Tiago sentia dores na coluna toda vez que forçava seu corpo para frente a fim de ultrapassar Remo. Felizmente, a pequena placa d'O Caldeirão Furado já podia ser avistada. Alguns metros abaixo, um menino pequeno olhava, nervosamente, para todos os lados da rua.
— Aquele é o Pedro? — Remo perguntou, apurando as vistas. — Não era pra ele nos esperar lá dentro? — E começou a resmungar sobre as responsabilidades de cada um e a capacidade de seguir os planos traçados.
— A-ham — Tiago sorriu marotamente, sem dar muita importância às chatices do amigo lupino. — Vou pregar uma peça nele.
Antes que Remo pudesse protestar, Tiago começou a perder altitude suavemente. A vassoura foi deslizando no ar em direção a um beco escuro, na lateral da estalagem bruxa. Algumas caixas se encontravam ali e, escondido entre sacos de lixo, um porta vassouras. Obviamente, aquele lugar fora feito para os bruxos estacionarem antes de entrarem no Beco Diagonal através do Caldeirão.
Quando pisou os pés no chão, já havia esquecido todas as dores de seu corpo. O cérebro processava apenas o susto que daria no jovem Pettigrew. Nisso, e na aventura que estava cada vez mais próxima.
Calmamente, recostou a vassoura na parede do beco. Preferiu colocá-la no lugar mais visível possível para que Remo não tivesse dificuldades para encontrá-la quando passasse por ali. Claro que havia o perigo de um trouxa passar e vê-la, contudo, a hora tardia e a pouquíssima luminosidade diminuíam este risco. Então, abriu a mochila preta que carregava nos ombros e retirou de lá a capa da invisibilidade — seu bem mais precioso — e cobriu-se com ela.
— Lumus — sussurrou para a varinha que acendeu imediatamente.
A pequena luz mágica o auxiliou a sair dali e caminhar em direção à calçada. Com o caminho iluminado pela varinha, Tiago dirigiu-se ao local onde Pedro se encontrava.
— Nox — disse quando estava perto o suficiente do amigo.
Na escuridão da noite, com apenas um poste no fim da rua a iluminar a cena, Potter aproximou-se cada vez mais de Pettigrew. Colado nele, bafejou no pescoço do garoto:
— Buh!
Pedro gritou o mais alto que conseguiu e, com um pulo, caiu de bunda no meio fio. Seu rosto estava mais pálido que o normal. Balbuciava coisas sem sentido. No meio da confusão, puderam entender coisas como "fantasma" e "assombração".
Era a cena patética de uma criança com medo da própria sombra. Adultos ririam daquilo. Entretanto, Tiago quase passou mal de tanto gargalhar. E, como ainda estava vestido com a capa, o jovem Pedro tremeu-se ainda mais com o terror que sentia.
Por sorte, o sempre solidário e racional Remo Lupin já vinha voando ao encontro deles. O sorriso que o lobisomem carregava no rosto esmoreceu ao ver a situação que Tiago criara. Uma carranca ocupou o lugar da animação que sentia e rasgou o ar até, finalmente, chegar à calçada. Segurando as duas vassouras, uma de cada lado, olhou feio para o lugar onde Tiago deveria estar:
— Sai já daí, Potter! — Ordenou.
Tiago jogou a capa da invisibilidade no chão, agachando-se para rir um pouco mais. Pedro, de pálido ficou vermelho. No entanto, não era raiva que sentia. Apenas vergonha, por mostrar-se tão fraco diante do corajoso Potter. Em contrapartida, Remo estava mais que irritado. Achava terrível o que Tiago fizera a Pedro, todavia não o reprimiu. Disse somente:
— Vamos entrando, ou podemos chamar a atenção de algum trouxa.
— Ele tem razão — Tiago pegou a capa e jogou-a novamente na mochila, ainda rindo. — Vam'bora, Pedrinho!
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Os Marotos
FanfictionSirius Black, Tiago Potter, Remo Lupin e Pedro Pettigrew se conhecem em seu primeiro ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e tornam-se amigos. A partir de então, começam a embarcar juntos em diversas aventuras: descobrir um lobisomem nos ter...
