A moeda de troca

179 15 0
                                        

Hel caminhava em direção ao castelo imponente. Meu coração batendo no peito descompassado. A imagem a minha frente parecia sair de um filme de terror, daqueles antigos em que o herói vai até o lugar mais sombrio e medonho para resgatar a mocinha. A mão ossuda de Modgud ainda segurava meu braço fortemente. Graças a armadura que Loki havia me dado não teria marcas arroxeadas em minha pele.

A Rainha dos mortos parou de frente ao portão feito de ossos. Ela virou e a parte caveira dela olhou para a Guardiã como se desse uma ordem. Rapidamente Modgud me soltou e puxou uma pequena alavanca negra a frente. O portão tenebroso se abriu.

- Entre. - Hel bradou.

Ela passou pelo portão e Modgud fez um sinal para que eu fosse a sua frente. O pátio do castelo ficava cada vez mais tenebroso, apenas iluminado por tochas com chamas flamejantes de um tom azul. Passamos um corredor até chegarmos ao grande salão.

A magnificência do salão me deixou abobalhada. O local muito mais iluminado que o pátio. Hel subiu as escadas negras até chegar ao enorme trono de ossos. Ela se acomodou, cruzou as pernas e apoiou os braços no trono. Suas sobrancelhas erguidas e a expressão um tanto divertida.

- Diana O'connor... - Seu tom me fez tremer - Já fugiu de mim algumas vezes.

Oi? Eu nunca havia visto Hel em toda a minha vida, como haveria de ter fugido dela?

- Poderia ficar muito tempo contando tantas vezes que sua vida escapou entre meus dedos, porém há uma, que com certeza me deixou decepcionada. Na verdade eu desacreditava que você viria a mim daquela forma, e felizmente não veio. Realmente ficaria desapontada se morresse por uma doença tão boba, graças aos cuidados de Loki você sobreviveu e mais uma vez fugiu de mim.

Meus braços se arrepiaram ao me lembrar de como fiquei doente, e também da viagem astral que tive com Frigga, foi a primeira vez que havia encontrado Helheim e foi onde a nossa corrida para salvar a deusa começou.

- Não estamos aqui para falar de morte, não ainda. - Ela passou as unhas pelos lábios e sua expressão se tornou pensativa - Sei que vocês querem Frigga de volta. Sua alma deveria estar em Valhala, mas a roubei porque sabia que poderia ter algo muito mais valioso em troca.

- E o que seria mais valioso que a alma de uma deusa? - Questionei.

Seus olhos extremamente azuis me olhavam com diversão e insanidade, como se estivesse criando em sua mente uma estratégia perfeita.

- Ora, um colar muito valioso, talvez? - Hel gesticulou para o Brisings em meu pescoço.

Rapidamente meus dedos foram de encontro à jóia e eu a apertei em minhas mãos tentando enscondê-la dos olhos de Hel. O discurso da Rainha dos mortos não estava sendo nem um pouco convincente, havia mais significados em suas palavras do que ela fazia parecer. Olhei totalmente desconfiada para a deusa. Se ela quer o Brisings porque não negociou com Freyja?

- Não há motivos para desconfiar. Eu quero o Brisings, e vocês querem Frigga. - Ela bradou.

- Então porque não aceitou a proposta de Freyja? - Respondi no mesmo tom.

- Não era de meu interesse negociar com ela porque queria conhecer a garota que enganou a morte. - Ela me observou dos pés a cabeça como se tentasse ver algo dentro de mim.

Seus olhos encontraram Modgud um pouco atrás de mim, as sobrancelhas se levantaram como se estivessem se comunicando por olhares. Gostaria de ter Loki por perto, pois sentia que talvez, algo nada amistoso aconteceria.

- Diana... Será que poderia chegar mais perto? - Hel se levantou do trono e estendeu a mão para mim.

Recuei alguns passos, mas Modgud segurou em meu antebraço de forma bruta e me empurrou até a escada negra, perdi o equilíbrio e cai sobre os degraus com um baque. Tentei colocar as mãos para impedir que me machucasse, todavia meu peso só machucou meus pulsos. Minha bochecha contra o chão. Levantei os olhos e econtrei a Rainha dos Mortos de pé olhando para mim.

RedençãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora