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cap 5

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Cristian narrando

Eu não sei de onde tirei tanta coragem para beijá-la daquele jeito.

Talvez tenha sido o olhar dela.

Talvez o fato de, por um segundo, eu realmente acreditar que Rebeca tivesse ficado com ciúmes.

E agora…

Estou pagando caro por isso.

Cada respiração ainda dói. Meu maxilar pulsa e meu estômago reclama sempre que tento me mover, mas o que mais permanece na minha cabeça não são os socos.

É a expressão dela.

Dor.

Angústia.

Medo.

Eu vi.

Mesmo que ela nunca admita. Quando Bruno começou a me bater, Rebeca não parecia satisfeita… parecia perdida.
E no instante em que nossos olhares se cruzaram, ela mandou parar.

Ela desviou o olhar logo depois. Como se não suportasse continuar.

Talvez… Talvez ela realmente não consiga mais me machucar como antes.

Mas admitir isso seria perigoso demais.

— Meu Deus, olha o seu estado!

A voz de Carol me trouxe de volta à realidade enquanto ela se ajoelhava ao meu lado.

— Ela passou dos limites dessa vez!

— Não foi ela… — murmurei. — Eu só caí.

Carol me lançou um olhar mortal.

— Não mente pra mim, Cristian. Ela mesma me mandou vir aqui.

Meu coração falhou uma batida.

Ela… se preocupou.

Sem perceber, sorri.

Erro meu.

Carol pressionou meu estômago e um gemido escapou.

— E tira esse sorriso do rosto! Você podia ter se machucado muito mais!

Mesmo assim respondi:

— Mas ela mandou parar…

Gui apareceu logo atrás, claramente irritado.
— Dessa vez você vai falar com a diretora.

Balancei a cabeça imediatamente.

— Não. Eu não vou prejudicá-la.

Eles trocaram olhares cansados.

Sabiam que não adiantava insistir.

Conseguimos sair do colégio em ser percebidos, o segurança estava dormindo. Como sempre.

Eles me levaram até minha casa mas pedi que fossem embora, eu precisava ficar sozinho.

Precisava pensar.

Depois que Carol e Gui foram embora e o silêncio finalmente tomou conta da casa, fiquei deitado encarando o teto do meu quarto.

Meus pais continuavam viajando, como sempre — reuniões, eventos, negócios em outro país.

A casa inteira parecia grande demais quando estava vazia.

Silenciosa demais.

Excepto pelo único som que vinha da televisão ligada em volume baixo.

Estava com os olhos fechados, assimilindo a dor.

Essa Rebelde Sou EuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora