Ano 1. O Expresso

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A plataforma 9 3/4 — invisível aos trouxas — estava apinhada de alunos que, em poucos minutos, iriam para o colégio mais legal de todos. Eram centenas de bruxos e bruxas, corujas, ratos, sapos, malões e vassouras, que formavam uma agradável confusão de sons, cheiros e cores envolta numa atmosfera mágica.

Porém, na visão de Remo, não existia nada mais agradável que a Maria-Fumaça vermelha que todos conheciam como Expresso de Hogwarts. O Expresso era calmo e confortável, perfeito para ler um livro ou dormir, com cabines grandes e uma bruxa carregando um carrinho de doces ao longo do trem. Ele mal podia acreditar que estava ali.

Aliás, mal podia acreditar na maioria das coisas que vinham acontecendo. Primeiro a carta de admissão, depois a repentina mudança de seus pais, permitindo que ele frequentasse o colégio de magia e, agora, ele estava embarcando no trem que o levaria a sua tão amada Hogwarts. Parecia bom demais para ser verdade.

— Er... Posso ficar aqui? As outras cabines estão cheias. — A voz de um menino o arrancou de seus pensamentos.

— Claro — respondeu, sem dar muita atenção ao futuro colega.

— Hã... Sou Pedro Pettigrew, e você? — O menino se apresentou.

O menino vestia as vestes de Hogwarts e parecia bastante pequeno para sua idade, e um pouco gorducho também, reparou Remo.

— Meu nome é Remo. Remo Lupin.

— Hogwarts deve ser legal, não é? Acredita que quase não vim?

Pedro estava tentando fazer amizade com ele. Isso assustou Remo, que adoraria voltar a divagar sobre os motivos de seu pai ter permitido sua entrada na escola. Porém, a fala de Pedro atiçou sua curiosidade.

— Sério? Por quê?

— Minha coruja demorou a chegar, então meus pais pensaram que eu era um aborto.

— Mas você não havia demonstrado sinais de magia antes? — Indagou Lupin, que achou aquilo muito estranho.

— Sim, mas sabe como é né?

— Sei... — Na verdade, Remo não sabia, mas precisava parecer legal. Afinal, Pedro era a primeira criança que falava com ele.

Os meninos solitários não conversaram muito depois disso, nenhum dos dois sabia o que dizer. Até que a porta da cabine se abriu repentinamente. Por ela, passaram uma menina com belos cabelos castanhos avermelhados, quase ruivos, e um menino de cabelos muito oleosos.

— Aqui está bom, Sev — dissera ela.

— Quem são vocês? — Perguntou Remo, assustado com a presença dos dois.

— Sou Lílian Evans e este é Severo Snape — a garota apontou para seu amigo.

— Er... Remo Lupin.

— Pedro Pettigrew.

— Prazer em conhecê-los — disse Lílian.

— Lily, não é melhor procurarmos outra cabine, mais vazia? — Severo cochichou no ouvido da garota.

— Não seja bobo, Sev...

Lílian começou a falar, mas fora interrompida por outros dois garotos que abriram a porta da cabine. Ela pareceu reconhecê-los imediatamente, e Lupin achou melhor assim, já estava farto de apresentações.

— Ora, ora se não é o menino ranhoso e a menininha chata outra vez. — Debochou um dos garotos, o que usava óculos e tinha cabelo altamente desgrenhado.

O outro menino riu e, então, em um borrão, Lílian voou em cima do de óculos e deu-lhe um belo soco.

Os MarotosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora