Ano 2. A Varinha Quebrada

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A porta abriu-se subitamente. Walburga Black apareceu em seguida. Pisava firme, com os saltos da bota preta batendo fortemente no piso de madeira. O rosto estava impassível, contudo o ar ao seu redor parecia mais pesado e impregnado de raiva. Sirius soube o que ela queria no exato momento em que seus olhos se encontraram.

— CRUCIO! — Berrou a mulher apontando a varinha para o filho, sem nem ao menos se importar de ser ouvida pelo resto da rua inteira. — CRUCIO! CRUCIO! CRUCIO!

A maldição atingiu Sirius no peito, levantando-o no ar. Dessa vez, ela viera mais forte. Pôde sentir os olhos carregando-se de lágrimas assim que a primeira delas chegou. Entretanto, apesar da dor insuportável que o fazia sentir vontade de morrer, ele não choraria. Nem gritaria. Tentaria ao máximo parecer relaxado, como se aquela maldição imperdoável nada lhe causasse. Não daria a bruxa da sua mãe o gosto de vê-lo sofrer.

— Começou cedo hoje — disse quando o efeito da primeira leva de feitiços passou. — Ainda nem amanheceu — e foi atingindo, novamente, por uma Maldição Cruciatus.

— O que fiz dessa vez? — Sirius fechou as mãos em punho ao cair no chão. Tentava manter-se calmo.

— Não seja cínico! — Walburga começou a perder a cabeça. — Sua cara de santo não me engana, seu moleque! — Gritou de novo: — Crucio!

— Se não me disser, nunca saberei — ele a olhou com nojo —, mamãe — pôs toda a ironia do mundo no título que, infelizmente, a ela pertencia.

— Régulo Arturo Black — Walburga pronunciou o nome lentamente, com os olhos vazios e um sorriso vencedor nos lábios.

A pele de Sirius tornou-se pálida quando seu irmão mais novo entrou. Ele fitava o chão com tamanha intensidade que poderia abrir um buraco ali. Sirius nunca imaginara que ele pudesse ser pego. Acreditara apenas que a louca mulher à sua frente tivesse sentindo uma vontade incontrolável de maltratá-lo. Agora estava seriamente preocupado. Se Régulo fora descoberto, provavelmente todo o plano havia fracassado.

— Seu sensato irmão me contou todo o seu plano de fuga — começou Walbruga, sentando-se em um dos pufes vermelhos de Sirius. — Tem algo a dizer sobre isso, Sirius Black III?

Sirius respirou fundo antes de responder. Tinha de descobrir até onde ela sabia ou se estava apenas blefando. Conhecendo Régulo, apostaria que ele contara tudo, mas não podia arriscar.

— Fuga? — Perguntou cinicamente. — Pode me dizer como eu fugiria sem a minha varinha?

Ela gargalhou secamente.

— Não se faça de desentendido. Iria usar seu irmão mais novo para consegui-la de volta. E não tente negar — falou antes de Sirius ter a oportunidade de pronunciar algo. — Como eu disse, seu irmão já me contou tudo.

Neste momento, Régulo levantou os olhos e colocou-os na altura dos de Sirius. Tentava pedir desculpas silenciosamente, porém, Sirius não prestou atenção. Estava mais preocupado no modo como sairia dessa situação.

— Então, Sirius, não vai falar nada? Não vai se defender mais? Nem ao menos vai tentar colocar a culpa toda nos ombros do Régulo, como sempre fez?

Ele apertou mais as mãos. Deveria retaliar, sabia. Mas, caso o fizesse, estaria perdido.

— Tudo bem. Já que é assim... — Walburga mexeu nas suas vestes e tirou dali a varinha de Sirius — Acho que não sentirá falta dela.

Walbruga segurava a varinha do menino e estava prestes a quebrá-la quando Régulo gritou. Ela parou e olhou-o desconfiada. Nunca vira os dois irmãos protegendo-se. Guardou a varinha e olhou seriamente para Régulo:

Os MarotosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora