CAPÍTULO 3 -COMO SABER SE ESTÁ OU NÃO PRONTO PARA NAMORAR?

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SORAIA TEM 24 ANOS e acabou de se formar em direito. Através de uma
amiga da faculdade, se apaixonou logo no início do curso por um rapaz “lindo,
um príncipe loiro de olhos verdes”, empresário bem-sucedido aos 27 anos,
também na área de direito. “Acertei na loteria”, foi o que ela pensou na época.
Foram logo morar juntos e ela se entregou para ele de todas as formas.
Porém, ao conhecê-lo mais a fundo, descobriu que ele tinha vontades sexuais
estranhas. Ele a queria na cama com outras mulheres. Ela, para não o perder,
consentia. Várias vezes o dividiu com uma garota de programa. Fazia de tudo
para agradá-lo. Às vezes bebia e usava drogas durante as orgias para ter
coragem de atender aos pedidos dele, pois sã não conseguia.
Ele era, na verdade, um príncipe das trevas. Ao fim de quatro anos, o saldo
de tudo o que ela investiu: a autoestima enterrada, pelo menos nove traições
dele (que ela sabia) e agora uma das amantes estava grávida.
Soraia terminou o relacionamento, engordou 15 quilos e entrou em uma
depressão profunda. Voltou para a igreja, da qual havia se afastado por causa
dele, e começou a se recuperar. Após seis meses, um rapaz que a conheceu
por lá começou a gostar dela. Ela viu nele ótimas qualidades e também se
interessou. Hoje estão namorando há seis meses, mas ela nos procurou
porque tem um conflito: ainda mantém fortes sentimentos pelo ex-namorado,
o príncipe das trevas, que hoje já está casado. Não o vê mais, mas chora por
ele e não consegue se conformar com a perda.
Soraia está tão despreparada para esse novo relacionamento quanto estava
para o primeiro. Perdida, sem saber o que fazer e totalmente levada pelo
coração, ela segue na rota de colisão com mais uma grande decepção
amorosa. E o novo namorado, alheio ao que se passa com ela, também
sofrerá o impacto. (Se ele tivesse lido Namoro Blindado, não estaria
namorando com ela. E a esposa do ex da Soraia? Essa então…)
Entrar em um relacionamento sem estar pronto mentalmente,emocionalmente e espiritualmente é suicídio amoroso. É assim que muitas
pessoas perdem um ótimo relacionamento, ou pior: perdem a si mesmas
dentro da relação. Foi o que aconteceu com Soraia. Ela se perdeu dentro do
próprio relacionamento. Deixou de ser ela, fez tudo para agradar o namorado
por medo de perdê-lo, e mesmo assim o perdeu.
Nunca entre em um relacionamento sem estar bem fora de um.
O CHECKLIST
“Estar bem” para começar um namoro blindado significa, no mínimo, ter
preenchido estes oito critérios:
1. Estar curado de relacionamentos anteriores
2. Ter idade para um relacionamento sério
3. Estar disponível e disposto a dedicar tempo para o relacionamento
4. Ter a intenção de casar em vez de apenas se divertir
5. Estar livre de vícios
6. Ter caráter íntegro
7. Estar definido na questão profissional e financeira
8. Estar resolvido interiormente
Não presuma entender completamente cada um destes pontos antes de ler
suas respectivas explicações, a seguir.
1. O período de cura
Quando sai de um relacionamento em que você gostava muito da pessoa, a
separação pode parecer como a amputação de um membro do seu corpo ou
como a morte de alguém próximo. A dor e a falta não devem ser
subestimadas. É comum a pessoa ter transtornos alimentares, perder noites
de sono e até pensar que a vida não tem mais sentido.
O término de um relacionamento requer um período de cura. E durante esse
tempo, você terá de evitar relacionamentos amorosos. Há pessoas que pulam
de um relacionamento para outro com tanta frequência que se tornam cínicas,
endurecidas. Elas não se dão conta de quão prejudicial é ter o coração partido
tantas vezes. Elas simplesmente juntam os pedaços, colam de novo e vão para
o próximo relacionamento. Mas as rachaduras ainda estão lá. E nessa
condição, como pode o próximo namoro dar certo?
Se acabou de sair de um relacionamento, ou ainda está se recuperando de
um, você precisa de um período de cura e também encontrar um desfecho
apropriado para ele.
