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Deixa Deus te transformar.

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-Mamãe? -Sara perguntou sem se conter.

Jennifer olhou transtornada para Valéria.

-Eu não faço ideia de quem essa criança seja. -A jovem forçou um sorriso empurrando Valéria devagar.

-Mamã eu qelu vim mais vezes para a igreja!

-Ela é sua filha, Jennifer? -Mônica perguntou cautelosamente. -Por que nunca nos disse que havia ficado grávida? Que tinha uma menina de quase três anos! O que aconteceu de verdade? Quem é o pai? -Mônica perguntou preocupada, imaginava como deveria ser difícil criar uma criança e pensava no porque de Jennifer esconde-la dos outros, mas Jennifer não sentiu nenhuma preocupação vinda da parte daquela Obreira.

E estava ali, poderiam dizer que era algo apenas da sua cabeça, mas era o que a garota estava tentando evitar com todas as forças:

O olhar de pena e julgamento.

Ela havia prometido para si mesma que ninguém a faria se sentir não, e não seria agora diferente.

-Mamã tá...

-CALA A BOCA! -Jennifer gritou e antes mesmo que Valéria pudesse pensar em recuar, a mulher a empurrou com toda a força e jogou a menina no chão. -EU DEVERIA TER DADO UM FIM EM VOCÊ QUANDO TIVE A OPORTUNIDADE!

Jennifer começou a se aproximar de Valéria para bater na garotinha sem se importar com todos a sua volta.

-Jennifer! -Mônica a chamou, mas Jennifer não a escutou. -JENNIFER! -Ela segurou o braço da garota com força e com a mão livre sem pensar duas vezes, Jennifer deu um forte tapa em seu rosto.

Mônica olhou alarmada para Jennifer enquanto afagava seu rosto tentando amenizar a dor causada pelo tapa.

-JENNIFER, PARA COM ISSO! -Sara gritou quando a mulher pegou Valéria pelo braço agressivamente. Valéria chorava e quanto mais chorava, mas raiva Jennifer sentia.

Foi então que antes que a mulher pudesse fazer qualquer besteira a criança, alguém conseguiu entortar o braço de Jennifer e com a dor a mulher pareceu ser trazida de volta para a realidade.

Jennifer soltou um gemido assim que soltou Valéria e puxou o braço para si.

-Jennifer. -Patrick a encarou. Seus olhos azuis estavam escuros e o rapaz apertava sua mão em um gesto claro que tentava controlar a sua raiva.

-Por que ela está aqui? -Jennifer perguntou com a voz rouca.

-Isso não importa, Jennifer. O que você quase acabou de fazer?

-É CLARO QUE ISSO IMPORTA! -Ela gritou histérica. -ELA NÃO DEVERIA ESTAR AQUI!

-Ela é a sua filha, uma hora ou outra eles iriam descobrir!

Jennifer riu secamente:

-Agora eu sou a coitada que tem uma filha!

Patrick respirou fundo, então era isso. A opinião das pessoas para Jennifer valia mais do que qualquer coisa. E era aí que Patrick via o quanto ambos eram parecidos. O orgulho. A avareza. A inveja. A ilusão. A ambição. Tudo que o rapaz teve ele estava vendo ali na sua frente. Jennifer era uma cópia idêntica a ele, mas seus motivos para ser daquela forma eram outros. Patrick sabia pouco do passado da moça, sabia que não havia sido fácil, mas aquilo não importava, se ele, mesmo tendo feito o que fez, conseguiu uma chance para voltar, então Jennifer tinha também.

-Olha, Jenny. -Ele segurou seus braços. -Eu sei o que você está passando.

-Não sabe! -As lágrimas escorriam pelo rosto da garota borrando a maquiagem.

-Eu também me preocupava com o que as pessoas iriam pensar de mim, me preocupava se eu iria conseguir agrada-los ou não, mas eu não me preocupava com o mais importante que era o que Deus achava. -Jennifer não encarava Patrick, olhava para o chão envergonhada. -Mas eu escolhi mudar, Jenny. Vi que ninguém poderia fazer nada por mim, eu não devo satisfação a nenhum deles, ninguém pode me dar paz, alegria ou transformar a minha vida, mas Deus podia e era isso que eu tinha que entender... Você só precisa aceitar a Deus, Jenny.

-Patrick, eu sei disso tudo!

-Se sabe então por que não pratica? Por que não coloca para funcionar? Para mudar a sua vida? -Ele soou desesperado.

Jennifer abriu a boca para dizer que não tinha forças, que ela estava cansada, que ela ia entregar o jogo, que ela precisava de ajuda, mas nada daquilo saiu.

-Você não entende. -Ela repetiu e tirou as mãos do rapaz de seus braços. -Me deixa em paz! -Ela nem se deu o trabalho de pegar as suas coisas, apenas saiu da igreja e sumiu na noite.

Patrick pensou em ir atrás dela. Sabia que deveria correr e dizer que a ajudaria mudar tudo aquilo, mas o rapaz balançou o rosto e voltou para a igreja em silêncio, quando chegasse em casa, conversaria novamente com Jennifer, ele daria todo o apoio necessário a ela.

Mas se ele soubesse o que estava por vim...

Feito de OrgulhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora