Como evitar os verbos de pensamento

744 67 37
                                        

@AllyPeace-ww perguntou: Eu gostaria que você falasse um pouco sobre como evitar os verbos de pensamento. É uma coisa bem complicada de se mexer kkk. Bem, obrigada! Por todo o livro, ele é muito bom e de uma ajuda incrível.

Oi Ally, obrigado pela sua pergunta! E obrigado por acompanhar esse livrinho de dicas, fico feliz em saber que está ajudando.

Sobre a questão dos verbos de pensamento, não tenho a capacidade de escrever nada melhor que a dicas dadas pelo escritor Chuck Palahniuk cujo livro mais famoso é O Clube da Luta. É uma aula sobre o princípio Show, don't tell. Mostre ao invés de contar.

***

"Em seis segundos, você vai me odiar.

Em seis meses, você será um escritor melhor.

Desse ponto em diante, por pelo menos metade do ano, você está proibido de usar verbos "de pensamento". Isso inclui: pensa, sabe, entende, acredita, quer, deseja, imagina, lembra, e muitos, muitos outros que tenho certeza que você ama usar. ( Vou incluir uma listinha desses verbos no final)

A lista também deve incluir: Ama e Odeia, É e Tem. Chegaremos nestes, depois.

Até perto do Natal, você não pode escrever: "Kenny imaginou se Mônica não gostava dele saindo à noite..."

Pensar é abstrato. Saber e acreditar é intangível. Sua história será sempre mais forte se você mostra apenas as ações e os detalhes físicos de seus personagens e permitir a seu leitor fazer o pensar e o saber. E o amar e o odiar.

Em vez disso, você terá que descompactar isso para algo como: "As manhãs depois de Kenny ter passado fora, além do último ônibus, até ele ter que pegar uma carona, ou pagar um taxi e chegar em casa para achar Mônica fingindo dormir, fingindo, pois ela nunca dormia tão quieta, naquelas manhãs, ela iria apenas colocar sua própria xícara de café no micro-ondas. Nunca a dele."

Em vez de personagens sabendo de tudo, você deve agora apresentar os detalhes que permitam ao leitor sabê-los. Em vez de um personagem querendo algo, você deve agora descrever a coisa para que o leitor a queira.

Em vez de dizer: "Adam sabia que Gwen gostava dele."

Você terá de dizer: "Entre as aulas, Gwen estava sempre recostada no armário dele quando fosse abri-lo. Ela reviraria os olhos e partiria, deixando uma marca do salto preto no metal pintado, mas também deixando o cheiro de seu perfume. O cadeado ainda estaria quente devido a sua bunda estar encostada lá. E, no próximo intervalo, Gwen estaria recostada lá, novamente."

Resumindo, para de usar atalhos. Apenas detalhes sensoriais específicos: ação, cheiro, gosto, som e sentimento.

Normalmente, escritores usam estes verbos de "pensamento" no começo de um parágrafo (desta forma, você pode chamá-los de "Afirmações de Tese" e e eu vou protestar contra eles mais tarde ). De uma forma, eles afirmam a intenção do parágrafo. E, o que se segue, ilustra essa intenção. 

Por exemplo: "Brenda sabia que ela nunca cumpriria o prazo. O trânsito estava terrível desde a ponte, passadas as primeiras oito ou nove saídas. A bateria do celular havia se esgotado. Em casa, os cachorros precisariam sair para um passeio, caso contrário haveria uma grande bagunça para limpar depois. Além disso, ela prometeu que aguaria as plantas para o vizinho..."

Você percebe como essa "afirmação de tese" tira o brilho do que se segue? Não faça isso.

Se não tiver jeito, corte a sentença de abertura e coloque-a depois de todas as outras. Melhor ainda, mude para: "Brenda nunca cumpriria o prazo."

Respostas para questões sobre escritaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora