Capítulo 5: Pausa para o almoço

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A playlist de Tim está pausada na música: 1979 – The Smashing Pumpkins

"(...) Garotos legais nunca tem tempo

Num cabo elétrico bem em cima da rua

Eu e você deveríamos nos conhecer"

– Pelo visto, seu desespero por emprego não era brincadeira - Ele ajeitou os óculos no nariz, escorregando um sorriso sarcástico - Somente para ampliar o guarda-roupa da sua liga de lendários inexistentes? Suas prioridades são realmente admiráveis - Meu queixo despencou, ergui o quadrinho, apontando-o para o gracioso.

– Ei! Respeite o estilo dos meus campeões! - Ele já deve ter gastado com alguma inutilidade também, é uma das verdades universais da vida: a morte, quase explodir o celular jogando Flappy Bird e comprar inutilidades para satisfazer seu ego materialista. Encarei-o, devolvendo um sorriso zombeteiro - E que absurdo é esse? Eu estou aqui exclusivamente para dar uma olhadinha, fingir ter interesse em adquirir algum desses amontoados de papel e vazar sem comprar absolutamente nada - O rapaz revirou os olhos, cruzando os braços no peito, deixou uma das sobrancelhas arqueadas - bom! Estou desesperado para cacete - Tim soltou um riso convencido.

– Você é um cara estranhamente engraçado Jackson - Hum... obrigado? Isso foi um elogio? O ruivo afundou as mãos nos bolsos do casaco de malha - Bom, meu avô está no cardiologista no momento, daqui uns... - Tim arrastou a manga do casaco, averiguando o relógio - Trinta minutos, ele estará de volta - Acenei positivamente a cabeça, devolvendo o quadrinho para a pilha - Além disso, chegou exatamente no meu horário de almoço, então acrescente mais uns quinze minutinhos de espera - Meu estômago revirou ao ouvir a palavra "almoço". Não comi direito no café-da-manhã, tenho que reabastecer meu corpinho escultural com substâncias nutritivas.

– Está tudo bem, meu dia foi tão corrido, que acabei esquecendo de me alimentar direito, minha barriga já está repreendendo-me por tal desatenção - Afaguei a mesma, inclinando a cabeça para o lado, afundei uma das mãos no bolso traseiro da calça - Que tal aproveitarmos esses minutos e almoçarmos? - O cantinho da minha boca ergueu - Já que em breve seremos colegas de trabalho, precisamos saber se nossa convivência será pacífica ou não - O rapaz arregalou os olhos, porém não se intimidou, pousando as mãos na cintura.

– Ora, como pode ter tanta certeza que será empregado? E ainda se convidar para almoçar comigo, esse nível de confiança é tremendamente apreciável - A entonação de sua voz transbordava escárnio.

– Quem me dera carregar toda essa segurança de verdade... - Abaixei o olhar, os pensamentos ruins reaproximaram... arremessei-os para longe. Mirei o ruivo, seriamente - Se você se sentiu desconfortável com convite, me desculp... - Uma coceirinha cutucou meu nariz, o que acarretou num espirro alto, ainda bem que espalmei as mãos na boca e preveni o estabelecimento de contrair germes. Tim caminhou até o balcão, apanhando uma caixinha de lenços, entregando-me a mesma - E mais uma vez o dia foi salvo, graças ao ruivo superpoderoso! - Assoei o nariz, fungando baixo - Sempre alerta para qualquer tipo de emergência, não?

– Atentíssimo, principalmente para resgatar alguém que, aparentemente, sempre está em apuros - Bufei indignado, ele riu da minha expressão rabugenta - Aliás, saúde de novo! Deus te guarde - E titio Nietzsche também! Arremessei o lenço na lixeira, controlando minhas fungadas. O rapaz inclinou a cabeça para o lado, encarando-me - Espero que seja contratado, vou torcer bastante... - E quem não torceria por este moço bonito, moço bem feito, moço formoso? - Afinal, poderei arremessar a responsabilidade em catalogar todos esses livros nas suas costas - MAS QUE PORRA!? - Sobra mais tempo para finalizar minha leitura atual - Apontou o exemplar de Jogos Vorazes no balcão, mas meus olhos embasbacados não queriam desviar dele.

Muito jovens para tragédias (em revisão)Onde histórias criam vida. Descubra agora