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cap 11

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Eu não me afastei.

Essa foi a primeira coisa que percebi.

Em qualquer outro momento da minha vida, qualquer situação minimamente parecida, eu teria recuado. Teria empurrado. Teria feito algum comentário sarcástico para quebrar o momento e recuperar o controle.

Era assim que eu funcionava.

Sempre foi.

Mas ali… não.

Quando Cristian voltou a me beijar, não havia pressa. Nem desespero. Era diferente do primeiro beijo, que tinha sido carregado de choque e impulso. Agora era mais lento, mais cuidadoso, como se ele estivesse testando cada segundo para ter certeza de que aquilo era real.

E talvez fosse exatamente isso.

Talvez ele estivesse tentando ter certeza de que eu não iria desaparecer.

Eu também.

A mão dele ainda segurava minha cintura, firme o suficiente para me manter perto, mas sem força excessiva. Como se estivesse pronto para me soltar caso eu pedisse.

Eu não pedi.

Minha mão ainda estava na camiseta dele, segurando o tecido entre os dedos.

Eu conseguia sentir o coração dele batendo rápido.

Quase tão rápido quanto o meu.

Quando finalmente nos afastamos de novo, foi devagar. Nenhum de nós parecia com pressa de quebrar aquela proximidade.

Cristian respirou fundo.

Eu também.

O ar dentro da casa da árvore parecia diferente agora. Mais quente. Mais pesado.

E isso me deixou perigosamente consciente de mim mesma.

Do meu corpo.

Do fato de que eu ainda estava muito perto dele.

Cristian passou a mão pelos cabelos, como se tentasse organizar os pensamentos.

— Eu… — ele começou, mas parou.

Eu ergui uma sobrancelha.

— O quê?

Ele soltou um pequeno riso nervoso.

— Eu não tinha planejado isso.

Revirei os olhos.

— Nem eu.

Silêncio.

Nós dois olhamos para o lado ao mesmo tempo.

Idiota.

Aquilo era… estranho.

Eu não era boa com esse tipo de coisa.

Discussões? Fácil.

Provocações? Natural.

Beijar alguém e depois ter que lidar com o que aquilo significava?

Terrível.

Cristian parecia sentir a mesma tensão, porque se afastou um pouco, encostando na pequena mesa de madeira perto da janela.

— Você veio de moto? — perguntou.

Eu pisquei.

— Como sabe?

— Eu ouvi quando chegou.

Assenti lentamente.

— Dirigir ajuda a pensar.

— Ou fugir.

Essa Rebelde Sou EuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora