Capítulo 21: Lute ou fuja!

92 4 23
                                    

*Este capítulo pode conter gatilhos: violência doméstica e crise de ansiedade*

A playlist de Jackson está pausada na música: Sober P!nk

"(...)Tudo está bom, até que fica ruim

Até que você esteja tentando encontrar aquele antigo você"

Enquanto os demais membros da equipe focavam em destruir as torres, atravessei o mapa da selva com Tim, explicando-o como funcionava cada lane e como upar as habilidades mais rápido. Sempre apreciei jogar na Jungle, ninguém enchia meu saco, era o primeiro a derrotar o Barão e quase sempre iniciava um belíssimo Gank. Escolhi o campeão Jarvan IV, já o ruivo optou pela Ashe, embora quisesse muito jogar de Teemo. Ajudei-o em sua posição de ADC, porém ele tinha zero paciência em farmar e gastar suas moedas douradas, o que lhe rendeu vários abates e uma fúria colossal pelo Garen inimigo.

Nossa disputa foi resumida à péssima conexão de internet, dois jogadores metidos a engraçadinhos, caçoando de Tim ter escolhido uma personagem feminina e não saber jogar com a mesma. Nietzsche, não me segura! Haverá determinados momentos em sua vida, que sentirá um prazer indescritível e com toda certeza, mandar aqueles escrotos se foderem, ganhar a partida com vantagem de três pontos e ser contagiado pela risada gostosa do ruivo, foi um dos mais lindos.

Pensei que Tim iria me acompanhar durante toda a madrugada, entretanto o cansaço derrotou nosso pequeno invocador e mesmo a contragosto, também estava exausto. Sua voz sonolenta e parcialmente rouca, o deixava ainda mais atraente, eletrizando meu coração de um jeito que a meses não sentia. Encerrei a chamada, ajeitando o rosto no travesseiro com cuidado, fechando lentamente os olhos e... algo caiu do escorredor de pratos. Boa tentativa, nem pense que vou levantar minha bunda daqui. Outro objeto espatifou-se no piso. Não é nada demais, certeza que deve ser o Bart caçando uma mariposa. Mais um copo estilhaçou. A bola de pelos alaranjada estava enrolada nas cobertas de Patrick. Beleza cacete, se eu for raptado pelo Babadook, juro que retornarei para me vingar!

Direcionei-me até a cozinha, vendo um copo espatifado no chão. Apanhei os cacos, cortando superficialmente os dedos. Mas que merda! O telefone em cima do raque começou a tocar. Ignore, apenas ignore! Retornei a limpeza, porém os pedaços de vidro desapareceram. Levantei rápido, retomando para o quarto, as paredes acompanharam meus movimentos, mudando as posições e apontando na direção do corredor. Barulhos surdos de batucadas ressoaram da porta, um líquido deslizava pela fresta, encharcando todo o assoalho. Chega, preciso sair daqui...

Bem-vindo novamente invocador

Hum? De onde veio esse som? Você está enfurecido. De repente, todo o aposento se inclinou, fazendo com que perdesse o equilíbrio e escorregasse diretamente até o banheiro. Afundei na água, diversas garrafas explodiam em milhares de caquinhos. Cada estouro difundia um ruído estridente... aquele telefone desgraçado. Caí em outro ambiente escuro, diversas silhuetas dançantes, iluminadas por luzes coloridas, a música estava insuportavelmente alta. Você está implacável. Avistei um garoto loiro cambaleando pela multidão, gargalhando de embriaguez, chamando os amigos, mas ninguém o respondeu. Ele parou de rir, virando o restante da garrafa de vodca, escorregando as costas na parede, tentando controlar a respiração, o choro e a própria ruína.

Muito jovens para tragédias (em revisão)Onde histórias criam vida. Descubra agora