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Uma ida até a igreja.

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Era estranho estar em frente a porta da igreja e não entrar. Algumas pessoas passavam por ele, umas davam bom dia, outras torciam o nariz pelo mal cheiro, mas nenhuma fazia ideia de que ele era Patrick. De que ele havia sido Pastor.

Uma parte dele queria muito entrar, quando escutou a primeira música ele se sentiu como se tivesse sete anos, a música era suave e ele lembrava de ter sido uma das primeiras que ele havia aprendido a tocar no teclado.

"Eu te amo, sim! Meu Deus!
Te amo pra valer!
Eu não sei viver, meu Jesus
Longe, longe do Senhor...!"

Enquanto uma parte implorava, a outra só pensava eu não posso entrar assim do nada, o que irão dizer?

E foi essa parte que o fez se sentar na porta da igreja e respirar fundo. Então um rapaz bem vestido saiu da igreja e se sentou ao lado de Patrick.

De esguelha, Patrick pode reconhecer os cabelos encaracolados e castanhos de Rafael.

Quer dizer, Pastor Rafael.

-Você não vai entrar? -A voz grave de Rafael perguntou, mas Patrick continuou em silêncio. -Acredito que lá dentro você fará um maior aproveito da sua vinda até aqui.

Patrick soltou uma risada sem humor:

-Não está se lembrando de mim, Pastor Rafael? -Patrick olhou para Rafael e tirou o capuz sorrindo amargamente.

-Patrick... -Rafael sussurrou surpreso.

-Em carne e osso.

-E a alma?

-Eu não faço ideia. -A boca de Patrick amargou e ele balançou a cabeça desolado.

-Você deveria participar dessa reunião, ela pode mudar isso.

-Rafael. -Os olhos azuis de Patrick se alarmaram. -Em que mundo você vive?

-Como assim?

-Eu era Pastor! Essa igreja toda me conhece! Todos sabem que eu cai com a Jennifer. Imagine o que eles irão falar de mim! Até hoje, nem meus pais sabem que eu saí de Pastor, muito menos que eu agora virei um usuário de drogas...

-Você se importa mais com o que as pessoas pensam do que com o que Deus pensa sobre você?

-Rafael, você não entende... -Patrick soltou uma risada nasal. -Desde pequeno todos acreditavam que eu seria um grande Pastor, que a minha vida estava entregue no Altar! Eu era um exemplo de perfeição, todos queriam ser como eu, eu não podia errar, eu era um boneco de porcelana sem erros, sem defeitos. Ninguém desconfiava que tudo isso era aparência...

-Você esquece Patrick que pode enganar todo mundo, menos a Deus... E se você morrer hoje? -Patrick arqueou as sobrancelhas loiras. -Essas pessoas não poderão fazer nada por você, o inferno é real e você sabe de toda a verdade.

A lembrança da moto vindo em sua direção, a lembrança do corpo de Teresa jogado no meio da Avenida e o sangue escorrendo pelos seus lábios o deixou ligeiramente tonto.

-Era pra eu estar no hospital, não a Teresa. -Patrick revelou.

-Como assim? -Rafael perguntou franzindo as sobrancelhas.

-Eu estava no meio da rua e não vi a moto, ela me empurrou e foi atingida em cheio.

A expressão de Rafael escureceu, mas o rapaz apenas respirou fundo e disse:

-Eu não vou te obrigar a entrar na igreja e se entregar de verdade, Patrick. Você não tem que recomeçar, afinal você nunca começou. -O rapaz engoliu em seco com aquelas palavras. -Tem que deixar tudo isso para trás se quiser conhecer o que Todo mundo diz.

Patrick se levantou:

-Você tem razão, Rafael, mas ainda não estou pronto.

-É só você entrar...

-Não, não é só eu entrar. Eu ainda me importo, e muito com o que as pessoas vão falar de mim.

-Mas...

-Um dia a gente irá se encontrar, Pastor. -Patrick deu de ombros e começou a caminhar.

-Espero que não seja tarde.

Patrick se virou e deu um sorriso amarelado:

-Não será, eu prometi para Teresa e vou cumprir! -Ele limpou a garganta e se lembrou de algo que ele já deveria ter pedido desculpas há muito tempo. -E me desculpe...

-Pelo quê? -Rafael perguntou confuso.

-Pelas mensagens, fui eu que enviei dizendo para que ficasse longe de Teresa.

Patrick sabia que havia sido uma atitude muito infantil de sua parte. Ele estava namorando com Teresa, e quando descobriu que Rafael havia voltado para o Brasil e a garota havia sido uma das primeiras pessoas que ele havia procurado o sangue ferveu e o ciúmes gritou.

Naquele tempo nada importava e ninguém podia sequer olhar para Teresa.

Rafael abriu a boca para responder, mas Patrick levantou uma das mãos para o interromper:

-Até breve, Pastor. Ore pela minha alma!

Feito de OrgulhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora