Um garoto, aparentemente bem louco, surgiu no quintal de Rebeca falando como se a conhecesse e perguntando sobre um livro.
Ela o acha totalmente pirado, mas conforme Aloys conta vários detalhes da convivência entre eles, começa a acreditar e, quan...
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— Tudo bem, Maria... pode ir. — Rebeca disse de forma arrastada.
— Tem certeza?
— Sim... preciso ficar sozinha.
— Tudo bem. Me liga se precisar de algo.
— Ok... obrigada.
Maria levantou e andou para a casa.
Depois de ficar algum tempo na mesma posição, as pernas de Rebeca estavam doendo, mas ela não se importou. Queria ficar parada, querendo acordar daquele pesadelo.
Suspirou e antes de levantar, pegou a calça que Aloys estava usando e o par de tênis. Viu a corrente com o crucifixo e a pegou. A colocou no pescoço e andou lentamente até o celeiro.
Seus olhos estavam ardendo, mas as lágrimas não paravam de sair. Foi direto até a escada e subiu. Parou e olhou para o quarto improvisado. Sua lamparina elétrica estava no mesmo lugar de sempre. Até a tigela com o café da manhã estava lá.
Tudo aquilo só fazia aquelas sensações parecerem mais reais. Mas sem Aloys por perto, tudo parecia uma grande mentira. Uma invenção.
Todas as suas lembranças pareciam ter sido inventadas. Ou pareciam cenas de algum filme. Por que era tão difícil acreditar?
Rebeca andou arrastando os pés até a cama. Largou as roupas no chão e deitou, se cobrindo.
Estar ali deitada sem Aloys do seu lado era desolador. Era como se ela tivesse acordado de seus sonhos perfeitos e tivesse que encarar a solidão da realidade.
Era tudo mentira. Era tudo verdade.
Ela queria desaparecer da mesma forma que ele.
Fechou os olhos e tentou não pensar. O que era impossível. Em sua mente não havia nada além de Aloys...
— Beca?
Com um susto, Rebeca abriu os olhos. Estava tudo escuro, mas havia uma luz em algum lugar. Sentiu alguém encostar em seu ombro.
— Filha?
— Mãe...? — Se virou.
— O que você está fazendo aqui sozinha?
Rebeca olhou para o lado. Seu pai estava ali também, e era ele que estava com a luz.
Olhou ao redor, vendo onde estava. Viu as cobertas e sentiu o travesseiro molhado debaixo do rosto. As lembranças vieram, e antes de conseguir segurar, começou a chorar de novo.
— Beca? — Maristela agachou, colocando a mão no rosto da filha. – O que aconteceu?
Ela jogou as cobertas para o lado e sentou, abraçando sua mãe. Ela não sabia o que falar.