Não é um novo relacionamento que vai curá-lo do anterior. Pessoas que
fazem isso criam um ciclo nocivo, não amadurecem, não melhoram como
pessoa e nunca curam a ferida.Uma grande lição sobre como curar as feridas do passado pode ser tirada da
conhecida história da libertação do povo de Israel do Egito.
Os hebreus amargaram o fim de um relacionamento com os egípcios que
começou muito bem, mas terminou terrivelmente mal. Por mais de quatro
séculos eles foram escravizados e reduzidos praticamente a meros animais de
carga. As feridas eram profundas.
Quando Deus enviou Moisés para libertá-los, uma das ordens expressas que
Ele deu aos hebreus foi a de que eles deveriam deixar para trás não somente
o Egito, mas tudo o que haviam aprendido e vivido ali. Os costumes, os ídolos
egípcios, as atitudes e pensamentos de escravos — tudo isso eles tinham de
deixar para trás. Só assim poderiam ser curados e se tornar uma nova nação,
começar uma nova história.
Se você quer curar suas feridas e traumas deixados pelos seus
relacionamentos anteriores, você tem de fazer o mesmo.
Não basta ter deixado o relacionamento. Você precisa deixar tudo o que
ainda o liga a ele. Sim, aprenda as lições necessárias, mas jogue fora o que
não lhe serve mais. Antigos costumes, como frequentar os mesmos lugares
que seu ex, poderão ter de ser abandonados. Se seu ex era como um “ídolo”
em sua vida, você precisa derrubá-lo dos altares que criou para ele ou ela —
apagar fotos, tirar os contatos da agenda e das redes sociais, jogar fora ou
vender qualquer presente que ainda traz lembranças, enfim, fazer uma
limpeza geral. Não leve nada mais daquela pessoa com você. Saia do Egito!
Mas não basta sair do Egito. Você tem que tirar o Egito de dentro de você
também. É claro que a cura interior é mais difícil e lenta, mas ela começa com
a exterior.
Eu me lembro de um amigo cuja esposa batalhou por muitos anos contra o
câncer. Ele ficou ao lado dela até o fim, quando infelizmente ela veio a falecer.
Eu recebi a notícia da sua morte à noite e pela manhã fui até sua casa visitá-
lo. Fiquei surpreso ao chegar. Ele já havia removido da casa todas as fotos da
esposa — quadros, porta-retratos — e também juntado suas roupas para doá-
las a uma instituição de caridade. Pensei a princípio que aquilo teria sido um
ato de revolta ou raiva. Mas ele estava incrivelmente calmo e lúcido. E me
explicou: “Ela já foi. Finalmente está em paz. Agora sou eu quem precisa
voltar a viver”.
Um tanto radical para muitos, mas do ponto de vista do que era melhor para
o estado emocional dele, não há dúvida de que agiu certo.
Sua vida não pode terminar ao término de um relacionamento.
A limpeza exterior facilita e acelera a cura interior.
Uma vez eliminadas as coisas externas, você saiu do Egito. Agora você
precisa tirar o Egito de dentro de você, que são os pensamentos, as
lembranças que mexem nas feridas. Não gaste tempo com elas. Quando vierem à mente, mude logo de canal. Pense em outra coisa. Force-se a voltar
ao presente.
Uma coisa que pode ajudá-lo é conversar com alguém de sua confiança e
com a capacidade de aconselhar e ouvir sem julgar. Alguém como Moisés, que
possa acompanhar você durante esse período de deserto. Talvez um de seus
pais, um amigo, seu pastor ou outra pessoa capaz na igreja — mas nunca
alguém do sexo oposto que ofereça ainda que a mínima chance de
envolvimento amoroso. Você não precisa de mais uma dor de cabeça nesse
momento…
2. Idade certa para namorar
É importante a pessoa ter um mínimo de maturidade para começar um
relacionamento sério. Há uma razão por que existem leis que proíbem pessoas
abaixo de uma certa idade de fazer certas coisas, como comprar bebida
alcoólica, dirigir um automóvel ou se casar, por exemplo. São atividades que
exigem certa maturidade. São leis indiscutíveis, porque todos sabem que são
para a proteção dessas próprias pessoas.
Um relacionamento amoroso também tem seus riscos e perigos que não são
tão aparentes para uma pessoa muito jovem. Lembra dos enganos do
coração? A criança é 100% coração e o jovem 99%. Por isso, quase sempre as
paixões que nos acontecem antes dos 16 ou 17 anos são marcadas por erros,
decepções, dores e corações partidos. Apesar dessas paixões serem
passageiras, as consequências delas podem não ser.
