Helena
- Vou direto ao ponto. - ele suspira. - Lúcia tem Leucemia Linfoide Aguda.
- Como assim? Ela tem câncer?!
- Sim. - seus olhos estão cansados e tristes. Talvez não tenha dormido direito.
- Tia Helena, eu tô dodói? - Lúcia está sentada na cama.
- Sim meu amor, mas depois eu te explico melhor.
- E quanto ao tratamento? - pergunto.
Ficamos ali por um bom tempo. Ele disse que não seria necessário ela ficar internada, mas que precisaria voltar lá algumas vezes para fazer o tratamento e outras coisas que para mim no momento são irrelevantes.
Ele sai do quarto dizendo que Lúcia vai poder ir embora daqui a uma hora. Uma loira oxigenada entra no quarto com o café da manhã da minha pequena, deve ser uma enfermeira. Ela come tudo e depois lhe dou banho e visto nela um vestido azul muito fofo.
- Vamos embora, pequena? - pergunto à Lúcia, enquanto guardo suas coisas na bolsa.
- Vamos. - ela sorri, o que me conforta. Saímos de lá e voltamos para o orfanato.
Chegamos no orfanato e Lúcia corre para abraçar as amigas e brincar. Sento-me no sofá e começo a pensar em tudo o que acaba de acontecer. De um dia para o outro uma criança saudável desenvolve um câncer.
Sei que não é de um dia para o outro, mas foi o que pareceu. Ela sempre esteve bem e sorrindo e agora, de repente tem câncer. Isso é ridículo. Ela é apenas uma criança de 3 anos.
Preciso manter a calma. Me desesperar não vai levar a lugar algum. O médico disse que noventa por cento das crianças que desenvolvem essa doença se curam, e a Lúcia vai fazer parte desses.
O dia passa devagar. Conversamos com as meninas e com a Roberta sobre tudo o que aconteceu. Elas reagiram de forma normal, o que deixou as coisas mais fáceis.
Escurece e eu preciso ir embora para me arrumar para a faculdade, já faltei ontem e não posso faltar outra vez. Chego rápido em casa, me ajeito e logo estou sentada na sala de aula, esperando o professor.
As aulas acabam e volto para casa. Janto e me troco, oro e deito-me, mas sem pegar no sono. Não consigo dormir, só consigo pensar nas palavras do doutor Mário: "Lúcia tem Leucemia Linfoide Aguda." A noite vai ser longa.
Por um breve momento me pego pensando no homem que "conheci" ontem na cafeteria. Ele era muito bonito e parece ser bem educado também, mas provavelmente não o verei mais. É melhor eu esquecer essa história. Tenho coisas mais importantes para pensar.
Will
Acordo animado. Tomara que eu a veja hoje na cafeteria, ontem eu não pude tomar café lá. Faço minha higiene pessoal e visto uma calça social preta e uma blusa social azul. Calço meus sapatos pretos, penteio o cabelo, pego minha bolsa e saio.
Estaciono o carro em frente à cafeteria e desço. Entro na mesma e vou até o balcão.
- Bom dia. - falo para Albert.
- Bom dia. - ele sorri para mim.
- Como estão as coisas? - começamos a conversar.
A cada minuto olho para a porta, mas nada, ela não aparece. Passam-se mais minutos e nada. Queria muito vê-la, porém ao que parece, hoje será impossível.
Me despeço do senhor e saio da cafeteria derrotado. Sigo para o hospital. Entro por suas portas e deixo minhas coisas na minha sala. Alguém bate na porta e eu mando entrar.
- Com licença, doutor. - uma enfermeira, Sarah, fala entrando. - O doutor Rhodes quer falar com o senhor.
-Tudo bem. Já estou indo.
- Ele te espera em sua sala. - diz saindo.
Ponho o jaleco branco e ando pelo corredor de paredes brancas, logo chegando à sala do doutor Rhodes. Bato na porta e ele manda que eu entre.
- Com licença. - fecho a porta.
- Sente-se. - ele aponta para uma cadeira.
- O que o senhor queria falar comigo?
- Você terá uma nova paciente. - isso me deixa feliz e ao mesmo tempo triste. Tenho mais uma pessoa para cuidar, e tem mais uma criança doente. - Todos os outros médicos já tem mais de três e como você apenas um, te darei mais uma responsabilidade. Tenho ficado satisfeito com seu trabalho e creio que você não vai me decepcionar. Pode fazer isso?
- Claro. - respondo entusiasmado.
Passo alguns minutos em sua sala. Ele me dá a ficha da criança e me explica algumas coisas. Terminamos a conversa e sigo para o quarto do Robbie.
- Bom dia. - cumprimento sua mãe. - E aí, garotão! - ele não me responde.
- Bom dia. - ela responde sorrindo. - Filho, fale com ele. - sua mãe o repreende.
- Oi. - ele fala com a cara amarrada e os braços magros cruzados.
- Bom, temos uma seção de químio agora. - começo a ajeitar as coisas para a quimioterapia.
Peço para que ele estique o braço, e adivinha o que ele faz? Sai correndo. Vou atrás dele, mas o garoto é ligeiro. Tento alcançá-lo sem derrubar nada ou ninguém.
- Você não me pega! - cantarola e vira sua cabeça para me olhar, sem parar de correr. Ele volta a olhar para frente e uma garotinha surge na sua frente, mas ele não consegue parar e cai em cima dela.
A menina chora. Eu vou até ela, porém antes de eu chegar uma mulher os ajuda a levantar e pega a garotinha no colo para tentar acalmá-la. Eu não acredito!
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Minha Pequena Sorte
Storie d'amoreHelena é uma jovem forte que trabalha em um orfanato. Quando uma das crianças - a que ela mais ama - fica doente e precisa fazer um tratamento no hospital, ela conhece Will. Um médico bonito e divertido, que acaba por encantar as duas. #714 em roman...
