Ethan
Sete chamadas perdidas isso eu vi logo quando peguei o celular que estava dentro do meu armário no batalhão. A quinta chamava mostrava que tinha sido há cinco minutos atrás, o número era desconhecido para mim, mas se alguém queria muito falar comigo algo de estrema importância era. Ângela foi a primeira coisa que me veio a mente. Estávamos no fim de sua gestação e a qualquer momento os bebes poderiam nascer. Eu estava eufórico e ao mesmo tempo nervoso e preocupado agora. Poderia ser alguém do hospital, informando que ela havia entrado em trabalho de parto.
― Capitão Ethan, o general quer falar com o senhor. ― eu já começa a discar os números, meus olhos rapidamente saíram da tela e foram para um dos jovens soldados que estava parado na soleira da porta. ― Ele disse que é urgente, senhor.
Por mais nervoso e eufórico que eu pudesse estar, se o meu superir me chamava urgentemente eu tinha que acatar. Olhei no relógio do celular mais uma vez, era quase fim do meu plantão, se não ainda não era o fim, isso me dizia que eu ainda estava de serviço, e se era algo importante eu saberia e iria logo ligar para Ângela.
Andei a passos largos para seu gabinete, o celular vibrou em minha mão e a vontade enorme de atender não me faltou. Rejeitei a chamada e adentrei no em sua sala. Logo, logo eu retornaria.
― Boa noite senhor. ― disse em postura e em continência.
O meu superir era mais velho que eu uns dez anos. Chamava-se Eduardo e fora do quartel e mesmo dentro tínhamos um laço de amizade. Eduardo levantou seus olhos para me olhar, não tinha uma feição de bons amigos. Será que eu tinha feito algo de errado? Puxei na memória todo o meu dia no quartel, mas nada me veio à mente.
― Sente-se, Ethan. ― pediu cordialmente. Seu tom de voz era manso. Eu esperei por berros e gritos, mas esses não vieram. ― Não precisa de tanta formalidade, somos amigos.
Sim, nós éramos amigos, mas independente disso eu priorizava o meu lado profissional, não gostava de misturar lado pessoal e profissional e não seria hoje que eu começaria.
― Aconteceu alguma coisa? ― fui direto, eu queria ir para casa, meu turno já havia acabado há três minutos. Eu estava nervoso demais curioso pra saber o que acontecia. Algo me dizia que Ângela precisava de mim, talvez minhas filhas estivem nascendo, e eu não queria perder esse momento.
― Ethan, eu vou ir direto ao assunto. ― seu semblante ficou sério. Sério até demais. ― Eu não sei de muita coisa, vou adiantar o que sei para você. ― suspirou tirando os olhos dos meus e olhando alguma coisa na mesa de madeira envernizada. O olhar perdido, isso queria dizer que ele não queria me encarar nos olhos quando dissesse. ― Nos ligaram do hospital, a Ângela... ― parou no meio da frase.
Quando ouvi o nome da minha mulher meu coração começou a bater mais rápido. Como se fosse sair do meu peito a qualquer momento.
― O que tem a minha mulher? ― exigi aflito. Levantei e comecei a andar de um lado para o outro. Eduardo suspirou, levantando os olhos devagar para me encarar, sei lá o que.
Aquele silêncio estava me agoniando e como num filme que se rebobina as imagens de Ângela pela manhã vieram a minha mente.
“― Bom dia minha rainha. ― beijei o topo da cabeça de Ângi, passando a mão por sua barriga, para que minhas princesinhas também soubessem que o pai delas estava lhe dando bom dia também.
― Bom dia amor. ― Ângela de espreguiçou ainda deitada na cama. Era tão cedo. ― queria que você fosse comigo a essa consulta, mas...
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Desapego - IMCOMPLETO
RomanceApós o casamento uma nova fase se inicia na vida de Ângela e Ethan. E há quem diga que vida de casado não é fácil. Será que eles estão realmente preparados para isso? Uma vida a dois, onde um tem sempre que sempre abdicar de algo para que tudo dê ce...
