A NÃO SER QUE VOCÊ SE CASE com alguém que nasceu de uma árvore, a
verdade é que todo mundo casa com a família do cônjuge, sim. Quando ouvir
alguém minimizar o fato de não se dar bem com a família do namorado,
usando a exclamação “Eu vou casar com ele, não com a família dele!” —
balance a cabeça em negação, respire fundo e diga: “Sabe de nada, inocente”.
Depois dê um exemplar de Namoro Blindado para ela.
Gostando ou não, todos somos produtos de nossa família de origem. Além
dos mesmos genes e sangue, toda a nossa criação, hábitos, costumes e
primeiras experiências foram influenciados por nossos familiares. Eles também
se tornaram nossas referências na vida. E simplesmente não há como você se
desligar disso. É possível, mais tarde na vida, com muito autoconhecimento e
esforço, mudar certos comportamentos ruins que herdamos de nossa criação.
Mesmo assim, muitas vezes o que acontece não é uma mudança, e sim uma
melhor consciência de quem somos, do porquê de certos comportamentos e da
capacidade de melhor administrá-los.
Por exemplo, herdei uma característica do meu pai que eu sempre desprezei
nele: guardar a raiva de quem o machucou e tratá-lo com silêncio. Tenho
várias memórias de momentos horríveis entre meu pai e minha mãe, de
quando eles se desentendiam e a atitude dele era dar as costas para ela e ir
embora. Ele voltava no final do dia, mas permanecia calado e ignorando ela e
até os filhos por dias ou semanas. O recorde dele foi oito meses!
Eu odiava aquilo. Prometia a mim mesmo que nunca iria agir assim com
minha futura esposa. Mas, para minha surpresa — e muito mais da Cristiane —
quando nos casamos, passei a tratá-la da mesma forma.
Cristiane
Meu primeiro contato com meu sogro foi exatamente durante uma dessas maratonas de silêncio que ele fazia. O Renato me levou na casa dos pais
dele para me apresentar. Minha sogra me recebeu superbem, sentamos na
sala e começamos a conversar. Nenhum sinal do meu sogro, que estava no
quarto. Constrangida, minha sogra foi chamá-lo para me cumprimentar,
mas ele não saía da toca. Seguimos com nossa conversa.
De repente, meu sogro sai do quarto, que ficava no andar de cima da
casa, e começa a descer a escada espiral que dava para a sala onde nós
estávamos. Eu pensei: “finalmente vou conhecer o pai do Renato”. Mas
antes de terminar de descer a escada, ele para a uns três degraus do final,
vira e olha para nós, sentados no sofá. Nossa conversa dá lugar ao silêncio.
Todos estamos olhando para ele, esperando algum tipo de saudação. Com
a cara mais séria que já vi, ele continuou com os olhos fitos em mim por
alguns segundos. Não disse uma palavra. Virou as costas, terminou de
descer as escadas e foi embora pela porta da cozinha.
Mal sabia eu, na altura, que estava vendo uma prévia de como o Renato
agiria comigo muitas vezes depois de nos casarmos.
Você pode imaginar a minha vergonha naquela situação. Mas apesar de tudo
aquilo e dos anos que vi meu pai tratando minha mãe assim, passei a agir
exatamente como ele. A razão? Nunca aprendi nada diferente. Ele era, bem ou
mal, minha referência de homem e marido. Não aprendi a sentar e dialogar
com compostura porque não via isso em casa. Eu simplesmente não tinha
ideia de como isso era feito na prática.
O meu pai, por sua vez, nunca teve pai. Filho de mãe solteira, viu o pai
apenas uma vez, aos cinco anos de idade. O que poderia esperar dele? Não o
culpo. Ele teve ainda menos que eu.
Passaram-se doze anos do meu casamento para eu finalmente reconhecer
meu problema de raiva e aprender a dominá-la. Isso fez uma enorme
diferença em nossa relação, somado ao meu entendimento das origens
familiares da Cristiane.
Ela traz muitos traços do pai e da mãe. O jeito de falar, pensar, decidir, agir,
reagir — vem quase cem por cento dos pais. A relação que teve com a irmã,
que é pouco mais de um ano mais nova, também teve grande impacto1 em
sua personalidade.
Hoje, temos plena consciência das nossas heranças familiares e sabemos
administrar nossos comportamentos numa boa. Mas levou muito tempo para
chegar aqui! Dizer que não nos casamos com a família um do outro seria
negar o óbvio.
É por isso que, em um Namoro Blindado, vocês não devem evitar nem
desprezar o contato com os pais um do outro. Ao contrário, devem envolvê-los
o quanto antes e desenvolver esse contato durante todo o namoro. Essa parte
é imprescindível para os namorados se conhecerem bem.E tudo deve começar pelo pedido de consentimento aos pais dela.
A PERMISSÃO E O PAPEL DOS PAIS
Pode nos chamar de antiquados, mas acreditamos que o rapaz deve pedir a
permissão dos pais da moça para namorá-la — independentemente da idade
dela. Não é apenas questão de cavalheirismo e respeito, mas também de
inteligência. Os pais são provavelmente as duas pessoas mais influentes e
importantes na vida de qualquer pessoa. Você realmente quer ignorar a
opinião de tais pessoas na vida de sua namorada? A última coisa que você
quer é um relacionamento tenso com seus futuros sogros — ou de seus pais
com seu futuro marido.
Incluir os pais em uma das decisões mais importantes de sua vida não
apenas os honra, mas também pode ser de grande benefício para você.
Isso não quer dizer que terá de seguir exatamente os desejos deles. Uma
vez adulto, você tem a liberdade de escolher seu futuro parceiro — e os pais
devem respeitar isso. Porém, consultá-los sobre essa escolha, ainda que eles
possam discordar dela, mostra o respeito que merecem.
A maioria dos jovens não consulta os pais com respeito ao namoro. Às vezes
nem os informa. Os coitados só vão saber depois, nem sempre nas melhores
circunstâncias: “Mãe, esse aqui é o Betinho. Ah, e eu estou grávida”. Essa
atitude pode ser motivada pelo desejo de se tornar independente e “adulta”,
mas a verdade é que não há nada mais infantil do que esconder o namorado
dos seus pais.
Além disso, você perde muito ao excluí-los dessa parte de sua vida. A não
ser que você tenha sido presenteado com pais disfuncionais, eles são mais
experientes na vida; provavelmente sabem um pouco sobre casamento bom e
ruim; conhecem você muito bem — e lhe querem bem. Portanto, não seja
surdo e cego ao que dizem. Por que ignorar o conselho e a sabedoria das
pessoas que provavelmente querem mais o seu bem que qualquer outra? Não
embarque sozinho em uma decisão tão importante em sua vida. Não confie no
seu coração ou em sua experiência limitada.
Cristiane
Eu altamente recomendo que você, mulher, condicione o início do namoro
ao pedido de consentimento dos seus pais ou, na ausência deles, de quem
cumpre o papel de pai ou mãe em sua vida. Foi isso que eu fiz. Assim que
você estiver certa de que quer dizer sim ao namoro (e isso pode levar um
tempo e alguns encontros), diga ao seu pretendente que você e seus pais
apreciam a moda antiga e que gostaria de que ele fosse à sua casa
conhecê-los e pedir a benção deles. Isso trará alguns benefícios muito
importantes para você:1. Eliminará os caras que não são sérios e não querem compromisso.
2. Ele a respeitará muito mais durante o namoro, pois se comprometeu
não somente com você, mas também com sua família.
3. Não precisará ficar escondendo nada de seus familiares.
4. Iniciará a relação facilitando o contato do seu namorado com sua
família de origem, o que deverá colocá-lo em posição de fazer o mesmo
por você — deixá-la conhecer a família de origem dele.
Só aqui você já vai ganhar muito tempo, pois esse contato acelerará
muito o conhecimento de quem vocês realmente são.
“Mas eu gosto muito dele e tenho medo de espantá-lo ao dizer que deve
falar com meus pais” — você se preocupa. Acredite, por mais que goste
dele, você não precisa de um rapaz que foge dos seus pais.
Talvez o seu medo seja invertido: você teme que seus pais espantem o
rapaz! Novamente, se ele realmente gosta de você, vai encarar o desafio. É
trabalho dele conquistá-los. E aqui vai uma dica de ouro:
Normalmente, o rapaz tem que conquistar o pai da moça e a
moça tem que conquistar a mãe do rapaz.
Se as razões não são óbvias para você, não se preocupe. Apenas faça,
porque funciona!
É claro que, quanto mais idade a mulher tem, o pedido de consentimento
é mais uma notificação do que um pedido em si. Se você tem 40 anos, por
exemplo, certamente seus pais não precisam consentir o seu namoro, mas
ainda assim, uma visita do seu pretendente para se apresentar não fará
mal algum e lhe dará os mesmos benefícios acima.
Eu diria, como uma diretriz e não como regra, que se a moça está abaixo dos
21 anos, os pais devem dar a permissão; dos 21 aos 29, o consentimento; e
dos 30 para cima, mandá-la ir tomar banho e fazer o que bem quiser pois já
está bem grandinha… Ou mais ou menos isso. É claro, a mulher madura pode
decidir por si só, mas é uma questão de respeito comunicar os pais.
QUANDO OS PAIS NÃO APROVAM O NAMORO
O que fazer?
Primeiro, procure entender o porquê. Pais podem desaprovar um pretendente
por muito boas razões ou por preferências e caprichos que não devem ser
levados em consideração. O rapaz ter histórico de não trabalhar ou durar
pouco no emprego é uma boa razão. Você ter de terminar a faculdade antes
de pensar em namorar é uma preferência.
Às vezes, você terá de procurar a real preocupação dos seus pais, que nem sempre pode estar aparente na desaprovação deles. Por exemplo, “nada de
namoro antes de terminar a faculdade” provavelmente quer dizer que eles não
querem que você vá mal nos estudos por estar distraída com namorado. Nesse
caso, pode negociar com eles que não continuará o namoro se suas notas
caírem abaixo de um determinado padrão, por exemplo.
Por mais irracionais que pareçam as razões de seus pais, seja paciente,
considere e procure entender as verdadeiras preocupações. Se têm bons
argumentos contra o namoro, procure ouvi-los. Talvez seja esclarecedor
também consultar outras pessoas maduras e sensatas, caso ache que seus
pais não estejam sendo razoáveis. E se você vê que as opiniões tendem a
concordar com a de seus pais, é melhor que você pare de sonhar com uma
história de amor à la Romeu e Julieta. Como no tal romance, é provável que
não dê certo.
Em alguns casos, os pais podem ser incoerentes em suas objeções.
Apresentam razões que indicam apenas preferências ou caprichos, não
verdadeiros argumentos plausíveis. Se você tem boas razões para dar uma
chance ao relacionamento e idade para tomar suas próprias decisões, pode ser
que tenha de prosseguir sem o consentimento deles.
Porém, tenha em mente que mesmo que você esteja certa e o seu
relacionamento prove mais tarde que as preocupações deles estavam erradas,
você ainda precisará conquistar a aprovação deles eventualmente. Isso porque
nem você nem seu namorado querem uma situação permanente de inimizade
com seus pais. A melhor coisa é sempre procurar ter a aprovação e a benção
dos pais de ambos, se possível.
Para os pais lendo este livro e que têm filhos adolescentes: considere bem os
pontos que explicamos no Capítulo 3, sobre como saber se está pronto ou não
para namorar. Converse com seu filho a respeito de cada ponto. Manter o
diálogo aberto é importante para que seu filho ou filha não sinta a
necessidade de fazer nada escondido de você.
Seu papel é importante no sentido de guiar seu filho sobre como agir quando
surgir um sentimento por alguém. Deixe bem claro para a filha sua expectativa
de que o rapaz venha falar com você; e para o filho, que ele deve fazer o
mesmo com os pais da moça.
Seja um pai presente (mas não sufocante) nesse período crucial. Mesmo que
o pretendente não se encaixe nos ideais que você sempre sonhou para um
genro ou nora, procure trazê-lo para perto a fim de conhecê-lo melhor. Só
assim você poderá ter conversas significativas com seu filho sobre o
relacionamento. E talvez os seus medos se provem infundados ao conhecer
melhor a outra pessoa.
NAMORO À MODA ANTIGA: POR QUE FUNCIONA
Você é quem você é em casa. Por isso, uma das melhores formas de vocês se
conhecerem é namorar em casa — isto é, para quem mora com os pais ou outros parentes. Não estou dizendo que nunca devam sair para um programa
a dois, tampouco que devam namorar em casa sozinhos. Mas por que namorar
em casa, com a presença de familiares, é uma ótima opção?
Você tem a oportunidade de conhecer a pessoa no seu habitat natural. Há
poucas coisas mais pessoais do que a casa e a família de alguém. Não tente
tirar ou “roubar” seu namorado(a) da família só para si, de forma possessiva,
ciumenta ou apenas para evitar as chatices familiares. É no seu habitat
natural que melhor conhecemos a pessoa. No cinema, restaurante etc. não
somos 100% nós mesmos como em casa. Aproximem-se da família um do
outro em vez de se distanciarem.
Observar como sua namorada(o) trata os pais e interage com outros
familiares. O modo como tratamos nossos pais é ótimo indicador de como
trataremos nosso cônjuge. O velho ditado “bom filho, bom marido; boa filha,
boa esposa” é muito verdadeiro. Como ele trata a mãe? Como ela trata o
pai? Filhos que xingam os pais, não se importam com eles ou não os ajudam,
costumam se tornar péssimos cônjuges.
Note o que o outro admira nos pais. O homem costuma buscar as qualidades
da mãe na futura esposa. A mulher, as do pai no marido. Inversamente,
costumamos odiar os defeitos de nossos pais e ser muito sensíveis a eles se
forem presentes em nosso cônjuge. Uma filha que cresceu vendo o pai
alcoólatra pode ter alta sensibilidade com qualquer vício do namorado. Vocês
devem observar isso muito bem enquanto namoram, pois será uma boa
prévia do casamento e das expectativas mútuas.
Como ele(a) fala dos pais? Falar mal dos pais pode indicar mágoa, rebeldia e
incompreensão, entre outros, no coração do seu namorado. São sinais
terríveis de como ele se comportará no casamento também. A dificuldade de
respeitar os pais continuará no trato com o futuro marido ou esposa. Nunca
fale mal de seus pais, e, menos ainda, critique os pais do outro!
A família e o lar de sua namorada são um caos? Será que ela quer casar
apenas para sair daquele ambiente e não mesmo por amor? É mais comum
do que você imagina.
Namorar em casa pode ser limitador em alguns aspectos, mas você não
encontrará uma maneira melhor, mais rápida e mais verdadeira de se
conhecerem.
Cristiane
Renato e eu namorávamos em casa uma vez por semana. Conversávamos
bastante nesse dia. Almoçávamos com minha família e isso foi ajudando
meus pais a conhecê-lo melhor e vice-versa. Às vezes saímos para ir ao
cinema ou caminhar no parque — mas sempre acompanhados de minha irmã ou irmão. É claro que, às vezes, gostaríamos de privacidade, mas
garanto que a única coisa que teríamos feito com mais privacidade era o
que não deveríamos. Até nisso namorar em casa nos ajudou, a nos
guardarmos para o casamento.
Aos cinco meses de namoro, o Renato me pediu em casamento. Ele não
tinha uma aliança para me oferecer, apenas a sua palavra. E eu aceitei.
Nos próximos cinco meses, aprendi a cuidar da casa, das roupas, a
cozinhar e comecei a ler um livro sobre intimidade no casamento. Tudo
com a aprovação e direção da minha mãe, que ficou 100% encarregada da
festa do casamento. Em dez meses, estávamos casados.
OS BENEFÍCIOS DO CASAL MENTOR
Os pais da Cristiane foram nossos grandes mentores desde antes do nosso
namoro começar. O pai dela foi quem me orientou com respeito à diferença de
idade em meu relacionamento anterior; a mãe dela me notou e buscou
referências sobre mim; eles fizeram questão de acompanhar o nosso namoro
de perto sem ser sufocantes; orientaram a Cristiane durante toda a
preparação para o casamento; confiaram em mim a ponto de dizerem para ela
no dia do casamento: “Minha filha, a partir de hoje não tem mais papai e
mamãe. Quem vai cuidar de você agora é o seu marido”; e com um conselho
sábio para cada um de nós, meu sogro ajudou a salvar nosso casamento em
um momento de crise (fato que contamos em detalhes no livro Casamento
Blindado). Acima de tudo, o exemplo do casamento deles, que já dura mais de
44 anos, serve como um padrão para nós.
Assim como todo mundo precisa de um bom médico, um bom advogado e
um bom mecânico, todo casal precisa de um casal modelo como mentor.
Idealmente, os pais seriam esse casal, mas às vezes vocês terão de escolher
outro casal — tios, avós, amigos ou líderes na igreja, por exemplo. Um casal
mentor precisa não somente ser exemplo de bom casamento, mas também
não ter medo de corrigir e orientá-los quando necessário.
A jovem inexperiente precisará de conselhos em certas situações; melhor
que os receba de uma boa e experiente esposa do que de uma amiga solteira
que pouco ou nada sabe do assunto. O rapaz também, de tempos em tempos,
se beneficiará de uma conversa franca com seu mentor, como de pai para
filho, que poderá aliviar e evitar muitas dores de cabeça no relacionamento.
Uma palavra sábia pode mudar sua vida.
Sejam humildes e não tentem fazer tudo sozinhos. Procurem um casal que
vocês admirem e façam uso de suas experiências, erros e acertos.
QUEM É SEU REFERENCIAL?
Todo ser humano se comporta por imitação. Nós observamos alguém que tem qualidades que admiramos e buscamos aquilo para nós mesmos. Quando você
vê uma celebridade protagonizando uma campanha publicitária, é porque
aquela marca está explorando essa característica humana. Eu admiro a
celebridade A; ela usa o produto B; logo, eu quero esse produto.
Essa equação não funciona apenas na publicidade, mas nos relacionamentos
também. Instintivamente, admiramos certas pessoas que consideramos
exemplos de pai, mãe, marido e esposa, homem e mulher. Elas se tornam
nossos referenciais, pessoas a quem nos remetemos sempre que avaliamos
nosso comportamento e o do parceiro também.
O meu referencial de mulher, até me casar com a Cristiane, era minha mãe
— uma mulher forte, guerreira, pau para toda obra, que dava conta de cuidar
de quatro filhos e um marido que nem sempre foi fácil e que se fazia contente
com pouco para que nós tivéssemos um pouco mais.
Nos primeiros anos do meu casamento, eu media a Cristiane por esses
padrões. E sempre a achava em falta. Eu queria nela as qualidades de minha
mãe. Não que ela não tivesse qualidades. Tinha muitas, mas eu a achava
deficiente nos quesitos que minha mãe tinha de sobra.
Eu não entendia que o meu referencial de mulher, apesar de ser bom, estava
prejudicando meu casamento.
O seu referencial de homem ou de mulher pode ajudar ou
prejudicar seu namoro e casamento.
Como os pais têm um papel tão influente em nossas vidas, é inevitável que,
para bem ou mal, eles se tornem nossos referenciais. Parte da blindagem do
namoro é ter consciência do que vocês admiram e também do que desprezam
em seus pais. Vocês irão procurar naturalmente um no outro o que admiram
em seus referenciais — e rejeitar o que desprezam. É importante que tenham
consciência do impacto desses referenciais e façam as devidas compensações
para não serem injustos um com o outro.
Por exemplo, era injusto da minha parte querer que a Cristiane tivesse
algumas características de minha mãe. Elas tiveram vidas e criações
totalmente diferentes, além de uma diferença de idade de 25 anos… Eu tive
de aprender a apreciar a Cristiane como ela é, sem impor nada a ela. Por
outro lado, por mais que eu admire meu pai por suas muitas qualidades, tive
de usar outros homens como referenciais de marido nas questões em que ele
não foi exemplo para mim.
Não despreze o histórico familiar de vocês, especialmente se for
problemático. Pais separados, que não foram referenciais, um irmão
problemático que desestruturava toda a família, vícios, desrespeito, abuso
constante etc. — podem causar grande impacto na personalidade e
comportamento de uma pessoa. Por exemplo, um estudo mostrou que filhos
de pais divorciados são estatisticamente duas vezes mais propensos a se divorciarem também.
Todos trazemos na bagagem as coisas boas e ruins que herdamos de nossas
famílias. Ao longo do relacionamento, vocês têm que ter essa conversa,
descobrir mais sobre as bagagens familiares que cada um traz e o que elas
significam para o relacionamento.
Isso não quer dizer que bagagem pesada e ruim automaticamente
desqualifica uma pessoa para se casar. Mas significa, sim, que essa pessoa e
seu futuro cônjuge terão de lidar com ela de maneira eficaz e inteligente para
que não destrua o relacionamento. Isso é possível, mas não será uma tarefa
pequena. Se não houver de ambas as partes essa consciência, determinação e
habilidade para lidar com as bagagens pessoais e as do parceiro, melhor não
se casarem.
Entenda que histórico ruim e falta de referencial positivo não são desculpas
para continuar no erro. Se seu namorado(a) tem um comportamento derivado
da falta de bons exemplos familiares, ele pode mudar seus referenciais, como
qualquer pessoa inteligente. Mas se não o faz e, ao contrário, se mantém
como vítima, você não deve se casar com alguém assim.
Todo mundo sabe que seus pais causaram alguns “traumas” em você (assim
como você causará em seus filhos). E daí? Só porque eles o “torturaram”
durante seus primeiros vinte anos não significa que podem continuar para o
resto de sua vida. Assuma a responsabilidade por seus erros e
comportamento.
Chega um momento na história de uma família em que alguém
tem de quebrar os padrões destrutivos que correm em suas veias.
CONHECENDO OS CÍRCULOS SOCIAIS
O velho ditado “diz-me com quem andas e eu te direi quem és” é uma grande
verdade. Não cometa o erro de não conhecer quem são as pessoas no círculo
social do seu namorado(a). Quão bem você as conhece? Há alguém que ainda
não foi apresentado a você?
É claro que não terá acesso a todas as pessoas nos círculos sociais do
namorado logo no início do namoro. Mas, à medida em que o relacionamento
vai ficando mais sério e caminhando para o noivado, vocês devem ir
conhecendo as pessoas no círculo familiar e de amizades um do outro.
Você pode usar o diagrama abaixo para avaliar quão bem (ou mal) estão
neste ponto:Faça este exercício. Coloque o nome da pessoa amada no círculo menor e vá
preenchendo os maiores com nomes de quem você já conhece na respectiva
categoria.
Pessoas mais próximas: familiares, parentes e amigos. Estas são pessoas
muito importantes, que você deve procurar conhecer pessoalmente.
Colegas: na escola, no trabalho ou outro local de frequência. Alguns podem
se tornar tão próximos e influentes quanto os do círculo interior. Atenção para
nomes de pessoas constantemente citadas em conversas, presentes em
ligações e trocas de mensagens.
Conhecidos: não fazem parte do convívio diário, mas todos têm um
histórico de como se conheceram e o que significaram. Podem ser
simplesmente “alguém que estudava na mesma faculdade” ou até mesmo um
ex-namorado.
Talvez você queira usar uma lista em vez de círculos. Basta escrever o título
no topo e os nomes logo abaixo. Exemplo: Pessoas mais próximas: pai, mãe,
irmãos etc. Faça como for melhor para você — mas faça. O resultado visual pode ser muito elucidante. Há alguém importante na vida do seu parceiro de
quem você pouco sabe a respeito? Alguém que ele procura evitar que você
conheça? Conversem sobre isso.
Lembre-se de que este exercício é uma via de mão dupla. Não apenas
procure conhecer o círculo social do outro, mas verifique se você também já
revelou o seu. Nada de esconder ninguém!
Outra forma muito eficaz é compartilhar um com o outro as agendas de
contatos no celular. Vocês trocam os celulares e um de cada vez lê os nomes
na agenda de A a Z. Se há algum nome que você não conheça, você pergunta
mais sobre aquela pessoa e o outro explica a conexão. O mesmo pode ser
feito com os contatos em suas redes sociais.
Alguns podem achar isso um exagero ou “falta de confiança”. Enfatizo,
porém, duas coisas. Primeiro, este exercício não deve ser feito no espírito de
pegar o outro fazendo algo errado, e sim na intenção de agilizar o
conhecimento mútuo. Segundo, lembre-se do conselho: “Confie, mas
verifique”. Confiança só pode existir na presença de transparência. Qualquer
omissão intencional na troca de informações em um relacionamento apenas
gera desconfiança.
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namoro blindado
De Todomomento mais doloroso em nosso consultório CRISTIANE E EU JÁ PERDEMOS A CONTA de quantas vezes pensamos ao aconselhar casais em nosso consultório matrimonial: "Esses dois nunca deveriam ter se casado". É duro ver duas pessoas que nunca deveriam ter...
