Ano 1. Aposta

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Remo acabara de abrir o livro de transfiguração quando Rúbeo, com todo o seu tamanho incomum, adentrou na biblioteca. Caminhou em sua direção, fazendo tamanho estardalhaço que a bibliotecária - uma bruxa atarracada, com algumas mechas grisalhas entre os fios negros e grandes olhos de conta castanhos claros, que lembravam os olhos de uma coruja - levantou-se e pediu que fizessem silêncio.

- O que foi, Hagrid? - Cochichou o garoto para o meio-gigante

- Dumbledore. Quer vê-lo. Imediatamente. - A resposta veio num tom anormalmente alto para o local onde se encontravam; a bibliotecária lhes lançou um olhar severo.

- Fale baixo, Hagrid! - E aproximando-se ainda mais de Rúbeo, falou mais baixo que um sussurro: - A senha é a mesma?

- Ele não está no escritório.

A bruxa vinha em direção a eles, prestes a expulsá-los, quando Remo levantou-se e, fechando os livros, foi para a porta. Hagrid o seguiu, o mais desajeitadamente possível.

- Onde ele está? - Perguntou quando já estavam a alguns metros de distância da biblioteca, onde ninguém poderia ouvi-los.

- Na orla da Floresta, é claro - tomou o passo a frente enquanto falava, andando rápido demais, obrigando o garoto a correr para acompanhá-lo.

Cobriram a distância até a floresta sem dizerem uma palavra. Remo estava nervoso. Esta seria a sua primeira noite como lobisomem no castelo. Não sabia o que esperar. Tantas eram as coisas que poderiam dar errado. Ele realmente achara uma boa ideia aquela do Dumbledore, entretanto, face a face ao momento crucial, não tinha mais certeza. Sabia que o homem era considerado um dos bruxos mais inteligentes do século, porém... Era tudo muito perigoso; muito complicado e até um bruxo tão brilhante como o diretor do seu colégio, poderia errar. Todavia, precisava confiar em Dumbledore. E iria fazê-lo. A certeza da conclusão deu-lhe mais força e coragem para seguir em frente, em direção a orla da Floresta Proibida.

- Vai dar tudo certo - dizia baixinho para si mesmo, a cada passo que dava.

Alguns minutos depois, estavam próximos a cabana de Hagrid. Dumbledore esperava por eles, segurando um lampião acesso, sem necessidade alguma, visto que o céu ainda estava claro. Porém, o bruxo sempre fora meio estranho mesmo. Ao seu lado, um gato com quadrados ao redor dos olhos miava.

- Será útil na Floresta - comentou Alvo, ao ver o olhar do menino pairando sobre o lampião.

- Mas posso...

- Acender a varinha? - Sorriu, seus olhos azuis pareciam perfurar e ler cada pedacinho da alma de Remo. - Sugiro que a guarde; não a queremos quebrada, não é mesmo?

- Hã... Diretor? - Hagrid chamou meio desconfortável, hesitando. - A lua, o sol...

- Ah, claro! Muito bem lembrado Hagrid. - Sorriu e virou-se para o garoto, ficando novamente sério. - Quero que preste muita atenção. Entrará na Floresta e ficará onde Hagrid o deixar. Não mexerá em nada; não fará barulho e muito menos magia. Entendeu?

- Sim, senhor - assentiu o menino, e olhou hesitante para o gato, até, por fim, questionar: - Ele irá também?

- Receio que seja ela. - Um sorriso zombeteiro surgiu nos lábios de Alvo, como se soubesse de algum segredo desconhecido ao olhar o gato. - E sim, ela irá também.

***

Já era tarde da noite, apenas uns poucos alunos estavam na sala comunal da Grifinória àquela hora. Alguns jogavam Snap Explosivo; outros tentavam terminar, de última hora, as toneladas de exercícios passadas pelos professores. Dentre estes últimos estavam Pedro, Tiago e Sirius; os dois parentes o faziam de má vontade, resmungando frequentemente.

- Me lembre, Pedro, por que diabos seguimos seu conselho? - Sirius fazia cada vez mais garranchos no pergaminho à medida que a irritação e o sono aumentavam.

- Porque o Remo iria nos matar se copiássemos o trabalho dele - respondeu o menor do grupo, sem piscar seus úmidos olhos.

- Ele nem ia perceber - bufou o único Black grifinório da história da magia.

- Ele tem sono leve.

Tiago riu perante a afirmação.

- Sono leve? - Riu novamente. - Aposto que está passeando pelo colégio.

- O Remo? - Foi a vez de Sirius rir. - Até parece que o Sr. Certinho iria descumprir alguma regra.

- Por que não? Fazemos isso sempre...

- Acontece que o Remo só quebra regras quando está com vocês.

- Pois eu aposto com os dois, Senhores Pettigrew e Black, dois galeões e dois sicles de cada, que ele não está nos dormitórios ou banheiro. - Tiago estava quase debruçado por sobre os trabalhos, as sobrancelhas arqueadas, em desafio.

- Tudo bem. Mas você dará dois galeões e dois sicles para cada um de nós - apontou para si e para Pedro - quando perder.

- Acontece, caro amigo, que não irei perder.

Com uma piscadela, subiu as escadas que levavam ao dormitório, ansioso para receber logo sua recompensa.

Os MarotosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora