12. Em apuros

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        Alice

        Eu tinha a ligeira impressão de que estava sendo seguida, ouvia passas atrás de mim, mas quando eu me virava para olhar não via ninguém e isso me assustava. Não era pra estar tão escura e vazia a rua às sete horas da noite, mas hoje estava. As luzes dos postes piscavam, hora acendia, hora apagava. Os galhos das árvores chacoalhavam forte com o vento. Se eu não estivesse no mundo real ia pensar que isso era uma cena te terror em um filme.

        Adiantei meus passos e ainda assim ouvia os passos se apressarem também. “Droga, porque não aceitei a carona do Ethan”.

        Talvez eu estivesse ouvindo coisas, olhei para trás mais uma vez e me certifiquei de que não vinha ninguém atrás de mim. Mas antes que eu me virasse para frente me choquei em algo, ou melhor, alguém. Soube que era uma pessoa assim que senti braços envolverem minha cintura. Logo meu coração começou a bater freneticamente, esse era um dos sintomas do medo que começava a aflorar dentro de mim.

― Aonde vai com tanta pressa princesinha? ― a voz era irreconhecível, rouca e pigarreada. Seu rosto era tomado por uma barba expeça e seu fedor se misturava a álcool e lixo.

― Estou... indo para... Ca...sa. ― mesmo com minha voz tremula, tentei falar tranquilamente. Talvez ele só quisesse dinheiro para comer. Parecia um mendigo de rua. ― O que você quer? ― tentei me soltar.

― Calma princesinha. ― me prendeu mais entre seus braços. ― Vamos conversar. ― passou a mãos no meu cabelo e senti seu rosto de aproximar do meu pescoço, onde ele deu uma longa fungada. ― Você é muito cheirosa. ― seu halito quente entrou pelo meu ouvido.

― Me larga. ― gritei me sacudindo para desvencilhar dele. Não era bem dinheiro que ele queria, suas intenções eram outras em relação a mim.

― Shiiii. ― Tapou minha boca com sua mão. ― Quietinha sua vadiazinha. Cala a boca. ― ordenou.

        Nesse momento eu não sabia o que fazer. Estava em uma rua escura e deserta com um homem desprezível que tinha o intuito de me estuprar. Demos passos para trás, onde ele me prensou em uma parede. Suas mãos começaram a deslizar pelo meu corpo e eu fechei os olhos com força quando ele tocou minha parte intima e em seguida lambeu meu pescoço. Comecei a soluçar sentindo as lagrimas caírem sobre meu rosto. Em minha mente eu implorava para que Deus me tirasse dessa, mas parecia ser algo impossível.

― Qual o seu nome? ― perguntou descobrindo um pouco a minha boca para que eu falasse.

― Por favos, moço me solta. ― pedi soluçando.

― Me diz o seu nome primeiro. ― lambeu o meu rosto e aquilo só me fez sentir ainda mais novo e medo. Já sentia meu corpo tremer.

― Socoroooo. ― gritei na esperança de que alguém ouvisse, mas com um puxão de cabelo senti minha cabeça se chocar fortemente contra a parede atrás de mim.

― Já mandei você calar essa boca vadiazinha. ― rosnou e olhou a seu redor. ― Eu não vou machucar você. ― se distanciou poucos centímetros de mim para me olhar. ― na verdade isso vai ser muito bom. ― falou com malicia.

Sua mão cobria a minha boca enquanto uma de suas mãos foi para um dos meus seios, dando um aberto que me fez gemer de dor.

― Viu, já está gemendo. ― vi um riso de relance se formar em seus lábios nojentos. ― Eu disse que você ia gostar.

        Aquilo não tinha sido um gemido de prazer, mas claro que ele não saberia discernir isso.

― Você é muito gostosinha. ― sussurrou em meu ouvido. ― Bem novinha também. Você já fez sexo na vida?

                Minha boca ainda estava coberta, mas com um aceno de cabeça eu neguei balançando a cabeça de um lado para o outro em negativa.

― Ganhei na loteria. Uma virgemzinha. ― lambeu os lábios se deliciando ao me olhar novamente por inteira. ― Virgemzinha e gostosinha. Difícil achar virgens hoje.

                Eu não entendia porque ele queria conversar tanto comigo, mas eu via nisso alguma brecha para eu poder fugir.

― Eu prometo que vou ser rápido e tentar te deixar viva.

        Quando ele falou “tentar deixar viva” entrei mais em pânico do que eu estava. Eu não queria ser estuprada e muito menos tentar ficar viva.

― vamos começar logo com isso. ― disse convicto. Segurou a gola da minha blusa e a rasgou rapidamente deixando meus seios cobertos pelo sutiã a mostra. ― Belos peitinhos. ― lambeu os lábios. ― Que bom que você está de saia, assim facilita as coisas. ― passou uma das mãos na minha cocha e começou a subir esfregando seus dedos por cima da minha intimidade novamente.

        Cruzei as pernas como forma de recusa, mas ele era forte e logo abriu minhas pernas novamente.

― Não dificulta garota. ― puxou meu cabelo.

― Por favor, não. ― implorei aos soluços assim que tive a oportunidade de falar.

― Já mandei calar a maldita da boca. ― desferiu um tapa que acertou minha face. Senti eu rosto arder.

        Eu já não tinha mais esperanças de me livrar daquele homem. A ajuda não aparecia e mesmo que eu lutasse para me soltar ele era mais forte. O pior estaria prestes a acontecer logo, logo e mesmo não estando preparada eu não tinha o que fazer. 

Desapego - IMCOMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora