16.Pérola

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O tempo havia mudado bruscamente, o Sol e o calor que acompanhava o dia em São Paulo agora havia dado lugar para uma noite fria que se misturava com a constante garoa.

Após sair da residência Westminster, Sherlock não conseguia pensar em nada ou ter um raciocínio correto dos últimos acontecimentos, aquele pesadelo não saia de sua cabeça, sabia que a próxima vítima seria Molly Hooper, a pessoa com quem vinha nutrindo certos sentimentos todo esse tempo, a pessoa que o fizera descobrir coisas de si mesmo que jamais poderia imaginar que era capaz e agora aquela mulher, que também nunca saia de sua cabeça, estava correndo perigo e o maior detetive do mundo não era capaz de ajudá-la.

O moreno, que ainda estava parado na esquina próximo a residência remoendo seus pensamentos, puxou parte das longas golas pretas de seu sobretudo, fazendo com que parte de seu rosto ficasse protegido da chuva e seguiu uma pequena rua sem saber ao certo para onde estava indo.

Já se passavam das 21:00 horas, a rua estava deserta, comércios fechados, pouca movimentação de carros, não havia uma pessoa se quer tentando se proteger daquela noite gélida, apenas a imagem de um homem vestido com um enorme casaco preto, caminhando sem rumo pelas ruas.

Após alguns minutos de caminhada, o moreno avista uma pequena lanchonete que também era considerada um bar, pelo menos foi isso que Sherlock entendeu ao ver a sua frente uma placa, que mal se conseguia ler, devido a garoa que encobria parte de sua visão e devido a própria placa desgastada com o tempo, mas mesmo assim pode ler o nome do lugar, "Paulista Bar e Restaurante".

Assim que entrou no pequeno comércio, se deparou com um lugar aconchegante, bem diferente do que vira na parte externa que era bem humilde. O lugar não era grande, mas o proprietário soube aproveitar cada pedaço dali. O lado direito era composto por pequenas mesinhas redondas onde as pessoas podiam se sentar e apreciar uma boa comida, a outra parte do lugar era dividida por um pequeno bar, com um balcão em formato de semicírculo que ocupava quase toda a parede lateral onde fora enfeitada com diversas estandes contendo cervejas, vinhos entre outras bebidas alcoólicas.

Sentou-se em um banquinho próximo ao balcão, retirou seu sobretudo, já que o lugar estava bem aquecido, se virou para a enorme TV na parte superior do restaurante, que se encontrava no centro de uma das paredes da entrada do lugar para que todos pudesse assistir.

O moreno encarou a TV por alguns minutos, seus pensamentos sobre Molly ficavam cada vez mais fortes assim que se lembrou que a moça adorava a novela que estava passando naquele exato momento. Não se lembrava o nome da novela, nem ao menos gostava dessas coisas, achava uma perca de tempo se interessar por histórias e personagens que nem ao menos existiam, mas se lembrara do nome da emissora, Globo, pelo menos foi esse o nome que veio em sua mente e sabia, porque desde que chegara na cidade muitas pessoas comentavam sobre essa emissora.

– Posso ajudar senhor? – Um senhor alto e magro apareceu no balcão, tirando Sherlock de seus pensamentos e o impedindo que lágrimas caíssem de seus olhos.

– Vocês têm batatas? – O moreno disse encarando o rosto do senhor, evitando ao máximo olhar para a novela, que trazia Molly a seus pensamentos.

– Sim, temos. – O senhor pega um pequeno cardápio e o entrega a Sherlock. – aqui estão algumas porções, basta escolher.

Sherlock ficou um tempo parado olhando para o papel plastificado em sua mão, relembrou-se de que havia prometido a Molly que comeria batatas com ela, aquilo não estava certo, queria ter uma companhia naquela noite, queria que Molly estivesse com ele, para rir, apreciar aquele sorriso, o perfume amadeirado e observar cada detalhe daquele rostinho.

– Senhor? – Mais uma vez o balconista tirou Sherlock de seus pensamentos.

– Pensando melhor. – A voz do moreno falhou. – Não estou em um bom dia para essas coisas. – O moreno levanta a cabeça e observa algumas bebidas nas prateleiras. – Me dê a bebida mais forte que o senhor tem e por favor, não deixe meu copo vazio nem por um segundo.

O Mistério está em SampaOnde histórias criam vida. Descubra agora