Capítulo 28.

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Após a dança e depois do beijo, nos despedimos com a promessa de almoçar no dia seguinte. E assim aconteceu. Passamos o dia todo juntos. Ele contou sobre a relação de guerra e paz que vivia com Fernanda, a mãe do Pedro, filho dele.

- Éramos amigos. Só que depois da faculdade, num reencontro, rolou sexo. Algumas vezes. E nessa "brincadeira" ela engravidou. Foi um baque porque eu não queria um filho com alguém que eu não amo. Ela ficou super assustada com toda a novidade. Durante a gravidez, ela veio morar comigo. Eu queria e precisava acompanhar as coisas de perto, entende?

- Não tentaram namorar? De repente fazer a história de vocês dar certo? - perguntei.

- Tentamos. Mas eu não conseguia me apaixonar por ela. Ela se apaixonou e foi difícil pra nós dois. Depois que o Pedro nasceu, acho que uns 4 meses depois, tivemos uma briga grande e ela foi embora morar com os pais. Continuei pagando tudo e procurando participar de tudo da vida do Pedro. Acho que esse meu apoio, fez com que ela entendesse que eu sempre estaria perto. Mas vez ou outra ela distorce tudo, mistura os sentimentos e discutimos.

- Sei... Ela tem namorado?

- Teve alguns. Estava com um cara até gente boa... Mas acho que não deu certo...

E continuou contando os detalhes da vida paterna. Falou da dor de perder o pai ainda criança, numa sala de cirurgia e da mãe que de tão deprimida, adoeceu e faleceu alguns meses depois. Falou da relação de amizade entre ele e o avô e o amor de mãe que sente pela avó, d. Helena, que conheci no avião, na viagem pra Búzios.

- São meu porto. Pra onde eu corro pra me abrigar, pra nortear e ampará-los... Depois que perdi meus pais, morei com eles por bastante tempo. - disse cheio de amores pelos avós. - E você, moça linda? Seu ex te persegue muito, é?

Sorri meio sem graça ...

- Eu construí um castelinho cor de rosa quando casei. Quando o rei virou sapo e se encantou por uma bruxa, foi embora e meu castelo caiu. Foi complicado... Mas tudo passa. E eu passei por tudo isso, evoluindo.  O trabalho, o curso, família e amigos... Tudo isso ajudou. Depois que desencantei dele, ele reaparece e veio tentar ficar amigo... Diz que sente falta... Essas coisas.

- Você ainda o ama? - perguntou com a voz baixinha.

-Não. - respondi de bate pronto. Isso é assunto já bem resolvido na minha cabeça. A decepção doeu mais que a separação. Consegue entender?

- Hunrun...

- Então, é isso. Acabou, passou. Não gosto mais. Na verdade, é indiferente. Não temos vínculo que nos una. Não há motivo pra sermos amigos...

- Nem inimigos.

- É. Nem inimigos. Mas deixei claro que relação de amizade ou seja lá o que for, não está nos planos.

- Pensaram em ter filhos.

Engoli seco nessa hora. Lembrei do dia que perdi meu bebê  e da solidão do luto vivido.

- Eu engravidei mas perdi.

Silêncio.

- E o trabalho? Como estão as vendas? - ele mudou de assunto e falei um pouco do meu trabalho, da minha família e do mestrado que já se aproximava da conclusão.

Já era noite quando Renato me deixou na porta do prédio. Passamos um dia inteiro juntos e contei toda a minha vida. As doçuras e amarguras dos meus dias. Na hora da despedida, nos olhamos, entrelaçamos nossos dedos e parecia que um não queria soltar o outro nunca mais. O silêncio dentro do carro tornava o tempo tão demorado... Eu não sei ainda o que há entre nós dois e isso de certa forma, confunde minha cabeça. Uma chuva levinha começou a cair e eu me apressei para subir para o meu apartamento. Quando abri a porta do carro para sair, ele me puxou e me beijou ardentemente. Meu corpo arrepiou inteiro e quase desfaleço de prazer nos braços do homem que tanto mexia comigo. Nossas línguas se entendiam tão bem que parecia que meu beijo foi feito exatamente para a boca dele. Eu podia sentir o tesão de Renato através da respiração descompassada e cada vez mais acelerada. A vontade de subir no colo dele e fazer amor ali mesmo no carro, no meio da rua, era grande. Imaginar as mil loucuras e sacanagens que passava pela cabeça dele nesse momento só aumentava minha excitação.

Com movimento brusco, afastei nossos lábios e encostei minha testa na dele. Apesar de muito querer, eu não iria pra cama com ele sem saber que tipo de relacionamento ele queria.

- Desculpa... Preciso subir. - falei sorrindo.

- Entendo... - respondeu, passando a mão nos cabelos e levando ao volante do carro. Vou viajar a negócios mas volto na sexta- feira. Gostaria de jantar com você.

- Combinado. Falei piscando o olho e saindo do carro, apressada, pois a chuva já engrossava.

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