Ethan
Dias, semanas, meses se passavam e a barriga de Ângela, parecia crescer a cada piscada que eu dava. Sete meses tinham se passado tão rápido que parecia que foi ontem que ela tentava esconder de mim que estava grávida. Sua barriga estava grande, mas para alguém que gestava gêmeos não estava absurdamente grande como eu imaginei que fosse ficar.
Não importava o tamanho. O que importava era que lá dentro, protegida sob os cuidados da mãe estava as minhas duas princesinhas, as duas da qual que eu só tinha visto por imagens borradas de ultrassom, mas independente de sua aparência, eu já nutria um amor incondicional a ponto de ser capaz de dar a minha vida pela delas. Não somente a delas, mas a das três mulheres da minha vida. Eu seria capaz de tudo pela minha rainha e pelas minhas princesas que em breve nasceriam.
Ângi conseguia ficar ainda mais radiante e linda sob os efeitos da gravidez. Por mais que ela se achasse gorda, feia e estranha, para mim ela continuava linda. Seus olhos brilhavam mais, o sorriso estava mais largo e até a voz tinha tomado uma entonação mais alegre.
Segui o cantarolar que me levou justamente ao lugar onde minhas três adoradas estavam. Todas juntinhas, elas ainda eram três em UMA.
Era lá que ela estava; dentro do quarto rosa com borboletas coloridas por toda a parede. Não tinha outro lugar para procurar por Ângela, era lá que ela estava a todo o momento, por mais que às vezes ela se sentisse amedrontada e insegura, era ali que ela sempre se encontrava agora.
Cheguei de vagar, ela estava sentada sobre a poltrona que ela passaria a ocupar mais frequente mente daqui a uns meses. A cabeça baixa, uma das mãos zig-zagueando o dedo indicador fazendo círculos em sua barriga, seus lábios com um sorriso singelo e um murmurar sonoro que fazia com a boca fechada. Foi esse som que me fez vir até aqui.
Eu continuei a espreita por um tempo, a observando, nem a minha presença ela tinha percebido ainda. Bati de leve na porta para não assusta-la caso me visse ali a observando. Um susto em seu estado poderia causar o pior e eu não queria isso de jeito nenhum.
― Está sentindo alguma coisa amor? ― perguntei adentrando no quarto. Eu sabia que não, mas essa pergunta tinha se tornado frequente. A preocupação era maior.
Seus olhos verdes do qual várias vezes me perdi piscaram várias vezes mais antes de me olhar, um resto de sorriso ainda pairava em seus lábios.
― Não! Elas estavam meio agitadinhas...
― E você resolveu contar para elas dormirem? ― me ajoelhei a sua frente.
― Cantar? Meio que isso. ― respondeu.
Passei minhas mãos por sua barriga e senti um chute.
― Acho que elas não querem dormir. ― senti mais um chute. Ângela me disse uma vez que elas sempre se mexiam quando ouviam o som da minha voz.
― Bom... Elas estavam quietinhas e comportadas até o pai delas chegar fazendo barulho. ― eu ri.
― A culpa é minha então?
― Sim senhor.
― O que você estava cantando? Quer dizer cantarolando? ― ela me olhou com interrogação nos olhos. ―\Antes de eu entrar você estava sentada aqui tão bonitinha murmurando uma música.
― Ah! Eu não sei... eu só estava murmurando. ― deu de ombros.
― São os instintos maternos aflorando então.
Ela riu, suas bochechas coraram de um jeito sutil.
― Eu acho que você tem razão. Às vezes eu me perco pensando em como elas vão ser. Nelas correndo pela casa. Em você as mimando. Em como nossa vida vai ficar de pernas para o ar.
― Vamos passar pelo mesmo que nossos pais. Você acha que foi uma garota boazinha? ― levantei meus olhos para fita-la.
― Fui sim. ― deu um largo sorriso, mas eu duvidei muito que tenha sido. ― Você acha que elas serão aqueles gêmeos idênticos, aqueles que vamos ter que marcar com alguma coisa para saber quem é quem?
― Como assim marcar?
― Com alguma fita de cor diferente, um desenho de caneta, sei lá amor... ― começamos a rir juntos.
― Não vamos tatuar nossos filhos Ângela. ― revirei os olhos.
― Não seria uma má idéia. ― disse pensativa.
― Sem chances. ― desanuviei o que quer que fosse que ela estivesse pensando. Ângela tinha a mente fértil até demais. ― Espero que não tenhamos que cogitar nenhuma dessas suas ideias loucas, caso elas sejam idênticas.
― Eu também.
― Pensei em alguns nomes para minhas princesas o que você acha de Laura e Bianca?
Estávamos no sétimo mês de gestação e a escolha dos nomes ainda estava em debate.
― Gostei de Bianca, mas Laura é meio de gente velha. ― disse fazendo careta.
― Eu não acho. ― discordei.
― Não é nenhum nome de alguma de suas ex-namoradas não né, Ethan? ― semicerrou os olhos intrigada.
― Não. Eu juro. ― levantei as mãos em rendição.
― Gostei muito de Bianca. Mesmo.
― Então já está decidido o nome de uma das minhas princesas?
― Acho que é justo você escolher o de uma. Por mais que eu esteja fazendo a maior parte do trabalho, eu acho que eu deveria escolher o das duas.
― Que egoísta você amor. Você se esquece de que se não fosse por mim...
― Nem vem. Eu tenho todos os direitos e pronto.
Eu ri, seria em vão debater isso com ela, ela arrumaria um jeito de me fazer acreditar que estava certa a qualquer custo.
― Ok amor, eu me contendo em você ter me deixado escolher um dos nomes. Mas eu vou poder ser o pai ou você vai querer roubar isso de mim também?
Ela pensou por um momento.
― Sério? ― disse abismado. ― Está querendo me roubar a paternidade. ― sorri. ― Estou me sentindo um nada aqui. ― dramatizei.
― Você pode ser o pai, é o mínimo. ― sorriu. ― Estava brincando, nós três sempre vamos precisar de você.
― Obrigado por voltar a me fazer ser útil novamente.
― Como é dramático. ― revirou os olhos. ― vamos dormir estou morrendo de sono. ― bocejou e levantou.
― Eu te levaria no colo, mas você está obesa agora. ― provoquei.
― Hahaha... super engraçada essa sua piada. ― fez uma careta de desgosto. ― Por que ao em vez de ficar falando bobagens você não faz algo melhor com essa sua boca e me chupa. Sua boca seria bem mais útil se você fizesse isso. ― saiu andando na frente. Eu adorava provoca-la.
― Você não me deixa nem fazer mais isso. ― bufei. ― Me colocou em abstinência total.
A única resposta que tive foi a de Ângela em mostrando o dedo do meio.
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Desapego - IMCOMPLETO
RomanceApós o casamento uma nova fase se inicia na vida de Ângela e Ethan. E há quem diga que vida de casado não é fácil. Será que eles estão realmente preparados para isso? Uma vida a dois, onde um tem sempre que sempre abdicar de algo para que tudo dê ce...