Em todas as nossas sessões de aconselhamento de casais e solteiros, sem
exceção, Cristiane e eu lidamos com problemas de adultos que começaram na
infância e adolescência. Muitas vezes temos de voltar no tempo e ajudar a
pessoa a rastrear o problema até suas raízes. A jovem que se sentia feia e
desprezada na escola se tornou a esposa carente de atenção de hoje. O rapaz
que teve mais namoradas na adolescência do que espinhas no rosto se tornou
o marido esnobe de hoje. A moça que perdeu sua virgindade enquanto bêbada
numa festa rave se tornou a esposa que não liga para sexo com o marido
hoje. Os casos são inúmeros.
Brincar com os seus sentimentos e dos outros hoje é plantar
traumas para a vida amorosa de amanhã.
Uma pergunta que o jovem tem de se fazer é: por que namorar? Sim,
questione as razões. A maioria dos jovens começa a namorar por pressão dos
colegas, da cultura, do círculo social ou do próprio coração. São razões erradas
para começar a namorar — em qualquer idade. Seu namoro não pode ser uma
satisfação social que você deve a quem quer que seja; tampouco deve ser
uma validação do seu valor e importância como pessoa. Começar a namorar
tem que ser uma decisão individual e bem considerada, pois ela não afetará ninguém mais do que você mesmo.
Outra pergunta é: “Estou preparado para me casar nos próximos dois
anos1?”. Se sua resposta é não, você não está em idade para namorar, seja
com 12, 14, ou 40.
Idade e maturidade são coisas diferentes, mas relacionadas a certas fases da
vida. Um jovem de 16 anos dificilmente pode reivindicar maturidade de adulto.
Mas muitos adultos de 30 anos podem facilmente reivindicar maturidade de
adolescente. Por isso, salvo pela imaturidade natural de um jovem
adolescente, que já o desqualifica de cara, a idade certa para namorar deve
ser definida em conjunto com os outros sete critérios que explicamos aqui.
Não queremos dizer com isso que os jovens não possam ter amizades
saudáveis com pessoas do sexo oposto. Elas podem ser positivas no sentido
de ajudá-los a praticar a interação respeitável entre si, a aprender a conversar
e conhecer um pouco mais de seus mundos diferentes. Desde que praticadas
dentro dos devidos limites e com responsabilidade, com jovens da mesma
mentalidade, é tudo de bom. Afinal, quem não sabe ter amizade não vai saber
namorar nem sustentar um casamento…
3. Disponível e disposto
É evidente que se você já está namorando, ficando, tendo um caso ou “rolo”
com alguém, você não está disponível para um relacionamento com outra
pessoa. Pode confiar, não dá certo. A não ser que você viva numa sociedade
poligâmica. Do contrário, cedo ou tarde, uma vai descobrir a existência da
outra e vocês todos poderão parar no noticiário das cinco: “Vingança e morte
em triângulo amoroso…”. Portanto, evite.
Mas já estar em um relacionamento não é a única coisa que pode fazê-lo
indisponível. Falta de tempo, por exemplo, é algo que mata qualquer relação.
Estar focado totalmente em um projeto pessoal, no qual não cabe tempo nem
espaço para conhecer alguém, é outro assassino de relacionamentos. Um
namoro vai exigir algum tempo e dedicação da sua parte. Se vai começar algo
sério, não deixe o outro sentir que você não tem tempo para a relação.
É preciso estar disponível e disposto a dedicar tempo para o relacionamento.
Não é que vocês precisem se ver ou falar todos os dias, passar o fim de
semana juntos ou fazer longas viagens românticas a cada três meses. Mas
precisarão de um contato periódico em que a atenção de vocês será exclusiva
um para o outro.
Cristiane
O Renato e eu nos víamos normalmente uma vez por semana, sábado à
tarde. Numa época em que não havia telefone celular nem Internet, pouco
nos falávamos entre esses encontros. Às vezes ele me ligava em casa
durante a semana, mas não costumavam ser ligações longas.Apesar disso, quando estávamos juntos, aquele momento era especial.
Ele trabalhava seis dias por semana e o sábado era o único dia que tinha
para descansar. Por isso, eu sabia que ele realmente queria estar ali,
apesar de algumas vezes cair de sono ao meu lado enquanto assistíamos a
um filme no sofá da sala de TV… (Acho que até babou uma vez. Uma cena
linda.)
Pelo menos ninguém podia me culpar de não me esforçar! Mas nosso namoro
foi prova de que escola, trabalho e falta de tempo não são necessariamente
impedimentos para namorar. O maior impedimento está na vontade da
pessoa. Se ela prioriza alguma coisa acima da sua vida amorosa, com certeza
não terá tempo para namorar. Portanto, é melhor mesmo que não namore.
Pelo menos até que a vida amorosa se torne prioridade para ela.
Entenda, porém: estar “disponível e disposto” não significa que você tem de
ser como um médico de plantão, que, ao tocar do seu bip, larga tudo para ir
ao encontro do paciente. Vocês têm uma vida fora do namoro e ainda não são
casados. Portanto, nada de ficar cobrando atenção demasiada um do outro.
4. A intenção de casar
Uma das coisas mais loucas que têm acontecido no mundo dos
relacionamentos é o namoro por tempo indefinido. No passado, namoro
sempre foi um meio, nunca um fim em si mesmo. Era um período breve para
determinar se os dois queriam e eram compatíveis para se casarem. Se
concluíam que não eram, acabava na separação. Se eram, dava em
casamento. Mas nunca demorava muito tempo, pois quando a intenção é
decidir se vai dar casamento, não há como nem por que demorar muito.
Mas hoje vemos casais namorando como se fossem viver mil anos. Namorar
se tornou o fim, não mais o meio. Ficam namorando por três, quatro, sete
anos ou mais — e, se perguntar para onde está indo aquele relacionamento,
eles não têm resposta.
O que acontece com um namoro assim é que ele se desgasta. Depois de um
tempo, a pessoa mais acomodada sentirá uma pressão da outra para tomar
uma atitude sobre o futuro do relacionamento. E a pessoa mais incomodada
ficará frustrada com a falta de atitude da outra. Isso vai gerar brigas e
constantes desentendimentos por causa das expectativas não cumpridas.
Namorar é como mergulhar no mar. Por mais excitante que seja a aventura,
chega uma hora que você quer voltar para a terra firme. Ninguém vai ao mar
para ficar e morar lá. A não ser que você seja o Bob Esponja. (Deve ser por
isso que ele não é casado. Ou por aquela calça quadrada, com certeza.)
A terra firme é o seu ponto de partida e também sua chegada. Você só sai
dela para navegar quando sabe o destino e tem um prazo para chegar nele. Às
vezes o destino será o casamento. Às vezes será a conclusão que você terá de voltar a ser solteiro. Mas o mar, o namoro, nunca é o destino.
Para não ficar à deriva em um namoro sem futuro, você não deve entrar em
um sem a intenção de casar. Se você começar sem pensar nisso, apenas
porque gosta daquela pessoa e quer se divertir, quando chegar o momento de
decidir o futuro do relacionamento (querendo ou não, esse momento vai
chegar), você vai ficar em apuros, sem saber o que fazer.
É por isso que muitos namoros acabam da maneira errada — com gravidez
indesejada, casamento que não deveria acontecer ou um término traumático
em que um sofre muito mais que o outro e os dois se sentem como idiotas por
terem passado tanto tempo em um relacionamento que não deu em nada.
5. Estar livre de vícios
Qualquer vício é nocivo para um relacionamento porque toma o lugar do
parceiro. O viciado coloca o vício no lugar do parceiro ou acima dele — seja
droga, álcool, pornografia, videogame, mentira, rede sociais, o que for. Por
isso, o viciado nunca conseguirá fazer alguém feliz no amor.
No sentido mais básico da palavra, vício é qualquer hábito que traz algum
prazer momentâneo, mas, no fundo, nos prejudica e causa dependência.
Seja honesto. Você pratica algo que lhe dá prazer, mas que, na verdade, o
está destruindo aos poucos — ou, no mínimo, impedindo o seu
desenvolvimento? Esqueça namoro e lide com isso primeiro.
O viciado já tem um parceiro amoroso e ele se chama vício. Não há espaço
para uma outra pessoa na vida dele.
Você pode não ter um vício, mas se seu namorado(a) tem, você sempre virá
depois deste vício na vida dele(a). Por isso, nosso conselho é que você não
entre ou fique em um namoro com uma pessoa viciada. Force-a a escolher
entre o vício e você. Mas não fique surpreso se ela escolher o vício.
O máximo que você pode fazer é colocar uma condição para continuar o
relacionamento: buscar ajuda para se libertar.
Se alguém quer se livrar de um vício, o primeiro passo é reconhecer que o
tem. O segundo é admitir que pode precisar de ajuda para parar. A marca de
um viciado é mentir para si mesmo quando diz: “Posso parar quando quiser”.
