Então, ela respira mais uma vez na tentativa de esquecer aquilo que sua mente está tentando empurrar pela sua goela.
É uma verdade, em parte, e isso incomoda no seu peito.
Tanta coisa ao redor, mundo afora para se preocupar. Quem liga para esses minimalistas detalhes?
Ainda assim, numa friagem noturna, ela se pergunta se essa maneira está certa. E como outras milhares de vezes em uma daquelas madrugadas, pergunta-se se deveria estar fazendo do jeito que faz.
Pergunta-se se é suficiente e escuta um sussurro negativo como resposta. Só pensa que tudo está caindo por esse breve momento enquanto aquelas lágrimas não descem... Nunca, não por essa razão. E pensa tantas coisas negativas que formam uma teia, ou, de forma melhor colocada, pega do baú a teia formada das coisas negativas e finge não pensar.
Essa é a maneira certa?
A angústia cresce.
Ela respira mais uma vez, é apenas um momento.
É apenas de madrugada. Não é algo sério, haha, não é para valer.
Mas está lá, outro sussurro, de que vale todo o resto? De que adianta segurar tanto? Vale a pena esperar a tempestade acabar?
Então, ela pisca. E ela ignora o próximo sussurro. Devagar, bem devagar, ela vai apegando-se à música e esquecendo de tudo como sempre.
Essa é a maneira certa?
— 19/12/19
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Freedom
Non-FictionOnde o grito surge como o uivo de um lobo. Uma busca insaciável por ser livre de correntes que prendem palavras. Coletânea de desabafos. #1 liberte-se 27 de maio de 2021
