A pergunta veio como um tiro para Molly, claro que já vinha se preparando para que um dia Sherlock caísse na real e perguntasse algo parecido, mas como o detetive era uma pessoa estranha, jurava que esse momento demoraria a chegar, isso se um dia chegasse.
Era como se Molly fosse uma adolescente recém saída do ensino médio, que acabara de conhecer o primeiro amor e não soubesse absolutamente nada que os próximos segundos lhe reservavam. Talvez porque Sherlock fosse a pessoa pela qual ela amou verdadeiramente e da forma mais louca, estranha e inimaginável que uma pessoa normal já fora capaz de se apaixonar.
– Tudo bem? – Sherlock perguntou, após ver que a garota não tinha reação e apenas o olhava atônita.
Molly literalmente não respondia a nenhum estimulo, estava paralisada encarando Sherlock, queria falar, mas nem isso era capaz de fazer, sentia um peso dominar sua espinha, podendo jurar que desmaiaria naquele exato momento. "Mas que bela cena vai ser não?" , pensou ela para si.
– Desculpe, esqueça isso, finja que nunca aconteceu nada. – O tom de voz do moreno era baixo e carregado.
– Não, não. Quero dizer...Sim. – Nem Molly sabia o que estava falando, respirou fundo, tentando recuperar o controle de seu corpo e principalmente sua fala. – Estou bem, não se preocupe. É que... fui pega de surpresa, ainda estou tentando digerir a pergunta.
Um silêncio se formou entre os dois, apenas o som dos carros e das pessoas conversando ao redor de ambos impedia que aquela tensão se tornasse ainda pior. Os pensamentos de Molly a matavam naquele momento, começou a lembrar na proposta de emprego que recebera naquela manhã, estava tão empolgada com o encontro que se esqueceu completamente de contar da boa nova para Sherlock.
Havia sido promovida para o cargo de chefe hospitalar, devido as grandes contribuições das analises que fizera para a ala da necrópsia entre outros estudos que havia feito no laboratório, esse cargo iria possibilitá-la a participar da formação de artigos nacionais e internacionais junto com suas pesquisas, podendo torná-la conhecida mundialmente. Ao mesmo tempo pensava em sua mãe e no quanto ela ficaria orgulhosa, logo esse pensamento foi interrompido por outro, em que lembrava o quanto esperou para achar alguém que ela realmente amasse e no pedido de Sherlock.
Tudo agora parecia um sonho de princesa, onde Molly se encontrava no altar e o "Sim" lhe levaria para uma vida incerta e confusa ao lado do homem de quem amava e o "Não", lhe traria de volta para sua vida normal, estável, que agora almejava de um ótimo emprego, nunca mais veria Sherlock e era bem provável que teria que ficar fugindo de Tom, pois sabia que ele viria atrás dela ao descobrir que o detetive fora-se.
Sherlock permanecia encarando a garota, que agora permanecia com o olhar perdido em direção a rua, o moreno sentia que seu coração iria saltar pela boca. Como era esperado, Molly não deu a resposta de imediato, nem se quer deu tempo de alguém pronunciar algo, já que ouviram o primeiro sinal da peça, indicando que faltavam poucos minutos para começar.
Foram para seus lugares, Sherlock analisava cuidadosamente a estrutura do lugar e se encantava com as tonalidades de dourados, que se misturavam com as luzes dos enormes lustres e o vermelho das poltronas. Ás vezes passava o olhar por Molly, mas a garota se quer o olhava, permanecia fixa olhando para o palco.
– Está tudo bem? – Sherlock perguntou apreensivo.
– Sim. – Molly foi curta e rápida com a resposta, tentando esboçar um sorriso para quebrar a tensão.
Sherlock se sentia desconfortável com a situação, suas mãos soavam e a presença da garota o deixava ainda mais inquieto. Queria abraçá-la, chorar, implorar por uma resposta e que esta fosse positiva. Por mais que a observasse a procura de algum gesto ou algo que lhe trouxesse uma resposta, não conseguia, era como se sua mente estivesse travada e sabia que isso era culpa do sentimento que o dominava.
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O Mistério está em Sampa
FanfictionSherlock é um brasileiro que mora em uma pequena cidade do interior da região Sul junto de seus pais, que vieram de Londres. Ao receber uma carta para a resolução de um caso, é atraído para uma das grandes metrópoles brasileiras, São Paulo, ou mais...