Se pudesse, provavelmente já teria parado.
Não subestime o poder de um vício. Em sua plena força, ele pode
literalmente destruir a vida de uma pessoa, que dirá o relacionamento. É uma
batalha muito maior do que física, mental e emocional. Ela atinge o espiritual
da pessoa também.
Não hesite em buscar ajuda2 para se libertar do seu vício. E nunca, jamais
entre em um relacionamento com uma pessoa viciada, a não ser que você
queira sempre se sentir menos importante do que o vício na vida dela.
6. Caráter íntegro
Pergunte a qualquer solteiro o que ele procura em alguém para um relacionamento sério e em algum lugar da resposta a palavra “caráter” irá
aparecer. Mas o que é caráter, afinal?
Caráter é um conjunto de traços de comportamento que definem que tipo de
pessoa você é. O caráter de uma pessoa determina se ela é de confiança, se
vai atingir suas metas, ser verdadeira no trato com os outros e se vai respeitar
regras e bons princípios.
Uma pessoa pode ter muito sucesso em sua carreira ou negócios, dinheiro,
fama, beleza — mas se ela não tem caráter, ela não pode ser considerada
realmente bem-sucedida, tampouco material para casamento.
Embora caráter esteja relacionado com personalidade, não é a mesma coisa.
Caráter consiste em princípios e valores que determinam o comportamento de
uma pessoa independentemente das circunstâncias, bem como suas reações,
decisões e visão do mundo.
Todo mundo tem caráter. O que nem todo mundo tem é bom caráter.
Quando alguém diz que uma pessoa tem caráter, normalmente se refere ao
bom caráter.
Nosso caráter é muito mais do que apenas o que tentamos mostrar para os
outros verem. É quem nós somos, mesmo quando ninguém está olhando. Bom
caráter é fazer a coisa certa, porque é certo fazer o que é certo.
Por exemplo, uma pessoa que tem um caráter de ser verdadeira,
normalmente se esforçará para reportar os fatos de um acontecimento e não a
versão que a favorece. Alguém que tem um caráter transparente não procura
esconder nada sobre si mesmo, tampouco inventar histórias para encobrir
alguma falha ou embelezar suas qualidades. A pessoa que tem um caráter
responsável ficará incomodada até cumprir suas tarefas de forma satisfatória e
não ficará feliz se desapontar quem contava com ela.
Caráter e relacionamento amoroso estão intimamente ligados. É impossível
manter um relacionamento saudável com alguém em quem você não pode
confiar, que não é transparente, não tem palavra ou que tem princípios e
valores falhos. Você pode até tentar, mas o máximo que vai conseguir é se
machucar e se decepcionar com aquela pessoa. Veja, mais uma vez, que não
basta ter sentimentos de amor por alguém para manter um relacionamento.
Sem caráter, a relação fica insustentável.
Como uma forma de ajudá-lo a identificar onde você talvez precise trabalhar
na integridade do seu caráter, considere a lista a seguir. Nela você encontra
50 qualidades de um bom caráter. Não é uma lista exaustiva nem completa.
Há muitas outras qualidades que poderiam ser incluídas aqui. Porém, vamos
usar esta como um ponto de partida.
Dê a si mesmo uma nota de 1 a 5 para cada qualidade, onde 1 significa que
você não tem essa qualidade e 5 que você a tem de sobra. Se você já está
namorando, passe a lista uma segunda vez pensando em seu parceiro(a) e lhe
dê uma nota segundo o que você conhece dele(a) em cada qualidade. O
primeiro espaço em frente de cada qualidade é para sua nota; o segundo, para a nota que você dá ao seu parceiro. (Se o significado de alguma qualidade não
estiver bem claro para você, veja a lista com a explicação de cada uma no
Apêndice.)
