Era madrugada quando seu telefone começou a tocar. Ela não teve dúvidas de quem estava lingando ás duas e meia da madrugada. – Olá. – Precisamos voltar a ativa parceira. – Escute. Isso tudo já acabou. Ela está feliz, vai casar-se e você precisa entender que acabou. – Não foi isso que você me disse há 15 anos. – Era diferente. – Era diferente porque agora você aprova o candidato não é mesmo? – O que fizemos foi errado, mas... – Ouça bem porque eu só vou falar uma vez. Não tem volta "amiga". Você me convenceu e agora eu quero o que é meu. Nós vamos terminar o que começamos há 15 anos e se você não me ajudar eu vou acabar com você e deixar que todos saibam quem você é o tudo o que fez para a "felicidade" dela. – Você afundaria junto comigo. – Não conte com isso, mas mesmo que eu afundasse com você não deixaria de fazê-lo, se eu não tiver o que me prometeu, então nada mais importa.
[chamada encerrada]
Pela primeira vez ela se arrependeu, não do que fez, mas de quem escolheu para ajuda-la. Passou o restante da madrugada tentando pensar no que faria para livrar-se do problema.
***
Quando os lábios se separaram Carlos permaneceu segurando a cabeça dela junta a sua, manteve seus olhos fechados e concentrou-se na sensação da testa dela contra a sua e em ambas as respirações ofegantes. Ela ainda era tão pequena em relação a ele, sempre amou a sensação de que podia protegê-la, a sensação do quão imponente parecia em relação a ela. – Você me destruiu Laura...
Carlos a abraçou apertado e continuou falando enquanto sentia a cabeça dela encostada em seu peito. Laura não relutou não se afastou, apenas espalmou suas mãos sobre as largas costas dele e em silêncio permaneceu ouvindo. – Eu não estou procurando o responsável por tudo o que nos aconteceu apenas para fazer justiça por tudo o que nos causou e por nosso bebê, mas também porque seja lá quem for ainda é um ameaça para você. Você me deixou e eu queria... queria te odiar com todas as minhas forças.
Laura sentiu que Carlos a apertava com mais força e que sua mandíbula estava travada, já o vira com raiva antes e a sensação lhe era familiar. Mas ele não a machucava, controlava sua força e pouco a pouco começou a afrouxar o aperto ao redor dela. – Mas eu não consigo. Eu não vou te fazer nenhuma proposta agora, mas quando isso tudo acabar quero que você lembre que eu estou aqui e que estou disposto o deixar o passado no passado se você também puder fazê-lo. Mas seja sincera consigo mesma.
Carlos se afastou dela e a encarou. Foram apenas alguns segundo, mas Laura não sabia o que fazer, se precisava responder, estava extasiada, mas tento formular alguma frase. – Eu... eu não sei se... – Apenas vamos entrar. Eu deixei o Bernardo em casa apenas com a babá. Vou te deixar dentro de casa e vou embora. Pacheco está na vizinhança vendo se acha alguma pista de quem esteve aqui e como esteve te vigiando. Vamos precisar fazer uma perícia no seu telefone e ver se encontramos algum rastro.
Laura concordou com a cabeça. – Agora vamos. – Carlos a pegou pela mão e se dirigiram de volta para dentro da casa. Ela subiu até o seu quarto e pegou seu telefone para entregar a Carlos. Quando desceu ele estava parado junto a porta para sair. Ela caminhou até ele e lhe entregou o telefone. – Eu trago de volta logo pela manhã, por favor, não saia sozinha. Vou ligar para o Ricardo amanhã logo cedo para contar-lhe do ocorrido dessa noite. – Eu preferia deixar meu pai fora disso tudo. – É impossível. Ele sabe de tudo Laura. Pacheco tem ordens de informar a nós dois quaisquer situação ou notícia nova. Seu pai saberá de qualquer maneira. – Tenho medo que façam algo a ele. – Ele é um pai para mim também. Jamais permitirei, agora suba e tente descansar, eu estou de saída.
Carlos pôs a mão na maçaneta para abrir a porta e sair, mas Laura segurou-lhe pelo braço fazendo com que ele se voltasse para ela. – Promete? – Prometer o que? – Prometa que não perderei mais ninguém. – Eu prometo que não perderá mais ninguém. – Você também. – Eu também não perderei ninguém. – Não. Prometa que não perderei você.
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O Tempo que estive aqui
RomanceLaura era uma menina doce, aberta e muito inteligente. Jamais se imaginou que a jovem promissora fosse se apaixonar por Carlos, ainda que o jovem fosse tão exemplar quanto Laura. Dominada por um pai ciumento e incentivada por um tio muito romântic...
