MEDOS E ESPERANÇAS

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Meses se passaram desde o dia em que decidi encontrar a Taehyung em sua casa. Meses em que estive embriagado por uma névoa que me tirava dos meus cinco sentidos e apenas o instinto guiava em minhas ações, em um estado de estupor provocado apenas pelo toque das mãos, lábios, lingua e o membro de Taehyung. 

Mas ainda que todo esse tempo tenha passado, ainda havia o vazio provocado pela falta de Yoongi. E, quando dezembro chegasse, também teria que me ver sem Taehyung por conta de sua formatura no colégio. Eu ficaria sozinho e preso à coisas que não tinha desejo ou me interessavam mais. 

Eu quero o Yoongi, o quero de volta para mim... Sempre que eu estava com ele me sentia especial. Quando estava com ele, sob seu olhar me sentia envolvido com uma veste consagrada, o que me fazia querer mostrá-lo apenas o melhor de mim, de modo que os numerosos buracos de minha imperfeição não fossem muito visíveis. E mesmo se ele os houvesse notado, nunca demonstrou qualquer sinal de que gostava menos de mim.

Era por isso que havia passado a odiar  Min Yoongi. Odiava o fato dele não estar aqui. Dele não ligar, visitar, mandar alguma mensagem, carta ou e-mail. Odiava o fato dele ter me deixado tão dependente dele, das nossas conversas, de seus conselhos, de sua voz. Odeio o fato de querer tanto estar com ele, de ver ele e não poder. Odiava o fato dele estar enraizado tão fundo no meu ser que não tê-lo me incomodáva.

Senti um movimento ao meu lado e virei o rosto, encontrando com o rosto de Taehyung bem perto do meu. O sol já estava nascendo e com ele alguns raios de sol cruzavam a janela e atingiam a pele de Taehyung que parecia dourada a luz da estrela da manhã. Seu cabelo estava desgrenhado, os lábios vermelhos inchados, sua pele estava com marcas arroxeadas que me era possível ver por ainda estarmos nus em sua cama. Mas depois de tantas vezes em que havíamos acabado desta forma, não havia qualquer resquício de vergonha e timidez em mim para me incomodar em estar assim com ele, nem de sentir ele acariciando minha pele nu, na altura do iliaco, por debaixo do lençol. 

— Como você está? — Ele perguntou levando a mão para o meu rosto, seu polegar fez um pequeno carinho em minha bochecha e eu fechei os olhos, querendo que ele não visse nele os meus pensamentos. Desde que eu passei a conviver mais com Taehyung percebi que ele tinha o mesmo estranho poder de Yoongi de saber o que eu estava pensando, como eu me sentia, e o que eu queria realmente saber por trás de perguntas superficiais.

— Bem — Falei em um tom de voz monótono, torcendo para não transparecer nada, e abri os olhos.

— Aquele que está bem pode fazer muita coisa supérflua e insensata. Quando o bem estar acaba e começa a aflição, começa a educação que a vida nos quer dar. O que a vida está querendo te ensinar? Já pensou nisso, Jungkook? — Ele perguntou e se aproximou, mas eu voltei a virar o rosto, olhando para o teto, mas isso não o impediu de beijar minha bochecha, descer para minha mandíbula, que deixou uma mordida antes de descer para o pescoço.

Suspirei, fechando os olhos, sentindo seu toque descer mais por meu corpo. Por um momento, imagens do sonho em que Yoongi fazia amor comigo preencheram minha mente e eu senti meu corpo esquentar. A adrenalina correu pelas minhas veias e os batimentos do meu coração se aceleraram.  

Taehyung parou abruptamente de me tocar. Senti um movimento na cama e abri os olhos, vendo que ele havia se sentado com as costas apoiada na cabeceira da cama. Ele esticou a mão para o criado mudo e pegou um maço de cigarro da caixa e o isqueiro. Ele levou o cigarro aos lábios e acendeu a chama, levando ao maço. Ele puxou o ar, fazendo a ponta do cigarro acender em vermelho por conta da chama e depois de uns segundos soltou o ar pelo nariz para então virar o rosto e me encarar. 

— No que está pensando? Sei que você não está com a cabeça no aqui e agora — Ele enfatizou e eu me sentei com as pernas cruzadas, apoiando o cotovelo nas coxas e escondendo o rosto nas mãos. Eu não conseguia nem encará-lo depois de imaginar em minha mente que quem me tocava era Yoongi, quando fazia tanto tempo desde que havia sonhado com ele pela ultima vez. Ouvi Tahyung suspirar e então sua mão tocar minha cabeça, fazendo carinho em meus cabelos por um momento antes de recolher a mão. — Yoongi tem esse efeito né, te causa um puta de um impacto e no minuto seguinte desaparece. Sei que quer vê-lo, mas você não poderá encontrá-lo se ele não quiser.

— A que se refere? — Perguntei virando o rosto para encará-lo. O vi soltar mais uma lufada de fumaça que fez desenhos no ar, fazendo circulos e outras formas estranhas enquato desaparecia. Um sorriso nostalgico se formou em seus lábios enquanto ele fechava os olhos e tombava a cabeça para trás. 

— Você está vivendo exatamente o mesmo que eu. Sem amigos. Sem o apoio dos pais que só te veem como uma coisa inútil e desagradável a quem eles têm de alimentar porquê colocaram no mundo. Porém, diferente de você, eu ainda podia ver Yoongi a distância quando as coisas se acabaram. Você por outro lado, está acetando sexo em troca de preencher o vazio de outro alguém em sua vida. 

Suas palavras me acertaram em cheio. Senti lágrimas se formarem em meus olhos, a vontade de chorar estava preenchendo o meu corpo, mesmo que não fosse minha vontade que ele me visse quebrar. Fazia um tempo desde a ultima vez que eu me permiti chorar, estava tentando ser forte, mas acho que só consegui criar uma frágil barreira de gravetos ao qual logo arrebentaria.

— Sei que estou sendo duro com você, Jungkook, mas isso é parte da arte da vida, ouvir, sorrir e ter paciência... sempre, não importa o que lhe foi dito — Ele falou e com o polegar limpou a lágrima que eu não aguentei conter. Ele apagou o cigarro na mesinha, deixando uma marca negra no móvel antes de jogar a guimba de cigarro no chão de madeira. — Venha cá — Ele falou abrindo os braços, com sua mão direita ele me puxou pelo ombro e me puxou para perto de si. Seus braços me envolveram, me proporcionando uma sensação de segurança e eu fechei os olhos, sentindo mais lágrimas caírem sem meu consentimento — O que você quer, Jungkook?

— Eu quero encontrá-lo, eu vou encontrá-lo.

— A ideia parece ótima, mas apenas ideias que colocamos em prática tem algum valor. Ele não vai ser encontrado enquato você não estiver pronto para encontrá-lo. — Mais uma vez ele havia dito aquilo e isso me deixou mais confuso. Algo parecia estar errado. Como se ele soubesse de algo, e eu não. — Está com medo? — Ele perguntou em um sussurro, sua boca bem proxima ao meu ouvido, o que me causou um arrepio. — Só se está intranquilo enquanto se tem esperanças, e só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo. — A que você teme?

— E se eu não encontrá-lo?

— Para isso estão as tentativas. Mas espero que suas palavras não sejam vagas, frutos de sua esperança e que você tenha um plano.

"Também espero", pensei.


C O N T I N U A...

Devilish [TaeYoonKook]Onde histórias criam vida. Descubra agora