TRAÇOS DE BOM CARÁTER
1. Alegria __ __
2. Atenção __ __
3. Autocontrole __ __
4. Benevolência __ __
5. Compaixão __ __
6. Confiabilidade __ __
7. Consideração __ __
8. Contentamento __ __
9. Criatividade __ __
10. Decisão __ __
11. Desenvoltura __ __
12. Determinação __ __
13. Diligência __ __
14. Discernimento __ __
15. Discrição __ __
16. Disponibilidade __ __
17. Economia __ __
18. Entusiasmo __ __
19. Fé __ __
20. Finalização __ __
21. Flexibilidade __ __
22. Generosidade __ __
23. Gentileza __ __
24. Gratidão __ __
25. Honra __ __
26. Hospitalidade __ __
27. Humildade __ __
28. Iniciativa __ __
29. Justiça __ __
30. Lealdade __ __
31. Mansidão __ __
32. Obediência __ __
33. Ordem __ __
34. Ousadia (coragem) __ __
35. Paciência __ __
36. Perdão __ __
37. Persuasão __ __
38. Pontualidade __ __
39. Prudência __ __
40. Resistência __ __
41. Responsabilidade __ __
42. Rigor __ __
43. Sabedoria __ __
44. Segurança __ __
45. Sensibilidade __ __
46. Sinceridade __ __
47. Tolerância __ __
48. Veracidade __ __
49. Vigilância __ __
50. Virtude __ __
Explicação de cada qualidade no Apêndice
Agora marque em quais qualidades você deu uma nota 3 ou menor para si
mesmo e/ou para seu parceiro. As qualidades com nota 3 ou menor são as que
tem de trabalhar em si mesmo para melhorar. Do contrário, você não estará
pronto para um relacionamento ou poderá ter sérios problemas se entrar em
um. A mesma coisa se aplica à outra pessoa, se você já está em um
relacionamento. Faça de tudo para identificar se ela tem essas qualidades. Na
dúvida, não continue o relacionamento.
É claro, ninguém (a não ser quem pontue “0” na qualidade 46) tira “5” em
todas as 50 qualidades. Por isso a linha de perigo é de 3 para baixo na maioria
das qualidades. Na “maioria”, porque você não quer alguém que pontue “4”
em qualidades como “Veracidade”, “Sinceridade” e “Lealdade”, por exemplo.
Muita atenção às qualidades “não negociáveis”.
Outra descoberta interessante que pode sair desse exercício são as
diferenças de caráter entre você e a outra pessoa. Quanto maior a diferença
entre as notas de uma mesma qualidade, mais problemas vocês terão sobre
aquele ponto.
Por exemplo, se sua nota para “Paciência” foi 4 e a do outro foi 1, vocês
terão problemas quando essa qualidade for necessária entre vocês. Se a nota
do outro para “Veracidade” foi 5 e a sua foi 2, vocês terão sérios problemas de
confiança na relação.Quanto mais robusto e saudável o caráter das duas pessoas, mais
fortemente blindado será o namoro delas.
7. Definido no profissional e financeiro
Não, você não precisa ter uma carreira, faculdade, casa própria, carro ou uma
conta bancária recheada para começar a namorar. Mas se vai namorar para
casar, e isso pode acontecer em dois anos ou menos, vai precisar ter no
mínimo, antes de começar a namorar, uma definição sobre para onde você
está caminhando na sua vida profissional e financeira.
Uma das principais razões por que um namoro fica se arrastando (e se
desgastando) por anos a fio é a situação econômica do casal que o impede de
casar. (Ou pelo menos serve como boa desculpa.) “É claro que eu quero casar
com você, mas agora não dá, não temos dinheiro para isso, e aquilo…” — é a
clássica desculpa.
Assuntos de trabalho e dinheiro estarão sempre presentes na vida de um
casal. Problemas nesta área estão entre as principais causas de separação e
divórcio. Exploraremos mais sobre as razões disso e o que você deve
considerar durante o namoro nos próximos capítulos. Por agora, você precisa
entender que quanto mais definidos vocês estiverem na questão profissional e
financeira antes de começar o namoro, mais estável será a relação de vocês
em todos os sentidos durante o namoro e no eventual casamento.
Normalmente, você precisa primeiro se definir com respeito à sua profissão
para então ter uma definição no financeiro. Uma breve explicação sobre o que
queremos dizer com “definição” nesta área.
Estar definido significa saber de onde você vem, onde está e para onde está
indo na questão de trabalho e dinheiro.
Ainda que sua postura seja “não trabalho fora, nunca trabalhei e nunca vou
trabalhar” — porque você quer ser uma esposa e mãe tradicional, rainha do lar
— você precisa estar certa disso para que seu futuro marido não espere casar
com uma mulher de carreira. (E entender que, para bem ou para mal, homem
que não quer uma esposa que trabalhe fora está tão em extinção quanto
mulher que quer ser apenas dona de casa.)
Se você é homem, apesar dos avanços da mulher nas últimas décadas, a
maioria delas ainda não se sente confortável em sustentar o marido enquanto
ele fica jogando videogame em casa e perseguindo seus hobbies e sonhos de
criança. Portanto, é praticamente garantido que você precisará estar bem
definido quanto à sua situação de trabalho também. Exceto se você herdou
uma fortuna do seu tio Eurípedes, você precisará de um plano que ofereça
segurança financeira a você e sua futura esposa.
Ainda que você não tenha muito dinheiro nem algo que possa chamar de
profissão no momento, precisa estar definido com respeito ao que está
fazendo e onde quer chegar nessa área da sua vida. Seja um plano de carreira
ou de negócio, uma visão que você está empenhado em realizar, você precisa no mínimo ter esta certeza de um objetivo e saber o que está fazendo para
chegar lá.
Se sua situação é que você mora com seus pais e eles pagam todas as suas
despesas; está desempregado ou em emprego temporário; não tem nenhuma
perspectiva ou visão de algum negócio ou carreira promissores no horizonte;
sabe gastar dinheiro muito bem, mas ganhá-lo muito mal — por favor, não se
meta a namorar ninguém até resolver essa parte da sua vida.
Cristiane
Quando o Renato e eu começamos a namorar, éramos ainda bem jovens,
mas já bem definidos nesta parte de nossas vidas. Eu estava terminando
meu colegial e havia decidido seguir os passos de minha mãe, que era
esposa de pastor. E o Renato, aos 18 anos, já era um pastor que se
destacava no trabalho dele. Nenhum de nós visava ganhar dinheiro, mas
apenas servir às outras pessoas. Esta definição do que queríamos para o
nosso futuro e o apoio da igreja na questão de moradia e sustento nos
permitiam iniciar um namoro com a visão de casamento.
8. Resolvido interiormente
O que é estar mal resolvido interiormente? Primeiro entenda que tudo o que
você vê do lado de fora do relacionamento tem origem do lado de dentro das
pessoas que estão nele. É o interior que contamina ou embeleza a pessoa e o
relacionamento.
Considere o relacionamento de Helen e Renan, um casal que namora há três
anos. Ela é divorciada, tem 42 anos e seu próprio negócio. Divorciou porque
cansou de “carregar o marido nas costas” financeiramente. Renan, 34,
trabalha esporadicamente como corretor de seguros. Além de renda incerta,
quando ganha algum dinheiro, ele volta sua atenção para gastá-lo — um
hábito que traz desde criança. Renan cresceu sem pais, passando alguns anos
por várias casas de parentes e instituições que abrigam menores. Aprendeu a
viver um dia de cada vez, sem nunca se preocupar muito com o futuro, pois
sua situação não o permitia pensar em futuro. Era um dia aqui, outro ali. Um
sobrevivente.
Helen reclama, além da insegurança que a indefinição financeira dele lhe
traz, que Renan tem o costume de “desaparecer” por uns dias logo após
ganhar algum dinheiro ou quando os dois têm algum desentendimento. Ele
simplesmente some, não liga, não diz para onde foi ou onde ficou, apenas dá
a desculpa de que precisava “arejar a cabeça”. Helen invariavelmente o
perdoa e dá outra chance. Já chegou até a pagar cursos para ele e marcar
entrevistas de emprego — às quais, na última hora, ele não comparece.
Quando perguntamos para Helen por que ainda continuava no
relacionamento, chegamos a uma descoberta que nem ela sabia sobre si mesma. Ela tem um “complexo de salvadora”.
Este complexo faz com que a pessoa se sinta capaz e até responsável por
salvar alguém que precisa de ajuda. Pessoas assim veem em parceiros
problemáticos um desafio, um projeto de reforma que elas têm de assumir e
concluir. Helen sente que o “destino” fez com que ela entrasse na vida de
Renan para ajudá-lo a superar seus traumas de infância. Por isso, apesar do
relacionamento não ter nenhuma perspectiva de ser saudável, a não ser que
ambos mudem radicalmente, Helen não tem coragem de terminar a relação e
ser “mais uma pessoa que abandonou” o pobre Renan.
Sim, não há dúvida que a vida foi dura com ele. Ninguém deveria passar pelo
que ele passou. Porém, um namoro ou casamento não é o meio nem o lugar
para uma pessoa resolver seus traumas do passado.
Nem Renan e nem Helen têm condições de estar em um relacionamento
atualmente. Por causa de seu complexo, ela está repetindo o mesmo erro que
cometeu com o homem de quem se divorciou. E Renan, apesar de já ser
adulto e capaz no que faz, ainda se vê como um órfão errante e sem futuro. E
essa situação do interior de cada um deles faz com que seus comportamentos
exteriores intoxiquem o relacionamento.
