidos desconhecidos em amigos. E eu gostei de você quando te vi no avião. E mais ainda depois do dia de hoje.

As palavras de Renato pareciam ser verdadeiras mas, gato escaldado tem medo de água fria... Só que coração é bicho besta, né? E eu estava derretendo fácil na conversa do meu " novo amigo". Pra falar a verdade, eu estava desejando meu novo amigo. Um homem extremamente sexy, inteligente, lindo, com uma boca carnuda que pedia pra ser beijada... e eu não beijava há muito tempo. Eu queria me sentir desejada por alguém que não soubesse de todo meu histórico de sofrimento da separação e que me visse como uma mulher solteira e não uma mulher divorciada, aliás, detesto este título.

Minha mão de fria, ficou gelada e mesmo assim, suou ao ser segurada pela mão grande e quente de Renato. Acho que corei com o que ele disse pois senti minhas bochechas queimarem. Dei um bom gole de vinho e sorri pra ele. Se eu já era calada, depois do que ele falou, as palavras me faltaram. Por sorte, a comida chegou e o assunto mudou para culinária.

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