Ano 2. Os planos do Potter

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Depois de esperar por alguns minutos, Tiago decidiu sair da sala mágica e misteriosa que lhe servia de esconderijo. Não poderia mais se demorar ali, ou a professora Minerva e Snape chegariam antes dele à biblioteca. Aliás, era pra eles já estarem lá. Por sorte, Marley deveria estar atrasando-os. Confiava nela. Ela não falharia com ele. Nunca falhava.

Potter abriu a porta da salinha mágica bem devagar. Teve todo o cuidado de olhar para os lados, para ter certeza de que ninguém o veria sair dali. Quando viu que ninguém passava pelo corredor, saiu de lá. Parou apenas para ver a porta da sala se encolher, até desaparecer. Então, pôs-se a correr desabalado pelo castelo. Derrubava alguns alunos pelo caminho, que nem percebiam quem ou o quê os tinha atingido. Corria contra o tempo. Pela sua própria vida, porque a professora McGonagall o mataria se descobrisse que ele burlara a detenção. Ela nem ao menos ia se importar com o fato dele voar bem e ser uma das futuras melhores apostas da Grifinória esse ano para o time de quadribol.

Ele virou em um corredor, o último antes da biblioteca, e estacou. Marlene estava de costas, gesticulando desesperada. A sua frente, estava a professora de transfiguração. E, ao lado dela, com um sorriso irritante e arrogante de quem havia ganhado na loteria bruxa, se encontrava Severo Snape. O Ranhoso.

— Eu te disse, professora. Potter estava naquele teste de quadribol. Eu vi com os meus próprios olhos — ele falou, se deliciando ao fazer essa observação.

— Se ele estava lá, como a professora não o viu, hein? — Marley perguntou, desesperada. Rezava para a professora ouvir o argumento dela.

— Realmente, Sr. Snape, o Potter não estava no campo e todos confirmaram que ele não apareceu por lá hoje — Minerva disse, e então olhou profundamente para Severo. — Como explica isso, Severo? Porque, para mim, parece mais uma birra de garotos de casas rivais.

O sorriso de Snape se desfez na hora. As feições dele ficaram azedas, e Tiago teve vontade de rir ao vê-la. Mas se segurou para não denunciar a sua presença. Marlene também sorriu vitoriosa, ao ver a derrota do colega sonserino.

— Eu não sei — disse o Ranhoso, tentado se recompor. — Provavelmente essa daí e todos aqueles fãs dele devem ter mentido. Só pra proteger o Potter.

Marlene só sentia raiva daquele protótipo de invejoso dedo-duro. Enquanto Snape esperava que Minerva aceitasse o que dissera. Mas a professora o olhou com um misto de pena e severidade. Franziu os lábios de seu jeito típico, antes de começar:

— Sabe o que eu acho, Sr. Snape? — Ela perguntou, sem esperar resposta. — Que o senhor e o senhor Potter tem alguma espécie de rixa. E eu quero que fique bem claro isso aqui: não vou compactuar com esse tipo de coisa. Então, se por acaso o senhor fizer o Potter dizer que estava naquele campo de quadribol hoje, eu posso puni-lo. Caso contrário, se continuar insistindo nessa história, é você quem irá para a detenção.

— M-mas... M-m-mas... — ele gaguejava, vermelho de raiva. Marlene sorria satisfeita.

Então, Tiago achou que era hora de acabar com aquilo tudo. Até porque o trio caminhava para o lado em que ele estava, e se fosse pego ali, Minerva acreditaria no Ranhoso sem nem pensar duas vezes. Assumiu uma expressão neutra, como se não estivesse ouvindo aquela conversa até aquele momento.

— Boa tarde, professora — disse. — Espero que não tenha atribuído a minha ausência a uma fuga da detenção — então ele piscou para Marlene.

— Senhor Potter — cumprimentou a professora. — Espero que esclareça a sua ausência, isso sim, já que os seus colegas não souberam fazer.

— Bem, eu estava no banheiro — disse Tiago, rezando para os outros três não terem dado nenhuma desculpa esfarrapada.

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