Mas eles não são os únicos. Todos nós trazemos questões do passado dentro
de nós que precisam ser resolvidas. Cada um tem sua história repleta de
acontecimentos positivos e negativos, independentemente de condição social,
familiar ou financeira. O conjunto dessas experiências moldou quem somos,
deixando marcas boas e também ruins. Precisamos identificar essas marcas,
especialmente as ruins, e aprender como lidar com elas antes de entrar em
um relacionamento afetivo.
Estar resolvido interiormente significa que você conseguiu identificar suas
questões emocionais e psicológicas que podem afetar seu relacionamento
amoroso — e as tem bem resolvidas dentro de você.
Abuso sexual, relacionamentos terminados, sentimentos de rejeição,
carência de atenção, temperamento difícil, complexos, insegurança, ciúme
doentio, raiva, mágoa, orgulho, traumas de infância — a lista é longa demais
— são coisas que precisam ser resolvidas para que você esteja preparado para
ter um bom relacionamento e não o estragar.
Cristiane
Pergunte-se: estou no tempo ideal para começar a namorar? De nada
adianta encontrar a pessoa certa se não for o tempo certo para começar
um relacionamento. Será como se aquela pessoa não fosse certa para você.
Você poderá estragar tudo.
Quantas não são as jovens que, por odiarem seus pais, veem um
relacionamento amoroso como escape? E outras que passaram por abusos
emocionais e estão à procura de alguém que possa fazer o papel que a mãe ou o pai não fez?
O tempo ideal para se começar um relacionamento é quando você está
bem resolvido com você mesmo e o seu passado.
Infelizmente a maioria das pessoas não se dá conta de que precisa de
cura interior. Quando você cai ou bate em alguma quina, se é como eu,
logo aparece uma contusão no lugar que machucou. Dá para usar pomadas
e evitar de encostar naquele lugar ferido. Às vezes você nem repara que se
machucou até que aquela mancha aparece. Já as feridas internas não são
tão óbvias como as externas… como identificá-las?
Essas feridas invisíveis se materializam em nossas ações e reações. Por
exemplo, quando uma de nós vê uma mulher bonita e com roupas
sensuais, é comum ter uma das duas reações típicas: admiração ou
condenação. Há quem queira ser igual a ela e ter o que ela tem. Outras a
olham como uma ameaça, uma mulher vulgar. O que não conseguem
enxergar é o que sua reação realmente está dizendo sobre si mesmas…
Aquela mulher provavelmente pensa que precisa usar roupas sensuais
para ter atenção e ser admirada. Ela coloca todo o seu valor no seu físico e,
por isso, é escrava dele. As que querem ser iguais a ela também são
escravas da aparência e, por não a terem, se acham inferiores e
desvalorizadas. Ambas, tanto a mulher bonita quanto a mulher que não se
acha tão bonita, têm o mesmo problema interior: o seu valor depende do
seu exterior.
Já aquelas que acusam, julgam e condenam mulheres bonitas que se
vestem mais sensuais, também mostram um outro problema interior —
este um pouco mais disfarçado, mas que ficou bem claro em um episódio
envolvendo uma mulher na época de Jesus.
Alguns religiosos flagraram uma mulher cometendo adultério. O costume
era apedrejar os adúlteros publicamente até à morte como punição. A fim
de testar Jesus, os religiosos levaram a mulher até Ele, mas a resposta
serviu e ainda serve de lição para quem se coloca no lugar de acusador:
Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que
atire pedra contra ela.3
Toda vez que você condena, julga, ou maltrata alguém, mesmo que
aquela pessoa tenha feito algo de errado, você está mostrando o quão
cego é consigo mesmo.
O que Jesus falou para aquela mulher mostra o quanto Ele era bem
resolvido dentro de Si:
Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te
condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem Eu
também te condeno; vai-te, e não peques mais.Se Jesus tivesse visto essa mulher bonita e sensual, Ele só iria lhe dar
bom dia. Ele não iria cobiçar nem condenar.
A pessoa que tem um interior limpo transmite o que é justo e bom no seu
exterior e para as demais pessoas ao seu redor.
A melhor maneira de realizar isso é entender que um relacionamento
amoroso só pode ser o seu terceiro relacionamento em ordem de prioridade.
Vamos entender mais sobre isso no próximo capítulo.

namoro blindadoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora