@LuizFFranco disse:
Muito boas dicas! Foram de grande ajuda.
Legal, fico feliz em poder ajudar!
Se puder me tirar uma dúvida: como construir uma relação entre o vilão principal e o vilão subordinado, tornando essa relação crível? Pensei em usar ameaças e chantagem, mas tenho receio de ficar clichê demais...
Quando falamos de vilões, um dos quesitos visto foi a motivação dos vilões. Certamente pode haver uma variação enorme de tipos de relacionamento entre os vilões e seus subordinados (capangas, empregados, seguidores, etc). É possível ver em muitos casos o subordinado como cuja motivação é monetária. Vilões com dinheiro contratam guarda-costas, por exemplo. Um seguidor pode ser alguém da família, alguém na linha sucessória de poder numa organização, alguém que simplesmente idolatre esse vilão, por algum motivo, ou alguém que o teme, mais que tudo.
Falamos também sobre a possibilidade de fazer um vilão ter um lado que possa gerar simpatia nos leitores (não ser 100% mau). A relação com seus seguidores pode ser uma maneira de mostrar isso. Talvez esse vilão possua algo positivo que faz com que outros resolvam segui-lo por vontade própria. Ou como ocorre no caso de organizações criminosas como a máfia, os seguidores vão devendo favores ao chefão, mas também recebem favores em troca. No caso de um cenário medieval, é possível que um ou mais nobres sigam um vilão através do juramento de vassalagem para com seu suserano. Estão apenas seguindo a lei. O mesmo valeria para um vilão que possua uma patente militar, ou alguma posição de comando. É o caminho natural para os subordinados seguir suas ordens. Não houve tantos seguidores de Hitler na estrutura militar da segunda guerra? Isso abre espaço para conflitos também. Até que ponto um seguidor ou subordinado está disposto a ir contra seus princípios para fazer as vontades do superior?
Outro caso semelhante é o de um líder religioso. Quantos não seguem cegamente os comandos de um líder religioso carismático? E se esse líder declarar uma guerra santa? Há muitos homens-bomba pelo mundo afora e também houve o caso célebre os pilotos japoneses que sacrificavam suas vidas para destruir o inimigo, os Kamikazes (vento de deus). E o que dizer do código de honra dos samurais que os compele a cometer suicídio caso desonrem seu senhor?
Os sidekicks abobalhados/servos fies de um vilão, como Renfield de Drácula, Igor de Frankenstein, Rabicho de Voldermort em Harry Potter, Smee do Capitão Gancho em Peter Pan, etc, já criaram um clichê que é muito repetido. Acaba sendo uma forma de mostrar o vilão de um modo mais próximo, alguém que tolera conviver o tempo todo com ele, que o teme, ou idolatra, ou ambos, e que pode funcionar para construir algum tipo de alívio cômico na relação e dentro da trama. Uma categoria especial deste tipo de subordinado são os mascotes. Malévola com seu corvo, Diablo, em A Bela Adormecida, o papagaio de Jaffar, Iago, em Aladim, Bartok, o morcego de Rasputin, em Anastácia, etc.
Um clichê que eu acho meio irritante é o do vilão que se cerca de idiotas ou pessoas sem nenhum treinamento que presta. É muito comum. E gera aquele tipo de fala típica em algum momento: "Idiotas! Estou cercado de idiotas!"
Procure analisar as relações entre vilões e seus seguidores e evite os pontos comuns. Tente criar algo diferente. Que o subordinado tenha que seguir o vilão, mas que passe por algum dilema. Dê também, se possível, uma dimensão a mais para seus subordinados. Ou seja, estude a possibilidade de criar os seguidores, ou ao menos alguns dos seguidores segundo os mesmos princípios expostos no capítulo "Um pequeno guia para criar vilões".
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