Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

capítulo 2

646 83 416
                                        

Cristian narrando

Essa garota é maluca. Não para de me provocar e eu estou exausto. Se fosse qualquer garota, eu falaria com a diretora e pronto. Mas não é qualquer uma. É ninguém menos que Rebeca Salvatore: pratica artes marciais, é rockeira, anda de patins e skate, é a número um na equipe de natação, inteligente (mesmo que cole um pouco nos testes), com estilo gótico exagerado… e, claro, eu gosto dela. Poderia ter mais azar? Acho que não.

- Rebeca, por favor, será que só hoje eu posso almoçar em paz?- pergunto, tentando manter a calma, embora estivesse longe de conseguir

Estava a caminho do refeitório quando dei de cara com ela. Tentei até passar despercebido mas é como se ela tivesse um radar que apita sempre que sente a minha presença, é impressionante.

- Estou de bom humor hoje, tanto que deixo você e seu amiguinho, sei lá eu qual o nome, vão almoçar com a gente.- o sorrisinho cínico dela por si só ja é perigoso.

- Não obrigado. Nós vamos sentar com...- não termino de falar pois aquele olhar dela já diz tudo.- Tudo bem vou chamar ele.

- Ok.

Apesar de eu ser aquele que ela mais provoca também tenho um pouco mais liberdade ao falar com ela. Talvez esteja começando a perder o medo. Antes, nem uma palavra eu conseguia pronunciar sem paralisar.

Esse dia tá cada vez melhor- é o que o olhar de Beca me diz, é estranho mas eu sinto isso

Também nem, mal sabia eu o que estava prestes a acontecer, eu fui muito ingénuo naquela época.

Depois de nos servir eu e Gui nos dirigimos a mesa do meu carrasco. A tensão era enorme, mas eu consegui convencer Gui a vir comigo usando uma boa chantagem emocional. Mantivemos distância. A mesa é grande, então dava para nos manter afastados.

Normalmente, ali sentam apenas Beca, Carol, Josh (seu irmão e subordinado) e Amadeu, seu cãozinho fiel. Ela não aceita mais ninguém na mesa. E ainda tem os seguidores dela na mesa ao lado. Grande privilégio para nós… ou não.

- Aproximem-se ou esperam que eu grite para falar com vocês?- Beca estava visivelmente irritada, o que é normal vindo dela

- Mesmo se dissesse sim, você não aceitaria.- murmurei e tomei um gole de meu suco

- Disse alguma coisa Crizinho?- ela é um poço sem fundo de puro deboche mas consegue ser ameaçadora na mesma proporção

- Sim, que já vamos nos aproximar, não é mesmo, Gui?- sorri forçado e Guilherme entendeu o recado

- Sim.- dito isso levantamos e nos proximamos.

Claro que eu tinha um lugar ao lado dela. Ela faz questão de me ter bem perto, como se quisesse me controlar a todo custo. Eu sei o que ela teme mas não é como se eu fosse dizer alguma coisa.

Ela pousou a mão na minha coxa mas acredito não foi propositado, me remexi levemente tentando afastá-la silenciosamente. Mas, claro, isso só fez sua cabeça maluca criar mais ideias perversas.

Apertou minha coxa e fez uma leve massagem. Ela deve estar tentando me enlouquecer para fazer algo assim aqui.  Coloquei minha mão por cima da sua e tentei tirar de lá mas ela me me lançou um olhar gélido mas zombeteiro e sussurou no pé do meu ouvido "não finja, nós dois sabemos que você quer isso".

Apertou uma última vez, mais forte e soltou uma risada porque mesmo com minha mão ali eu não fiz nenhum esforço real para parar ela, eu simplesmente não consegui reagir e nem falar nada.

Patético. Receber esse carinho torto e ainda ficar balançado, mesmo sabendo que preciso me afastar dela eu não consigo, é como se tivesse algo me atraindo para ela, eu estou confuso.

Essa Rebelde Sou EuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora