Capítulo 8

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POV Zayn


Fico olhando ela andar e não consigo nem me mover, quando ela some do meu campo de visão o nervoso diminui e meu coração se acalma, guardo o pão de mel que sobrou no meu bolso e volto para empresa.

Me sinto um retardado pela minha atitude, mas é mais forte que eu, bem mais forte, tão forte ao ponto que eu não tenho controle.

Entro no prédio me sentido um fracassado e vou para minha sala, me sento na poltrona pego o pão de mel do bolso e levo a boca, é uma delícia e eu podia ter perguntado como ela faz, ou poderia ter perguntado qualquer merda que fosse, mas como sempre eu travei, como sempre eu congelei.

Sim, definitivamente eu tenho algum tipo de autismo, mas eu tenho vergonha de procurar ajuda, e com 32 anos não consigo ser normal, quando isso tudo começou? Se eu me lembro? Sim me lembro.

Eu estava na pré-escola e tinha 6 anos, foi quando uma aluna nova entrou na escola, seu nome era Vivian, era a garotinha mais linda que eu tinha visto na vida, na época eu era tímido e tinha medo dela, até que um dia eu estava sentado lanchando na hora do recreio e Vivian se sentou ao meu lado, eu estava comendo um bolinho e ela perguntou "Quer um biscoito?", sim essas três palavras me fizeram congelar, meu coração batia acelerado e eu me mijei nas calças de medo.

Passei o resto do ano fugindo da menina e quando fiz 7 anos implorei pra mudar de escola, só assim tive paz, mas isso só durou por dois anos, pois aos 9 anos assim que começou o ano letivo Tanisha entrou na escola assim como outras crianças novas, Tanisha era linda e na segundo semana de aula ela disse "Você sabe a resposta da B? Eu acho que é 45, a sua deu 45?", congelei outra vez e dessa vez foi pior, pois caguei nas calças!

Para minha sorte quando aconteceu o sinal do recreio tocou e a professora foi discreta, só ela, a diretora e meus pais souberam, disse que passei mal e todo mundo acreditou, então começou meu martírio de fugir da menina e sentar longe o tempo todo, por sorte no ano seguinte eu fiquei em outra sala, mas todos os dias no recreio ficava atento para me manter bem longe dela, eu conversava normalmente com todas as outras meninas, mas com ele era sem condições.

Aos 12 anos mudei de escola outra vez, nós mudamos de casa e de bairro e esse foi o motivo da mudança, no primeiro dia de aula conheci Daniele, um anjo de cabelos loiros e olhos claros, fiquei encantado, mas bastou um "Oi" pra eu vomitar em cima dela, não foi um vomito comum, eu tinha comido gelatina de limão na noite anterior e no café da manhã mingau, o resultado foi a porra de um vomito verde nojento, depois daquilo eu não precisei fugir de Daniele, era ela que fugia de mim, pois voou vomito dentro da boca dela e depois daquilo a menina nunca mais me disse nem um oi, de certo modo foi um alívio, mas passei os anos seguintes em um verdadeiro inferno.

Eu queria ficar com ela, namorar, beijar, mas como? Como eu ia fazer qualquer coisa se bastava uma palavra dela pra eu vomitar, cagar ou mijar? Fui apaixonado por Daniele até o fim do ensino médio, enquanto meus amigos se vangloriavam por já terem transado e feito de tudo com uma mulher eu não tinha feito nada.

Diferente de todas as pessoas, ou melhor de todos os homens eu não me sinto atraído por qualquer mulher, nem eu sei explicar se tenho um tipo especifico, mas não é qualquer mulher que me atrai, pode parecer maluquice, mas não basta ter o corpo bonito e ser linda, e entendi isso aos 19 anos quando fui para um puteiro.

Eu queria transar, nunca tinha beijado e estava desesperado para mudar minha situação, na época estava com ódio de mim mesmo, pois dispensei várias garotas e nem eu entendia o motivo de eu ser tão estranho, no puteiro nenhuma moça me chamou atenção, mas acabei escolhendo uma e quando fui para o quarto com ela até fiquei excitado, mas não consegui transar e nem beijar a moça, a puta perguntou se eu era gay e sai de lá bravo.

Zayn Um Anjo Em Minha VidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora