Freedom

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"I really want freedom..."

E eu queria apenas me acabar em grossas lágrimas debaixo das águas do chuveiro, mas tudo que pude fazer foi remoer durante muitas horas seguintes em meio a sorrisos falsos e opacos o quanto eu sabia que era destrutiva.

No fim, tudo à minha volta parece do mesmo jeito insignificante, então retomo o prumo dos meus pensamentos antigos onde leio sobre pessoas que se quebram e consertam, nesse cenário sempre serei a pessoa que quebra. Pois, sim, é apenas isso que minhas mãos fazem.

Lágrimas nunca salvaram meu mundo por que não posso chorá-las, então no porão das minhas escrituras venho compartilhando as imaginárias que solto através de palavras a fim de uma liberdade. Mas, mesmo depois de escrever, publicar, apagar, queimar ou seja lá o que eu faça sei que tudo vai continuar o mesmo.

A premissa da destruição vai me perseguir. Então, se extinguirá a vontade de gritar porque isso me corrói tanto, toda a angústia vai se findar quando eu esboçar o sorriso para ninguém ver, o sorriso para minha alma copiar, mas ele também será destruído posteriormente.

É, é isso que estará dentro do meu âmago pelo resto dos outros dias da minha vida, por mais que eu esqueça por dias, meses ou anos, uma hora vai voltar. Uma hora vai esmagar da mesma maneira que está fazendo agora e uma hora eu vou tornar a repetir esse mesmo texto implorando para coisas que não acredito, para a mente acometida pelo sono, clamar para mim e para os ventos um pouco mais daquilo que todos aparentam ter. Eu quero liberdade para pensar.

Tudo que eu mais queria nessa maldita merda, liberdade para pensar.

Mesmo que eu saiba que os entalhes de peças quebradas sejam culpa minha, mesmo que eu saiba que muitos podem estar magoados por minha culpa e que outros deveriam estar assim, mesmo que o justo seja que me xinguem, julguem e digam, eu não quero. Posso fazer isso por eles. Faço isso por eles quando não olham, pois não tenho liberdade de fazer a suas frentes.

Faço isso pois não tenho liberdade para lhes falar o que penso, bater no que quero, chorar o que quero. E, não, não são eles que me prendem, mas alguns que me prenderam em outro tempo, alguns que cravaram a ferro quente lá dentro o quanto sou um ácido corrosivo e bruto que é melhor ficar longe. Talvez eu esteja escrevendo isso para que você fique longe, ou talvez implorando para que fique perto.

É bom, ao menos nas palavras, ter um pouco de liberdade e é árduo tentar não invejar a dos outros que contam sobre sua lágrimas, guerras e discordâncias. Todas cantadas, faladas e expressas enquanto eu me mantenho no grito oprimido em um quarto empoeirado e esquecido. Mas, com certeza, não se preocupe porque sou um elemento radioativo destrutivo e tenho que estar lá, apesar de não gostar. Sei que é minha obrigação.

Contudo, sim, eu preciso de liberdade.

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