Capítulo 35.

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A noite foi incrivelmente curta. Revirei mil vezes na cama e não teve contagem de carneirinho que me fizesse agarrar no sono. As palavras de Renato viraram repetição na minha cabeça.

"Você chamou minha atenção quando te vi pela primeira vez. Depois, me encantei pelo seu jeitinho quando te conheci um pouco melhor. Eu sei que você saiu de um relacionamento complicado. Eu também já vivi relacionamentos complicados e entendo sua defesa. Eu sei também que você prioriza sua carreira, seus estudos e tem uma rotina bastante corrida e eu tenho um trabalho cansativo, estressante... E tenho um filho. Eu sei que o pacote é pesado e que há muitas outras coisas complicadas junto à tudo o que te falei agora, mas... Acredite, Gabi... Eu pensei muito em todas as coisas complicadas e todas as prioridades que temos na vida e em tudo eu me perguntava o tempo inteiro: "E por que não?". Você é a paz que eu quero na minha vida...Te apresentar como namorada aos meus avós e meu filho era tudo que eu queria...Mas não teria sido digno com você... eu sei das suas dores. Você já contou pra mim o quanto sofreu com a perda do seu bebê, com o desrespeito do seu ex marido e do divórcio doloroso. E eu sei das suas batalhas e dos seus planos... O que eu não sei, é se há espaço na sua vida nesse momento para um relacionamento...E é por isso que estou aqui, Gabi. Porque te beijar foi uma das melhores sensações do mundo e quero repetir infinitas vezes. Porque quero fazer outras viagens com você, ouvir suas histórias ... Te apresentar como minha namorada... Minha namorada... Minha namorada..."

E eu repetia mentalmente cada tudo o que ele falou... Eu martelava cada possível problemas e a frase " eu sei que o pacote é pesado demais", confesso, assustava. Pensei no quanto ele mexia comigo e no quanto eu me sentia envolvida. Mas o medo de sofrer era grande.

Quando os primeiros raios de sol tocaram minha janela, eu já havia tomado banho, café e estava pronta pra ir trabalhar. Queria chegar cedinho na loja, preparar o terreno com cuidado e ganhar coragem pra contar a minha mais recente "história de amor".

-Isso é sério? - perguntou mamãe quando contei-lhe sobre Renato.

-É sim... - falei com uma ponta de timidez.

- Bem, é... Você me pegou de surpresa.

- Jura? - perguntei sorrindo.

-Bom, eu já havia notado seus suspiros... Mas achava que seria alguém da faculdade. Nossa! Que história, hein?

- É ... Mas e o que você acha?

-Nunca fui do tipo de mulher que suspira com história romântica... Mas espero que esteja certa que quer embarcar nessa paixão, meu bem. Tenha cuidado para não florear demais o relacionamento... Essas coisas, entende?

Apenas sorri.

- Vamos marcar um jantar lá em casa. Quero conhecer o tal moço. Combinado?

- Ok.

Liguei pra Renato e contei sobre o jantar. Ele pareceu animado. Pediu pra passar na loja depois do almoço, mas contei que estaríamos numa reunião.

No final da tarde, liguei para Betina. Contei tudo o que havia acontecido e o quanto eu me sentia insegura por todos os sentimentos que me invadiam a cabeça.

- Você é adulta, independente, livre e está apaixonada. O que te impede? Nada! Então se  joga. Uma porrada a mais ou a menos não vai te matar. Vai virar freira? Solteira pra sempre? Quem garante que ele será para sempre esse doce de candura? Problemas? Todos temos. Dias ruins, dias bons... Sempre teremos...

- É... Só receio que seja cedo ainda, entende?

- Cedo?? Credo!!! Já passou mais de um ano! Desencanta, gata! Só me ligue agora pra contar sobre a primeira noite , ok? - e gargalhamos.

Mamãe saiu cedo da loja e eu não contei pra ela que Renato ficou de passar por lá pra conhecê-la. Queria primeiro me acostumar com a ideia de que eu estava namorando. Passava das 18 horas quando ele me enviou uma mensagem avisando que estava no interior da loja. Desci e o abracei timidamente, tomando cuidado para que os funcionários não nos visse juntos. Mostrei cada metro quadrado da empresa e contei sobre nossa ampliação.

- E minha sogra? - perguntou rindo.

- Teve que sair... Mas ficou de organizar um jantar. Te aviso quando ela marcar.

- E hoje? Vamos jantar hoje?

Balancei com a cabeça que sim e saímos juntos.

Combinamos durante o jantar que iríamos viajar no próximo final de semana. Eu precisava desse momento com ele. Na verdade, eu precisava estar com ele, na condição de "namorada" pra sentir se realmente era isso o que eu queria, antes de apresentar Renato para as pessoas do meu convívio. É até engraçado mas eu me sentia estranha com esse recomeço. Reviver tudo de novo: paquera, início de namoro, apresentar o carinha pra família, amigos e por aí vai... Toda essa construção de relacionamento que a gente passa quando começa namorar sempre me deixou ansiosa e dessa vez não era diferente, só que, agora eu tava mais desconfiada, seletiva. 

- Psiu, moça linda... Tá distante? - perguntou com a voz macia que fazia meu coração derreter.

- Desculpa, mas acho tão estranho essa coisa de "apresentar" você pra minha mãe, padrasto, irmão... Entende?

- Hum... Entendo. Mas relaxa. Gabi... Eu não tenha pressa... Se não achar que é a hora, tudo bem. As circunstâncias da minha vida fizeram com que você conhecesse meu filho. Não houve uma marcação prévia de data e nem nada oficial. E pra acrescentar, também na mesma noite você conheceu meus avós. - falou sorrindo. - Foi um pacote completo, inesperado, todo de uma vez na mesma noite. E sobrevivemos. E foi bom porque pulamos a parte da formalidade.

- Foi mesmo. Impactante, quase desconcertante... Mas foi bom.

- Eu já falei que estava encantado por você... Né?

- É.

- Loucamente apaixonado? - fixou-se olhar na minha boca, enquanto segurava meu queixo com as mão.

- Loucamente apaixonado? Loucamente não lembro... - respondi sorrindo.

- Perdidamente...  Loucamente apaixonado por você, minha linda. - falou com voz baixinha, quase rouca, bem próximo do meu ouvido.

Tocou meu rosto, acarinhando com as mãos minhas bochechas e pescoço. Aproximou- se da minha boca e tocou meus lábios com os seus lábios macios e quentes. Nossas bocas buscavam a língua um do outro e ficamos assim, alternando entre o romantismo de um beijo terno e selvagem também, por alguns minutos. Meu corpo respondia com arrepios ao toque das mãos e aos beijos de Renato. A vontade de subir no colo dele, afastar minha calcinha e transar com ele, ali mesmo, dentro do carro, em frente ao meu prédio era grande. Mas eu jamais teria coragem de tal loucura.

Com a respiração bastante ofegante. Me afastei do corpo do meu namorado e dei meu boa noite. Subi com as pernas bambas e a cabeça tonta, processando tudo o que estava acontecendo. Eu concordava com o que ele havia dito: o pacote era pesado mas eu só poderia saber se eu aguentava com o peso, se tentasse segurar. E eu estava disposta à tentar. Meu coração queria muito esse aconchego que os braços desse homem lindo me davam. Esperar o final de semana para nossa viagem seria pura ansiedade.

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⏰ Última atualização: Aug 11, 2017 ⏰

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