Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

cap 7

316 37 77
                                        

Rebeca narrando

Eu odeio acordar pensando em alguém.
Principalmente quando esse alguém não deveria ocupar espaço nenhum na minha cabeça.

Abri os olhos antes mesmo do despertador tocar, encarando o teto escuro do quarto enquanto a lembrança da noite anterior voltava sem pedir permissão.

O sorriso dele.
O jeito como tentou agir normalmente.
Como se nada tivesse acontecido.
Como se eu não tivesse mandado bater nele.

Virei bruscamente na cama.

— Que droga…

Passei a mão pelo rosto irritada comigo mesma.

Aquilo já tinha acabado.
Resolvido.
Enterrado.
Eu pedi desculpa.
Do meu jeito.
E pronto.
Fim da história.

Então por que parecia que alguma coisa ainda estava fora do lugar?

Levantei antes que meu cérebro começasse a filosofar demais. Fiz minhas higienes rapidamente, amarrei o cabelo ruivo num rabo de cavalo alto e vesti o uniforme.

Preto.

Seguro.

Familiar.

Controle.

Desci as escadas encontrando Josh largado na mesa, comendo cereal diretamente da caixa.

— Você foi criado numa floresta? — perguntei pegando suco.

— Bom dia pra você também, demônio doméstico.

Ignorei.
Ele me observou por alguns segundos.
Silencioso demais.
Perigoso.

— Tá estranha.

— Eu sempre sou estranha.

— Não. Hoje você tá… pensativa.

Revirei os olhos.

— Come teu cereal.

Ele inclinou a cabeça.

— É o nerd, né?

Parei no meio do movimento.

Respirei fundo.

— Repete pra ver se você continua vivo.

Josh sorriu lentamente.

— Confirmado.

Joguei o pano de prato nele.

— Cala a boca.

Ele riu.

— Relaxa, Beca. Só não manda bater nele de novo.

Meu estômago apertou involuntariamente.

Peguei minha mochila sem responder e saí.

Segui meu caminho até o colégio e como sempre, o colégio inteiro pareceu desacelerar quando atravessei o portão.

Conversas diminuíram.

Olhares desviaram.

Caminho livre.

Normal.

Mas algo mudou.

Agora os cochichos vinham acompanhados de curiosidade.

E eu sabia exatamente o motivo.

O beijo.

A briga.

Cristian.

Isso me irrita, me deixa confusa.

Abri meu cacifo tentando ignorar tudo.
Até perceber movimento atrás de mim.

Suspirei profundamente.
Bati o punho no cacifo ao lado.
O som metálico ecoou pelo corredor.
Eles saltaram assustados.

Essa Rebelde Sou EuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora