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cap 9

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Carol narrando

O colégio nunca pareceu tão... estranho.

E isso dizia muito.

Normalmente os corredores eram barulhentos demais, cheios de risadas, gritos e fofocas inúteis. Mas naquela manhã havia algo diferente.

As pessoas cochichavam.

Olhares eram lançados constantemente para um único ponto.

O lugar vazio na sala.

A carteira do Cristian.

Suspirei enquanto deixava minha mochila cair sobre a mesa.

Vazia.

De novo.

- Ele não veio... - murmurei.

Nem percebi que tinha falado em voz alta até Guilherme responder atrás de mim.

- Eu sabia.

Virei-me.

Gui parecia cansado.

Não fisicamente.

Era aquele tipo de cansaço emocional que aparece quando alguém já esperava o pior.

Ele puxou a cadeira ao meu lado e sentou-se lentamente.

- Liguei pra ele ontem à noite - disse. - Não atendeu.

Meu estômago apertou.

- Talvez esteja só evitando todo mundo.

Gui soltou uma risada seca.

- O Cris não evita pessoas.

E ele tinha razão.

Cristian era o tipo de pessoa que pedia desculpa mesmo quando não tinha culpa.

O tipo que aparecia.

Sempre.

Cruzei os braços.

- Você sabe onde ele pode estar?

Gui hesitou.

E aquilo imediatamente chamou minha atenção.

- Guilherme.

Ele passou a mão pelos cabelos.

- A Fernanda disse que ele saiu ontem.

- Saiu?

- Pegou o carro.

Meu coração acelerou.

- Ele quase nunca dirige.

- Pois é.

Silêncio.

O peso daquilo começou a se instalar lentamente.

Cristian não estava apenas triste.

Ele tinha fugido.

-

O professor entrou na sala, iniciando a aula, mas ninguém realmente prestava atenção.

Muito menos eu.

Meu olhar escapava constantemente para a porta.

Ridículo.

Parte de mim ainda esperava que ele aparecesse atrasado, sorrindo sem graça, dizendo algo como "desculpa, perdi a hora".

Mas a porta nunca abriu.

Depois de vinte minutos, Gui empurrou discretamente um papel na minha direção.

Precisamos conversar. Intervalo.

Essa Rebelde Sou EuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora