Um garoto, aparentemente bem louco, surgiu no quintal de Rebeca falando como se a conhecesse e perguntando sobre um livro.
Ela o acha totalmente pirado, mas conforme Aloys conta vários detalhes da convivência entre eles, começa a acreditar e, quan...
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Aloys terminou de comer e levantou com o prato e os talheres. — Onde posso lavá-los?
Rebeca indicou a pia. Ele foi até lá, a analisou, e olhou para garota, meio perdido.
— Deixa que eu lavo. — Levantou e foi até ele, pegando a louça e a colocando dentro da pia. Pegou a esponja, colocou detergente e começou a ensaboar, seguido do enxágue.
— Oh! Funciona igual aquilo do banheiro. — Aloys disse, fascinado. — Como você aprendeu as coisas daqui tão rápido? Queria entender como você chegou aqui primeiro, na verdade.
— Não faço a menor ideia. — Terminou de levar e deixou a louça junto com o resto, escorrendo. O olhou. — E agora?
— E agora o quê?
— O que você vai fazer agora? Vai procurar seu livro?
— O livro é seu... — comentou, meio triste — Não sei o que você fez com ele.
— Muito menos eu — falou um pouco impaciente. — Escuta, de onde você veio? De outra cidade? Você é um mendigo?
— O que é mendigo?
— É uma pessoa que não tem onde morar, não conhece niguém, não tem nada na vida e fica vagando por aí.
— Que horror... Não, eu tenho onde morar, é a... — Olhou ao redor. — Acho que não é mais aqui... Está tudo tão diferente... É, eu não tenho mais nada, realmente.
Rebeca sentiu-se mal por ter tratado o garoto tão grosseiramente. Em nenhum momento ele havia levantado a voz com as ironias dela. Ele não parecia merecer isso.
— Bom, veremos isso. Você tem algum lugar em mente? Onde o livro poderia estar?
— Não. Naquela confusão toda, não sei onde você o colocou. Talvez tivesse o enterrado no quintal?
— Boa sorte para cavar esse quintal todo. Não tem outra opção? — Eu realmente estou caindo na história dele? Eu acho que estou bem entediada.
— Não sei. São muitas possibilidades — comentou, pensativo.
Essa história está mal contada. Bom, o que vou perder entrando na onda dele, né? — Tudo bem, estava de noite, certo? Você disse que estava de noite quando aconteceu.
— Sim, estava.
— E o que você fez?
— Eu só me lembro do barulho das pessoas. Estavam começando a colocar fogo na casa. Eu falei para você correr. — Colocou a mão direita na testa, parecendo fazer força para se lembrar. — Eu... te puxei para fora e corremos para a floresta... — Estava fazendo tanta força que começou a ficar vermelho.
— Ei, não se force. — Rebeca tocou o ombro dele.
Aloys permaneceu de olhos fechados, e um pouco depois levantou a cabeça e olhou para ela. — Você estava com o livro... Corremos bastante... Até que não tínhamos mais fôlego. Você... estava chorando quando paramos. Você se ajoelhou no chão com o livro e o abriu, procurando algo. Eu perguntei o que você estava fazendo, e você me mandou calar a boca. — Deu um sorriso fraco. — Você começou a lê-lo baixinho. Com todo aquele barulho eu não conseguia ouvir. Então você terminou bem quando eles estavam perto de nós. Você pegou o livro e voltamos a correr. Estávamos correndo mais rápido ainda, mas tudo começou a ficar mais escuro, eu fiquei atordoado, e acho que desmaiei. E então senti-me caindo no lago. Assim que levantei, estava claro e silencioso.