Ano 2. A Revolta de Euphemia Potter

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Os dias eram ensolarados com nuvens brancas no céu. Brisas ou chuviscos inexistiam no quente clima de verão. A quietude e o silêncio reinavam, indicando que a maior parte dos moradores havia viajado em busca de um lugar mais fresco e divertido para passarem as tão esperadas e merecidas férias. Parecia até que o Largo Grimmauld havia parado no tempo. Entretanto, a casa que ostentava o número 12 destoava de todo o cenário. Ela parecia mais uma zona de guerra.

A imponente moradia de pedra pertencente aos Black abrigava visitas. Os Potter e os outros Black vieram passar alguns dias, criando um clima de bagunça extrema e incomum. Tiago e Sirius divertiam-se importunando Narcisa e Belatriz. Walbruga e Euphemia não paravam de discutir a respeito da educação de Tiago. Régulo se trancara em um dos cômodos para fugir das briguinhas familiares. O clima tenso passara a afetar até as corujas: elas piavam sem parar ao menor sinal de barulho. Gritos entrecortavam manhãs, tardes e noites quentes em demasia. A situação na Mui Antiga e Nobre Casa dos Black estava insustentável; nenhuma refeição era feita sem a presença de comentários irônicos ou sarcásticos, broncas e indiretas. Nunca antes na história, os Black estiveram tão desunidos.

Walburga e Orion viram-se obrigados, num daqueles dias que nem a magia pode deixar o clima mais ameno e que a paciência não é mais contida pelo simples contar dos números em ordem cardinal, a dar um basta naquilo. A começar por Fleamont e Euphemia. A mulher podia ostentar o sobrenome 'Potter', mas ainda era uma Black. Quanto ao homem, era um sangue-puro e tivera a criação de tal. Era incompreensível como o filho do casal saíra às avessas. A única explicação plausível, como a jovem Narcisa dissera há algumas refeições, só poderia ser a falta de pulso dos pais que faziam absolutamente tudo o que Tiago queria.

— Teremos uma conversa sincera com eles sobre como as atitudes e ideias absurdas daquele menino são perigosas — dissera Walburga enquanto prendia os espessos fios negros numa trança bem elaborada.

— Claro que iremos, querida. — Orion massageava os alvíssimos ombros da mulher, à mostra no belo tomara que caia que usava. — Euphemia só não percebeu que o filho cresceu. Fleamont é mais sensato, todavia, os cílios da minha 'tia' sempre foram seu ponto fraco.

— Exatamente. E quanto mais cedo perceberem isso, melhor. — Pôs a presilha prateada cravejada de esmeraldas que ganhara do marido no último Natal no cabelo.

Aquela seria a última noite de Cygnus e Druella na casa. Partiriam no dia seguinte bem cedo e a Sra. Black queria se despedir a altura, com um grande jantar.

— Tia? — Uma voz falsamente dócil, vinda do outro lado da porta do quarto, chamou.

— Entre.

A porta foi aberta e dali entrou uma moça baixa e magra. Os cabelos louros, que geralmente caiam livres até a cintura extremamente fina, estavam presos num perfeito e impecável rabo-de-cavalo alto que afinava ainda mais seu rosto. O vestido de veludo verde destacava seus frios e teimosos olhos azuis. Em nada se parecia com as irmãs de olhar manipulador e pupilas escuras acompanhadas por fios capilares mais negros ainda. Belatriz, despojada e extrovertida, não tinha escrúpulos em se tratando de defender seus ideais; Andrômeda, sempre tímida, acatava tudo o que os mais velhos diziam (até o dia do incidente, é claro). Talvez por ser a mais nova, Narcisa era vaidosa e ambiciosa, recebendo exatamente o que desejava.

— Diga — ordenou Orion para a sobrinha favorita.

— Monstro pediu para informar que o jantar está posto.

— Já estamos indo.

Narcisa retirou-se. Ao descer as escadas, esbarrou em Tiago e Sirius, aos risinhos.

— O que estão aprontando? — Olhou-os de cima a baixo, autoritariamente.

— Nada. — Sirius lançou-lhe seu olhar mais cínico e puxou o melhor amigo a um canto distante.

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